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Salvador Sobral
Inês Félix

Cinco canções de Jacques Brel comentadas por Salvador Sobral

O regresso de Salvador Sobral ao CCB, depois do concerto que se seguiu à vitória da Eurovisão, em 2017, faz-se com a chanson de Jacques Brel. O encontro acontece sexta-feira.

Por Hugo Torres
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A imprevisibilidade é uma das qualidades de Salvador Sobral. É difícil antecipar os seus movimentos. O álbum que editou no ano passado, Paris, Lisboa, era prova de que, partindo do jazz, podia tomar qualquer direcção. Mas, se havia uma pista sobre o que viria a fazer a seguir, essa pista também estava no disco, em “La Souffleuse”. Para quem precisa de caminhos claros para não se perder, pode dizer-se que a incursão pela chanson parte desse tema escrito pela mulher, a actriz francesa Jenna Thiam, e se espraia nesta sexta-feira, no Centro Cultural de Belém, onde vai dedicar um espectáculo a Jacques Brel (1929-1978). É um regresso à mesma sala que o acolheu logo após a vitória na Eurovisão, em 2017.

E é um encontro artístico feliz: tal como o português, também o cantor belga não se deixou coarctar pelo sucesso, pondo-se em cima do muro da fama e percorrendo-o de forma provocatória, sem se deixar cair para nenhum dos lados. Dois marginais entre burgueses. Intensos, criativos e agitadores. Salvador Sobral “apaixonou-se” pelo contador de histórias, pelo performer, pela sua “complexidade e riqueza”, e decidiu partilhar o entusiasmo em palco (onde estarão, entre outros, dois cúmplices habituais: Joel Silva e André Santos). Pedimos-lhe que escolhesse cinco canções que vão fazer parte do alinhamento e as comentasse uma a uma. É o que se segue.

CCB. Sex 21.00. 15-35€

Cinco canções de Jacques Brel comentadas por Salvador Sobral

Ces gens-là

Ces gens-là, 1965

"Dos poemas mais visuais de Jacques Brel. Uma caricatura de uma família que faz lembrar o Feios, Porcos e Maus [filme de Ettore Scola]. A mãe que não diz nada de jeito; a velhota que toda a gente espera que morra, porque é ela que tem todo o dinheiro; o filho bêbado; o pai que morreu de uma escorregadela... felizmente há a Frida, que é bela como o sol. E quando ela chega, o arranjo explode e a música sai do único acorde mântrico em que estava. E que interpretação mais teatral e perfeita."

Ne Me Quitte Pas

La Valse à Mille Temps, 1959

"Há seis meses que estou a escutar e aprender o repertório do Brel e até agora não consegui ouvir o “Ne Me Quitte Pas” sem chorar. É de uma intensidade e de uma profundidade tão grandes que ninguém no mundo ficou indiferente e por isso surgiram tantas versões. Até a Nina Simone..."

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Au Suivant

Mathilde, 1963

"Uma das canções mais satíricas de Brel. Fala da sua experiência na tropa, cheio de humor e crítica social. Uma orquestração urgente ao estilo militar."

Jef

Les Bonbons, 1963

"Os franceses têm um termo que eu adoro e que não existe em português – chagrin d’amour (dor de amor). E é um termo aceite na sociedade francesa, usado por todos os estratos sociais e faixas etárias – “estou com dor de amor”. Nesta canção, o melhor amigo de Brel, Jojo (que tem aqui a identidade camuflada), foi deixado pela namorada e tem uma dor tão grande de amor que não quer mais viver. Jacques tenta convencê-lo de que ele não está só e que tudo vai ficar bem."

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Les Bourgeois

Les Bourgeois, 1962

"Jacques Brel gostava de se meter com a burguesia belga com a sua ironia tão característica. Neste episódio, Jacques e seus dois amigos (Jojo incluído) juntam-se todas as noites para beber e falar de Voltaire. E todas as noites eles vêem três notários a sair do hotel do outro lado da rua. E gritam que os burgueses são como os porcos: quanto mais velhos são, mais estúpidos. Mas será que ele próprio não será um notário burguês no futuro?"

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