Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Em direcção ao Verão: Dois refúgios perfeitos para as férias

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Em direcção ao Verão: Dois refúgios perfeitos para as férias

Há muito para conhecer no Alentejo e coisas novas a aparecer todos os anos. Escolhemos uma novidade fresquinha e um clássico que vale a pena conhecer

Por Nelma Viana
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Enquanto o resto da Europa regozija com temperaturas acima dos 30ºC, nós por cá vamos tentando encaixar a ideia de que o sol quando nasce, afinal, não é para todos. Não para nós. Pelo menos até ver. Quem tem férias marcadas para Agosto e Setembro esfrega as mãozinhas de contentamento com as notícias que dão conta de que este será um dos Verões mais quentes da História - já foi assim o ano passado, há dois anos e nos anos anteriores a esse. Quem foi e já voltou corre tem um longo e quente Verão pela frente e com ele um ligeiro perigo de arrependimento por ter escolhido o mês de Junho para se pôr à fresca. Já se percebeu que o tempo não anda bem mas até se dar o Verão por oficialmente encerrado ainda há 11 semanas para aproveitar. Para quem ainda não gastou as fichas todas, vão daqui os votos de umas boas e santas férias. Para os outros que já rogaram 389 pragas a São Pedro, ficam duas ideias de escapadinhas a uma hora de Lisboa, em direcção a Sul, para aproveitar o calor que ainda está para vir. 

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1. Cucumbi

As fotografias do antes e depois do Cucumbi são a primeira visita guiada pela quinta biológica que Catarina e Tozé Francês transformaram num pequeno hotel de charme à porta de Montemor-o-Novo. Podia ser uma história como outra qualquer: um casal que troca Lisboa pelo campo e aproveita que o Alentejo está na moda para se lançar à aventura no alojamento turístico. Mas não. Primeiro porque Catarina e Tozé não abandonaram Lisboa por completo e depois porque antes de porem em marcha o projecto do que viria a ser uma casa aberta ao público trataram de recuperar a parte agrícola que sempre foi a actividade principal da quinta. Na origem estiveram o pai e a madrasta de Catarina, vegetariana convicta e fervorosa defensora do consumo consciente à mesa e que inspirou a simplicidade e sustentabilidade que servem de traves mestras ao que hoje é o Cucumbi.

E o que é o Cucumbi? Antes de cairmos na tentação de começar a adjectivar descontroladamente, importa dizer que o Cucumbi é todo alma e coração. Antes de ser o que é já era uma casa de família, mas foi preciso deitar umas paredes abaixo, abrir os espaços da casa principal e converter as antigas habitações dos funcionários da quinta em unidades de alojamento. A vontade era tanta que a obra ficou pronta num ano e em junho, portanto há coisa de um mês, os sete quartos e suítes, ainda cheirar a novo, começaram a receber hóspedes. Mantiveram-se as lareiras das antigas cozinhas e as paredes toscas, algumas caiadas outras com o tijolo à mostra, e rechearam-se os interiores com mobiliário rústico, flores campestres colhidas ali à porta, cadeiras de palha, mantas de lã portuguesas e roupa de cama tão branca que branco mais branco não há, e que completam um espólio de peças escolhidas a dedo para não roubar a luz natural dentro de portas.

Nas traseiras dos quartos, à excepção da suíte duplex, partilha-se um terraço que parece saído de uma revista de decoração e que embora não esteja delimitado a cada um dos quartos tem espaço de sobra para que cada dupla de ocupantes se possa estender ao sol nas cadeiras de lona ou aproveitar as camas de ferro para para ficar confortavelmente a ver o sol a desaparecer na planície. Até lá, e porque o calor do Alentejo interior não é misericordioso, é obrigatório passar pela piscina e fazer uso das mesas e sofás do alpendre para ir descansando do sol. Quem estiver para aí virado, também há um salão anexo com mesas de bilhar e matraquilhos para entreter.

Apesar da proximidade de Montemor-o-Novo e de Alcácer do Sal (a cerca de 25 quilómetros), sair do Cucumbi para almoçar ou jantar pode causar alguns transtornos - ninguém no seu perfeito juízo tem gosto em interromper um dia de sol a troco de alimento -, já que é mesmo obrigatório pegar no carro para ir à caça de um restaurante nas redondezas. A alternativa é optar por uma das duas casas com cozinha e preparar um almoço rápido para comer à beira da piscina.

Ao jantar Catarina e Tozé deixam em aberto o convite para se juntar ao jantar da família Francês. Fernando, amigo e braço direito do casal é o “chef” de serviço mas avisa logo que não há cá pratos gourmet ou refeições muito elaboradas e que a ementa é exclusivamente vegetariana, respeitando a filosofia dos donos da casa. A preparação é feita à frente de todos (quem quiser pode e deve dar uma ajudinha) e vai acompanhando com um copo de vinho, umas azeitonas e uns queijos regionais. A mesa com bancos corridos encaixa sempre mais um e ao pequeno-almoço a história repete-se. A ilha da cozinha é ocupada pelo pão estaladiço, fruta fresca, manteiga de cacau, panquecas, iogurte natural para temperar com mel e compotas feitas em casa, bolo acabado de sair do forno e ovos biológicos da quinta preparados a pedido. Não há fiambres nem carnes frias de espécie alguma e não fazem falta rigorosamente nenhuma. Vale a pena servir-se, levar o prato para as mesas do jardim e tomar o pequeno-almoço à sombra e com vista para o campo.

À noite, a sala de estar onde repousa, majestoso, um piano de cauda, transforma-se em sala de cinema com a projecção de alguns clássicos da sétima arte. Pegue numa das bicicletas da casa e explore os trilhos das propriedade. A brincar, a brincar ainda são uns bons quilómetros a dar ao pedal. 

2. Imani Country House

Hotéis Hotéis de charme

Na pequeníssima localidade de Guadalupe, em Évora, não se imagina existir uma casa que guarda uma das maiores colecções de letreiros néons do país. Em rigor, não se imagina que exista um hotel rural com o nível de coolness do Imani Country House.

Piscinas redondas são sempre um óptimo cartão de visita e um daqueles elementos que nos faz gostar ainda mais de piscinas no geral. No Imani há duas, uma de geometria tradicional e outra mais sensual, mais fotogénica, a formar um círculo perfeito. Ambas servem as cinco suítes e dois quartos do hotel, embora quem consiga garantir reserva no quarto principal - somos nós que o consideramos assim por entendermos que uma divisão com 80 metros quadrados, casa de banho com chão de tábua corrida e banheira ao centro merece a distinção - privilegie da proximidade da cratera azul turquesa escava no imenso relvado que envolve a casa.

Há 11 hectares de terreno para explorar à vontade, com árvores de fruto, oliveiras e outras espécies autóctones, mas bom, mesmo, mesmo bom é ficar pela sala de estar ao ar-livre, com bar e mesa corrida e ir bebericando uns cocktails bem fresquinhos durante as horas de maior calor. Lá dentro, a sala de estar e o restaurante partilham o edifício sem se intrometerem um no outro. De um lado sofás, espaços de leitura com revistas internacionais e snooker, do outro o espaço solene onde André Ramos dá a conhecer o Alentejo à mesa. A decoração dos espaços resulta de uma mistura controlada de peças vintage com outras de design contemporâneo, artesanato local e mobiliário clássico e têm nos vários letreiros néons espalhados pelas paredes das áreas comuns um dos maiores atractivos.

Prove os vinhos e o azeite produzidos pela casa e não se acanhe em levar um ou dois exemplares para mais tarde recordar.

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Ainda somos do tempo em que Agosto era o mês das férias em família. Recordamos com um misto de cansaço e saudade as camas improvisadas por onde éramos distribuídos com os primos, as linhas de montagem para nos barrarem de protector solar e as mesas de plástico para onde nos recambiavam à hora da refeição.

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