10 músicas para o/a fazer saltar da cama

O despertador tocou, mas lá fora ainda está escuro e não lhe apetece sair do vale dos lençóis e, portanto, silenciou-o com um piparote e pôs o travesseiro sobre a cabeça? A Time Out tem uma receita para o/a espevitar
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©Elisabeth Lies/Unsplash
Por José Carlos Fernandes |
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Ou é porque o frio e a chuva lá fora convidam a ficar no aconchego dos cobertores – “só mais cinco minutos” – ou porque a noite foi de mornidão tropical e só apetece continuar espapaçado. Ou o dia até pode anunciar-se fresco e primaveril mas a noite de copos que foi um pouco para além da conta ou a empreitada de ver toda uma temporada da sua série favorita de uma assentada deixaram a sua cabeça obnubilada e o corpo com escassa vontade para se sujeitar a suplícios como meter-se debaixo do chuveiro, vestir-se e pôr-se a caminho do emprego.

Acontece até aos menos madraços, mas há formas de superar tal estado de prostração – a que agora se propõe recorre a doses alternadas de música feita por dignos cavalheiros de cabeleiras empoadas e azougados adolescentes japoneses de franjas descoloradas. Não estão documentados efeitos secundários ou casos de interacção com outros medicamentos, mas este tratamento pode ter efeitos sobre a capacidade de conduzir e operar máquinas e a Time Out não se responsabiliza por acidentes ou multas por excesso de velocidade decorrentes de conduzir sob o efeito destas músicas.

10 músicas para o/a fazer saltar da cama

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III andamento (Allegro) do Concerto para violino RV 357

Se se tivesse de resumir a música de Antonio Vivaldi numa só palavra, seria “vitalidade”. O dínamo criativo na mente de Vivaldi produziu electricidade suficiente para o espantoso número de meio milhar de concertos, entre os quais está o RV 357, o n.º 4 da colecção de doze concertos para violino La Stravaganza, compostos em 1712-13 e publicados em 1716.

A pujança, colorido e ousadia da música de Vivaldi foram, durante muito tempo, parcialmente escamoteadas por interpretações solenes e mesuradas e só começaram a ser redescobertas a partir do final da década de 1980, quando entraram em cena grupos italianos de instrumentos de época, como Il Giardino Armonico, Europa Galante, Sonatori de la Gioiosa Marca ou a Orquestra Barroca de Veneza.

[Por Anton Martynov e os Sonatori de la Gioiosa Marca, na Chiesa di San Giacomo dall’Orio, Veneza, 27 de Dezembro de 2015]

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“Time Never Stops”, dos Neverstand

O tempo nunca pára – não há no mundo nada de mais certo e incontornável e, todavia, passamos a vida a iludir-nos, a enredar-nos em sucessivas procrastinações e dúbios compromissos. O rock não é muito dado a profundas elucubrações filosóficas, mas capta, como poucos géneros musicais, o sentido da urgência e é ele que pulsa nesta canção dos Neverstand; e enquanto a música corre, uma chávena de chá arrefece lenta mas inexoravelmente, esperando alguém que talvez nunca venha.

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Sonata para cravo K 517, de Scarlatti

Domenico Scarlatti trocou uma promissora carreira de compositor de ópera em Itália (e, provavelmente, a sombra de um pai famoso, controlador e demasiado intrometido na vida do filho) pela de professor de cravo da filha de um rei de um país musicalmente periférico. O rei era D. João V e a filha a princesa Maria Bárbara, que Scarlatti acompanharia, de Lisboa para Madrid, quando, em 1729, ela se casou com o futuro Fernando VI de Espanha, e a quem continuou a dar aulas até falecer, em 1757. Não se sabe quantas das suas 555 sonatas para cravo se destinariam às mãos da real discípula, mas, sendo a maior parte delas de elevada exigência técnica, é de crer que Maria Bárbara seria uma dotada cravista.

As sonatas de Scarlatti são geralmente em tempos rápidos e possuem uma natureza viva, efervescente e luminosa, por vezes animadas de um destemor e despreocupação a raiar a petulância. Entre as 555 sonatas há algumas com a indicação Presto, que já é bastante para fazer suar cravistas credenciados, mas só uma tem a indicação Prestissimo: a K 517. Pierre Hantaï, um especialista em Scarlatti, atira-se ao desafio sem cinto de segurança nem airbag.

 

[Por Pierre Hantaï, no vol. 3 das quatro colecções de Sonatas que gravou para a editora Mirare]

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“Upside Down”, dos T.C. Speaker

Os T.C. Speaker são de Osaka e “Upside Down” é a faixa de abertura do EP A Part of XX (2015, The Ninth Apollo). Os 2’23’’ de “Upside Down” não trazem nada de novo ao pop punk, mas dificilmente se assiste a tamanha dissipação de energia sem se ficar envergonhado por continuar na cama.

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Allegro do Concerto Brandemburguês n.º 3 BWV 1048, de Bach

Os seis concertos que Johann Sebastian Bach dedicou, em 1721, a Christian Ludwig, Margrave de Brandenburgo, são um genial destilado da arte do concerto barroco. Cada um se destina a uma geometria instrumental diferente, sendo boa parte delas pouco vulgares ou até inéditas na história do concerto. O n.º 3 destina-se à invulgar formação de três violinos, três violas e três violoncelos, suportados por baixo contínuo (contrabaixo e cravo), que tanto funcionam em grupo (tutti), como se subdividem em pequenos “ coros”, como assumem, durante breves momentos, papel solista, antes de serem reabsorvidos no turbilhão das restantes cordas.

O Allegro final não costuma ser tocado à velocidade vertiginosa escolhida pela Musica Antiqua Köln, mas mesmo que, no seu tempo, a música não tivesse sido tocada assim, é provável que Mestre Bach aprovasse.

[Pela Musica Antiqua Köln, com direcção de Reinhard Goebel (Archiv)]

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“The meaning of coming of age”, dos Althea

As bandas japonesas na área do power pop/ melodic punk/ emo fazem a maioria das congéneres ocidentais parecer asténicas e rudimentares. “The meaning of coming of age” é a faixa que dá título ao primeiro mini-álbum, lançado em Janeiro de 2017, dos Althea, um trio de Yokohama. E no que diz respeito a “coming of age”, fica-se com a impressão de que as bandas japonesas chegam lá uns bons anos antes das ocidentais.

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Concerto para flauta RV 443

Vivaldi é mais conhecido pelos concertos para violino, mas os concertos para flauta não lhes ficam a dever nada em exuberância e virtuosismo. Dos 25 concertos destinados à flauta, três foram concebidos especificamente para flauta piccolo ou flautino – é o caso do RV 443, que terá sido certamente composto com um excepcional intérprete em mente, pois são-lhe exigidas acrobacias complexas e arriscadas a alta velocidade. A crer no à-vontade exibido pelo flautista suíço Maurice Steger, poderia ter sido composto para ele.

[Por Maurice Steger (flauta) e Cappella Gabetta, dirigida a partir do violino por Andrés Gabetta, no festival Classiques!, em Riehen, na Suíça]

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“Youth”, dos Said

A canção soa como uma versão refrescada e aditivada dos primeiros tempos dos Aztec Camera e da pulsação rock’n’roll dos The Feelies e é o lado B da quarta demo dos Said, lançada em 2016. Mais uns miúdos que nos lembram de que o tempo só avança numa direcção e que tudo o que passou não voltará.

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Sonata para cravo K 427, de Domenico Scarlatti

A indicação de tempo desta peça é um repto lançado pelo compositor ao intérprete: “Presto, quanto sia possibile”, ou seja, “Tão rápido quanto possível”, sem comprometer, como é óbvio, a elegância, o rigor e a clareza da articulação. O cravista Andreas Staier é, com Pierre Hantaï, quem mais fez por revolucionar a forma como se tocam as sonatas de Scarlatti, fazendo as gravações de referência realizadas por Scott Ross em 1984-85 parecer algo desmaiadas e as versões para piano inadequadas.

Quem consiga ouvir esta versão da K 427 sem sentir um frémito percorrer-lhe o corpo e a mente deverá apresentar-se na morgue mais próxima da sua residência, para que lhe seja aposta uma etiqueta no dedo grande do pé.

[Por Andreas Staier, num CD com uma selecção de sonatas de Scarlatti para a Teldec/Warner)]

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“Dreaming Technique”, dos Tradlad

A canção foi uma das primeiras demos desta banda de Tóquio, logo quando a banda nasceu, em 2013, e surgiu, nesta versão, como faixa extra no segundo single, Structures, de 2015. Não é todavia uma canção para merecer o estatuto de “lado B”, pois o riff de guitarra aloja-se instantaneamente na memória e o refrão tem potencial para pôr estádios em ebulição. A principal barreira a que o pop-rock japonês conquiste o planeta é ser cantado numa língua completamente impenetrável para o resto do mundo. Mas mesmo sem saber japonês, pode tentar cantarolar uma aproximação fonética de “Dreaming Technique”, enquanto toma um duche frio: é receita certa para deixar o mundo dos sonhos.

Música para todas as ocasiões

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Ilustração: Rui Pita
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