13 discos indispensáveis de jazz português

Estamos aqui para lembrar aos mais distraídos o alto nível atingido pelo jazz português. Os 13 discos que se seguem só o confirmam
Rodrigo Amado Trio
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Por José Carlos Fernandes |
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O jazz em português está bem e recomenda-se. A prova disto são estes 13 discos que lhe trazemos para que não perca fio à meada. Não sabe por onde começar? Da famosa dupla Maria João e Mário Laginha, a Carlos Bica e Azul, passando por L.U.M.E. ou Júlio Resende, estes são alguns dos nomes que constam desta lista de discos indispensáveis de jazz português. Porque nunca é demais lembrar que o nacional é bom e precisa de ser ouvido, como estes discos o confirmam. Já sabe por onde começar?

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13 discos indispensáveis de jazz português

Maria João - Fábula
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Maria João & Mário Laginha: Fábula (1996, Verve)

Não faltam bons discos na longa e frutuosa colaboração entre Maria João & Mário Laginha. Mesmo com alguns anos de interregno na parceria, somam já uma dúzia, entre Danças, de 1994, e Iridescente, de 2012, umas vezes só com voz e piano, outras com a companhia de distintos músicos nacionais e internacionais, numa ocasião com a Orquestra Filarmónica da NDR, de Hannover, mas Fábula é o mais perfeito dos 12. O duo é enriquecido por convidados de luxo, como Ralph Towner (guitarra clássica e de 12 cordas), Ricardo Rocha (guitarra portuguesa), Dino Saluzzi (bandoneon), Kai Eckhardt de Camargo (baixo) e Manu Katché (bateria) e o repertório é uma feliz e harmoniosa mistura de composições de Laginha, Ralph Towner, música tradicional portuguesa e canções de Edu Lobo/Chico Buarque.

[“Beatriz”, de Edu Lobo/Chico Buarque]

Carlos Barreto Trio - Radio Song
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Carlos Barretto Trio: Radio Song (2002, Clean Feed)

O contrabaixista Carlos Barretto tinha já vários discos gravados como líder – Impressões (1993) e Going Up (1996) – mas foi no trio com Mário Delgado (guitarra) e Alexandre Frazão (bateria) que o seu talento encontrou a mais apurada expressão. Suíte da Terra (1998) ainda é um disco de busca e é em Radio Song (editado originalmente pela CBTM e reeditado em 2007 pela Clean Feed) que o trio começa a carburar em pleno. Em Radio Song o trio tem como convidado um clarinetista francês de primeiro plano, Louis Sclavis, que dará lugar, no álbum seguinte, Lokomotiv (2003, Clean Feed), ao não menos brilhante François Corneloup. O disco seguinte, Labirintos (2011, Clean Feed), regressa ao formato de trio (adoptando a designação de Lokomotiv, que permanece até hoje) e é igualmente recomendável.

[“Radio Song”, do álbum homónimo]

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Carlos Bica & Azul - Look what they've done to my Song
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Carlos Bica & Azul: Look What They’ve Done To My Song (2003, ENJA)

O trio Azul leva por esta altura 20 anos de existência e seis discos, o mais recente dos quais é More Than This, editado pela Clean Feed no final de 2016. São todos indispensáveis e a escolha de Things About é meramente arbitrária. Azul, o disco de estreia, de 1996, produziu um efeito de surpresa – nunca um trio de guitarra, contrabaixo e bateria tinha soado assim – mas cada um dos discos que se seguiram trouxe a renovação do milagre, soando tão frescos e originais como o primeiro. Magníficas melodias casam-se com adstringência e angulosidade, a música tradicional portuguesa convive com a dos Balcãs, o rock e o jazz confundem-se, uma canção melosa de Melanie ganha uma segunda e bem mais interessante vida. Tudo isto só é possível porque o contrabaixista Carlos Bica, o guitarrista alemão Frank Möbus e o baterista americano Jim Black não só são mestres absolutos dos seus instrumentos como possuem o supremo talento de saber colocar, a cada instante, a sua mestria ao serviço das composições e de terem desenvolvido uma cumplicidade que faz a mais céptica das criaturas crer na telepatia.

[“Password”]

Mario Laginha Trio - Espaço
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Mário Laginha Trio: Espaço (2007, Clean Feed)

Mário Laginha é músico de facetas múltiplas, que vão da parceria com Maria João (que remonta a 1983, ainda no tempo do Quinteto Maria João), à composição de concertos para piano e outras peças “eruditas” para orquestra, passando por incursões no repertório clássico, com Pedro Burmester, pelas parcerias com Bernardo Sassetti e, mais recentemente, com Camané, e pelo piano solo (Canções & Fugas, de 2006). A faceta mais próxima dos cânones jazzísticos (pelo menos no instrumentário) é o trio que há muitos anos mantém com Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria) e do qual existem dois estupendos registos: este e Mongrel (2010, ONC), em que reinterpreta para a sua linguagem várias peças para piano solo de Chopin. Espaço resultou de uma encomenda da Trienal de Arquitectura de Lisboa de 2007 e merecia um Prémio Pritzker, tão ousadas, angulosas e fluidas são as suas linhas.

[“Tráfico”]

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L.U.M.E. - L.U.M.E.
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L.U.M.E.: L.U.M.E. (2010, JACC Records)

Perante a designação Lisbon Underground Music Ensemble (L.U.M.E.) haverá quem pense que, contando a Banda da Carris com quase nove décadas de vida, já era mais do que tempo de o Metropolitano de Lisboa ter a sua filarmónica. Só que ninguém no L.U.M.E. é funcionário do Metro e, escutando-o, ao vivo ou em disco, fica-se com a ideia que será melhor que a nenhum destes celerados seja confiado o transporte colectivo de passageiros. O L.U.M.E. segue trajectórias imprevisíveis, faz acelerações e travagens abruptas, ignora paragens, apeadeiros e estações, despreza sinais de trânsito e limites de velocidade, circula em contramão e não demonstra qualquer consideração pelo conforto e segurança do passageiro/ouvinte. E pratica estes desacatos ostentando um sorriso maníaco que faz pensar em Frank Zappa e na Flat Earth Society.

O L.U.M.E. é uma big band muito peculiar, congeminada por Marco Barroso, que, além de pianista, é responsável pelos samples e manipulações electrónicas. O disco de estreia, homónimo, saiu na JACC Records e na editora belga Buzz. Em 2016, a Clean Feed editou o opus 2, Xabregas 10, captado ao vivo no festival Jazz em Agosto de 2014.

[“Freestyle Boogie”, composição incluída no disco de estreia, homónimo, numa versão ao vivo no Teatro Gil Vicente, Coimbra, Novembro 2006]

Bernardo Sassetti Trio - Motion
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Bernardo Sassetti Trio: Motion (2010, Clean Feed)

O pianista Bernardo Sassetti deixou-nos em 2012, interrompendo abruptamente uma vida criativa que ainda teria imenso para dar. À data da gravação deste seu último disco, o trio de Sassetti com Carlos Barretto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria) já levava 12 anos de vida e tinha produzido um magnífico disco, Nocturno (2002, Clean Feed), mais outro, não menos admirável, em “trio expandido”, Ascent (2005, Clean Feed). As múltiplas actividades por que os seus membros se dividiam explicam que o opus III tenha demorado, mas, no interim, o grupo não estagnou: apurou o despojamento e a contenção que lhe permite obter o máximo de sentido com um mínimo de gestos. O dia nasce com a suave demência de “Homecoming Queen” (uma canção dos Sparklehorse), a percussão a reforçar a atmosfera de caixinha de música avariada. Se há quem consiga resistir aos hipnotizadores dos circos, não haverá alma sensível que não fique subjugada ao encantamento de “Reflexos – Movimento Circular”. O dia avança e as brumas matinais dão dando lugar a ambientes diversificados: há breves frémitos de piano preparado, interferências radiofónicas, algum swing, e até um poderoso ritmo de drum’n’bass. A noite vai caindo e a melancolia volta a recobrir o mundo: “Chegada” tem a dolência de um Nocturno de Chopin, depois vem a peça de Mompou e… fim? Se ficar meio minuto no escuro a deixar a “Cançó” ecoar dentro de si, será recompensado.

[“Reflexos – Movimento Circular”]

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Luis Lopes Humanization 4tet - Electricity
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Luís Lopes Humanization 4tet: Electricity (2010, Ayler Records)

A alta voltagem só representa perigo para quem espera que o jazz se limite a massajar-lhe suavemente as orelhas após um dia estafante. “Dehumanization Blues”, o assertivo e áspero tema de abertura de Electricity, deixa claro que não é repouso que o Humanization 4tet tem para oferecer. Tão pouco se encontrará refrigério no turbilhão furioso de “Jungle Gymnastics” ou no groove funk, no riff sinuoso de sax e no contraponto ácido de guitarra de “Two Girls”, ou na viagem vertiginosa por subúrbios inquietantes de “Procurei-te na Noite”.

O Humanization 4tet do guitarrista Luís Lopes estreou-se na Clean Feed com um fulgurante disco homónimo e gravou dois discos de calibre idêntico para a editora sueca Ayler Records. Os irmãos González – Aaron no contrabaixo e Stefan na bateria – asseguram propulsão potente e elástica, Rodrigo Amado tem um discurso de uma solidez e incandescência que explicam porque razão é o músico de jazz português com mais prestigiante e prolífico currículo internacional e Luís Lopes, embora continue a deixar o primeiro plano a Amado, afirma-se como guitarrista original e de múltiplos recursos. A escuta de Electricity toma cerca de uma hora, mas fornece carga para uma semana de actividade.

[“Two Girls”]

Júlio Resende - You Taste Like Song
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Júlio Resende: You Taste Like a Song (2011, Clean Feed)

O pianista Júlio Resende estreou-se na Clean Feed com o promissor Da Alma, confirmou as expectativas com Assim Falava Jazzatustra e ultrapassou-as com este terceiro disco, em trio com o contrabaixista norueguês Ole Morten Vagan e o baterista Joel Silva.

“Silêncio: For the Fado” começa com o contraste entre as ruminações inquietas de contrabaixo e o discurso tranquilo e límpido do piano e desabrocha num lirismo luminoso. Já “Hip-Hop Du-Bop” tem ritmo hip-hop anguloso e um piano a fazer de MC neurótico. “Airbag”, dos Radiohead, uma canção de extraordinária tensão e densidade, é reinventada como hino sereno e de claro recorte melódico, e a convencional “Who Did You Think I Was”, de John Mayer, ganha segunda vida impelida por ritmo dançarino e acentuações inesperadas. Mesmo quando toma um jazz standard, como é o caso de “Straight No Chaser”, o trio faz questão de o reconstruir em profundidade. Mas talvez a melhor porta de entrada seja o tema-título e “Um Pouco Mais de Azul”, com as suas melodias singelas repetidas obsessivamente, que ganham ímpeto e intensidade a cada nova volta e deixarão inebriado o mais sorumbático ouvinte.

[“Um Pouco Mais de Azul”]

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Filipe Raposo - First Falls
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Filipe Raposo Trio: First Falls (2011, Orfeu)

“Kind of Impatience” cita, sobre ritmo cambaleante, a pungente melodia do Andante con moto do Trio nº 2 D929 de Schubert, o endiabrado “Sadir Donka” baseia-se em folclore búlgaro (e evoca o jazz balcânico de Bojan Z.) e outros temas incorporam influências de Bach, Fauré e música tradicional portuguesa – é o próprio Filipe Raposo que o confessa. “Closer” parece enredado no barroco, o duo de piano e contrabaixo “Em Fado” sabe mesmo a fado, “Departure”, com piano melancólico sobre groove mecânico, deriva para o trip hop. Raposo, um pianista de curriculum que abarca vários géneros musicais, encontra em Yuri Daniel (contrabaixo e baixo fretless) ou Carlos Bica (contrabaixo) e em Carlos Miguel ou Vicky Marques (bateria) os cúmplices perfeitos para que esta confluência de influências não gere um cinzento pardo mas antes um admirável caleidoscópio sonoro.

[“First Falls”]

Rodrigo Amado Motion & Jeb Bishop
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Rodrigo Amado Motion Trio & Jeb Bishop: Burning Live at Jazz ao Centro (2012, JACC Records)

Desde 2009, quando foi gravado o CD de estreia do Motion Trio, que junta Rodrigo Amado (sax), Miguel Mira (violoncelo) e Gabriel Ferrandini (bateria), a irreprimível energia nervosa do trio foi ganhando foco e direcção e atingiu o ponto de incandescência neste registo ao vivo, em Coimbra, no Festival Jazz ao Centro de 2011, em que o trio é complementado pelo trombonista Jeb Bishop, esteio de muito do jazz que se faz em Chicago (integrou durante muitos anos o Vandermark 5) e que traz a Burning Live uma densidade e intensidade acrescidas – a ponto de por vezes fazer esquecer que se está a ouvir só um quarteto.

O CD compõe-se de três longas faixas e a primeira e a última levam os indicadores de temperatura ao vermelho durante longos e exaltantes minutos, com o frenesim dos sopros a ser sustentado por um turbilhão demoníaco de violoncelo e bateria. A colaboração entre o Motion Trio e Bishop seria repetida em The Flame Alphabet, ainda e sempre sob o signo do fogo.



[“Burning live”]

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Kolme - Kolme
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Kolme: Kolme (2012, Escutar Records)

O trio Kolme (a palavra finlandesa para “três”), de Ruben Alves (piano), Miguel Amado (contrabaixo) e Carlos Miguel (bateria), faz parte do número crescente de grupos que exploram o caminho desbravado pelo Esbjörn Svensson Trio (E.S.T.): melodias límpidas e de recorte bem definido, grooves inspirados em pop, rock e hip hop, crescendos épicos feitos da repetição de motivos simples. Não se depreenda daqui que os Kolme são meros émulos ou se limitam a seguir com a corrente. Ruben Alves destila nas suas composições uma síntese pessoal, que tem raízes numa carreira hiperactiva e eclética, com um espectro de colaborações que vai de Fausto a Ricardo Rocha e Pedro Carneiro. A experiência no teatro e no acompanhamento de filmes mudos não será alheia à preciosa gestão da tensão dramática evidente na sua música.

[“Pulguita”]

Pedro Neves Trio - Ausente
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Pedro Neves Trio: Ausente (2013, Carimbo Porta-Jazz)

A estreia do trio do pianista Pedro Neves (n.1978, Porto), com Miguel Ângelo (contrabaixo) e Leandro Leonet (bateria), revela um apurado sentido melódico e um admirável equilíbrio entre élan rítmico e lirismo. As nove composições de Neves são consistentemente inspiradas, o entrosamento do trio não tem falhas (o piano é apenas um primum inter pares), a gestão dos pólos tensão/distensão e efusão/contenção é judiciosa. “Sete Palmos” chama a atenção pelo tom dramático e solene, a evocar as baladas para piano do romantismo germânico, “Lady Bug” por dançar graciosamente num funk descontraído, quebrado por arritmias, “Presente” por uma melodia daquelas que deixa qualquer compositor roído de inveja.

[“Presente”, composição incluída em Ausente, numa versão ao vivo no Auditório da Faculdade de Economia do Porto, 12 de Dezembro 2013, pouco depois da gravação do disco]

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The Rite of Trio - Getting All the Evil of the Pison Collar
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The Rite Of Trio: Getting All the Evil of the Piston Collar! (2015, Carimbo Porta-Jazz)

Este jovem trio portuense – André Bastos Silva (guitarra), Filipe Louro (contrabaixo) e Pedro Melo Alves (bateria) – tem afinidades com power trios que têm sido reveladas na série Spotlight da Tzadik, como Les Rhinocéros, Hypercolor ou Many Arms. Tal como estes, cruzam, com proficiência, ironia e absoluto desprezo por convenções, jazz, metal, post rock e math rock, saltando sem aviso entre estilos e atmosferas diversas. Este seu disco de estreia transborda de ideias, da colagem tresloucada dos Naked City em “Grab a Chair, Pick a Card”, ao math rock ominoso e adstringente, com afinidades com os King Crimson circa 1974, da faixa que dá título ao CD.

Mais jazz em português

Carlos Bica
©Jorge Monjardino
Música

Dez contrabaixistas de jazz portugueses que precisa de ouvir

Começou por ter um papel apagado e discreto, percebeu-se que poderia ser mais do que um mero marcador de ritmo com Jimmy Blanton, emancipou-se com Charles Mingus e Scott LaFaro. Hoje é consensual que o contrabaixo não só não é um “instrumento menor” como pode assumir protagonismo equivalente ao do saxofone ou do piano e não é por acaso que alguns dos mais excitantes projectos do jazz português são liderados por contrabaixistas.  

Gabriel Ferrandini
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Música, Jazz

Oito bateristas de jazz portugueses que precisa de ouvir

Em contraste com a música clássica, em que a percussão costuma desempenhar um papel menor e há obras em que o percussionista passa meia hora imóvel e apenas intervém no “tcham-tcham” final, o jazz confiou, desde os seus primórdios um papel importante à bateria. Na era do swing, virtuosos como Gene Krupa e Buddy Rich deram à bateria um novo protagonismo e quando, na viragem das décadas de 1940-50, o bebop fez explodir a linguagem do jazz, havia bateristas como Max Roach e Art Blakey a liderar a revolução. Alguns dos mais excitantes grupos do nosso tempo têm bateristas à frente – e Portugal não é excepção. 

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André Fernandes
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Música, Jazz

Seis guitarristas de jazz portugueses que precisa de ouvir

A guitarra fez um longo caminho no jazz, de discreta auxiliar rítmica (demasiado discreta, antes de ser amplificada) até à disputa do primeiro plano com saxofones e trompetes. A história da guitarra jazz teve três notáveis pioneiros em Eddie Lang, Django Reinhardt e Charlie Christian, mas nenhum deles poderia adivinhar os papéis que o instrumento seria capaz de desempenhar quando associado a pedais de efeitos e outra parafernália electrónica. De todos os instrumentos usados no jazz, a guitarra foi o que mais sofreu as influências do rock, contribuindo para enriquecer a linguagem do jazz – os três primeiros guitarristas portugueses desta lista são exemplo dessa frutuosa permeabilidade entre géneros musicais.

Musica, Jazz, Saxofonista, Rodrigo Amado
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Cinco saxofonistas de jazz portugueses que precisa de ouvir

O saxofone raramente mereceu a atenção dos compositores eruditos – pouco mais tem do que papéis secundários em obras menores de Bizet, Strauss, Berlioz, Saint-Saëns e Debussy –, mas tornou-se num dos instrumentos centrais do jazz. Ainda assim, nos primórdios deste género, teve de lutar para se impor contra a primazia do clarinete e da trompete. Mas, quando começaram a surgir mestres da envergadura de Coleman Hawkins, Lester Young, Johnny Hodges e Charlie Parker, o saxofone tornou-se na estrela do grupo – posição que seria confirmada por gigantes como John Coltrane, Stan Getz, Sonny Rollins ou Gerry Mulligan. Portugal não é excepção a este domínio do saxofone no jazz e, embora se trate de um segredo bem guardado, pode orgulhar-se de ter um saxofonista que, por duas vezes, foi eleito pela crítica internacional como o melhor do mundo.

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Sei Miguel
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Cinco trompetistas de jazz portugueses que precisa de ouvir

A história da trompete não começou com Louis Armstrong – antes houve Joe “King” Oliver, em cuja banda um ainda jovem Armstrong tocou – mas foi ele, com os Hot Five e os Hot Seven, a ganhar renome e a levar o nível de execução do instrumento para um novo patamar. O seu contemporâneo Bix Beiderbecke (falecido precocemente) é visto como sendo a principal influência dos trompetistas mais cool, como Miles Davis e Chet Baker, sendo Roy Elridge e Dizzy Gillespie os representantes do registo mais exuberante e acrobático. Em Portugal, Sei Miguel é um dos mais importantes intérpretes da história do instrumento.

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