Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Escapadinhas: na Herdade do Vau, rir é o melhor remédio

Escapadinhas: na Herdade do Vau, rir é o melhor remédio

Encaixada entre Beja, Serpa e Mértola, é um paraíso minimalista onde reina a alegria. Fomos conhecer a história da família do Porto que se rendeu ao Alentejo e ao Guadiana.

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Herdade do Vau – assim se deveria chamar o vinho que Miguel de Sousa Otto começou a produzir em 2007. Mas na hora de o registar, já havia outro Vau e foi preciso pensar num nome diferente. Juntaram-se os amigos à volta de uma mesa e o que era suposto ser um brainstorming, transformou-se num jantar divertido, com muitos brindes e gargalhadas à mistura. Perante o cenário, Miguel sugeriu: “Porque não RISO?” Todos riram, todos assentiram, RISO ficou. E é no RISO de Sousa Otto & Friends (eis o nome completo) que a história deste turismo rural encaixado entre Beja, Serpa e Mértola começa, caso queiramos adoptar o estilo “era uma vez”.

Do riso ao turismo rural

Era então uma vez uma família do Porto com raízes em Moçambique. Ele andava com vontade de fazer vinho e foi encontrar no Alentejo uma propriedade de 21 hectares que reunia todas as condições necessárias para avançar: um espaço com muitas orientações e declives, muito próximo do rio Guadiana e com bons solos. Ela não dificultou e ficou com vontade de ir mais longe: transformar a casa senhorial dessa propriedade do século XIX num lugar para reunir a família numerosa (têm cinco filhos) e não só – num hotel simples para receber hóspedes como se amigos fossem.


Avançou o vinho e avançou o turismo: hoje, a Herdade do Vau produz 20 mil garrafas por ano (reserva tinto, colheita especial tinto e colheita especial branco – essencialmente para consumo e compra na casa), e conta com seis quartos na casa principal e um na Casa do Forno. O antigo lagar e as cavalariças, recuperados em 2014, têm mais dois quartos duplos, e ainda um apartamento T1 e dois T2, com sala e cozinha independentes – perfeitos para quem vai em família e a pensar em estadias mais longas.

Em comum, têm todos a decoração minimalista. “O Alentejo, principalmente o Alentejo interior, é o paradigma da simplicidade e do despojamento quase franciscano”, descreve Miguel. “Desafiei a minha filha arquitecta e concordámos que a simplicidade é vivida pela ausência de ruído, nomeadamente visual. Quase não é preciso quadros ou fotografias nas paredes: há as janelas e a vista.”


A vista – para o Guadiana, para as vinhas e para o campo agrícola – pode ser apreciada das tais janelas, em forma de arco, e das varandas dos quartos confortáveis, mas também dos espaços comuns exteriores: a piscina espaçosa e silenciosa; o terreiro à volta da casa, com cadeiras que convidam a longas conversas ou leituras e uma enorme mesa onde acontecem as refeições sempre que o tempo está de feição; ou o campo de ténis, com raquetes e bolas à disposição para quem não acredita na deliciosa máxima de simplesmente-não-fazer-nada. Também para esses há vários programas, dos passeios informais até ao rio, sem mapa, planos ou hora de voltar, aos passeios de balão de ar quente, vindimas, piqueniques e cursos de vinhos, ervas aromáticas ou cozinha.

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Na casa principal, e para os dias mais frios ou chuvosos, o ponto de encontro é a sala, com uma lareira enorme e muitos recantos para jogar, ler ou relaxar. É aí que os de Sousa Otto gostam de se juntar aos hóspedes, em jantares simples e familiares. “Para mim, férias e descanso é também ter tempo de se abrir aos outros, coisa que no dia-a-dia não dá para fazer. A mesa provoca esse ambiente”, descreve Miguel, que tem boas dicas de restaurantes ali à volta, mas que continua a gostar de rir e beber RISO com quem o visita.

Para comer
A Herdade do Vau organiza jantares sob marcação, mas se quiser explorar as redondezas os proprietários têm bons conselhos para dar. A apenas 5 km, na aldeia de Quintos, encontra o Retiro dos Caçadores (Rua das Bicas, 15, 284 893 179) – além do vinho, a caça é outra das paixões de Miguel de Sousa Otto. Em Beja, a uns 15 km da Herdade do Vau, o Pulo do Lobo (Praceta Rainha Dona Leonor, 284 327 898) serve bom marisco e bons petiscos alentejanos. Para os mais indecisos há um prato que junta o melhor dos dois mundos: chama-se Terra e Mar e combina porco preto com camarão grelhado. Destaque ainda para o gaspacho com carapaus fritos. Se o mapa apontar para Serpa, sente-se à mesa do restaurante A Tradição (Alameda Abade Correia da Serra 14, 934 238 295), com cozinha de autor tradicional alentejana.

Para fazer
No caso de não saber o que fazer aos dias tem duas opções: uma artística e outra mística. A Rota do Manuelino leva-o a descobrir a arte de contorcer pedra como quem gira esparguete num garfo com o apoio da colher, enquanto os itinerários das Terras da Moura Encantada narram lendas de arrepiar. Passe a redundância, dê um salto ao Pulo do Lobo, em Mértola, a maior cascata do sul do Alentejo, e descubra porque chamou a atenção de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada para o quinquagésimo segundo volume da colecção Uma Aventura.

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Hotéis

Herdade do Vau

Como chegar
Na A2, sair para a IP8 em direcção a Beja/Ferreira. Passar o Pavilhão de Exposições, em Beja, e seguir as indicações de Quintos/Salvado. Na aldeia de Quintos, encontra placas para a Herdade do Vau.


Preços
A partir de 80€/noite em época baixa

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