Cinco fugas ao fado de Camané

Em vésperas de três noites e uma tarde de concertos em Lisboa, entre quinta e domingo no Teatro São Luiz, eis cinco canções em que Camané se afasta do fado e prova que é um dos melhores cantores portugueses, seja qual for o estilo

Fotografia: Arlindo CamachoCamané é um dos protagonistas do Fado no Castelo

Camané é um dos melhores fadistas portugueses. Correcção: é um dos melhores cantores. Ao longo dos anos, afastou-se mais do que uma vez do fado, colaborando com outros músicos e cantando outros autores, das versões de António Variações dos Humanos à recente recriação de “Space Oddity”, de David Bowie, na companhia de David Fonseca, passando pelas várias colaborações com os Dead Combo. E estas cinco fugas ao fado que merecem ser ouvidas. 

Cinco fugas ao fado de Camané

"Quero é Viver"

Corria o ano de 2004 quando Camané, David Fonseca, Manuela Azevedo, Hélder Gonçalves, Nuno Rafael, João Cardoso e Sérgio Nascimento se juntaram para dar vida a inéditos de António Variações. "Quero É Viver", cantada por Camané, é um dos muitos pontos altos do álbum homónimo dos Humanos.

"Ouvi o Texto Muito ao Longe"

É um Camané diferente aquele que se ouve nesta canção de 2011 dos Dead Combo. Num registo spoken word cavernoso, o fadista interpreta um poema de Sérgio Godinho. Camané e os Dead Combo já se encontraram noutras canções desde então, mas "Ouvi O Texto Muito Ao Longe" continua a ser a melhor coisa que estes três homens fizeram juntos. 

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"Para Os Braços da Minha Mãe"

Um dueto com Pedro Abrunhosa, incluído no álbum Contramão (2013). A canção foi escrita pelo cantor e compositor portuense, mas Camané torna-a sua sempre que a sua voz, pesarosa, se ouve.

"Desumanização"

É um verdadeiro trabalho de equipa. Uma canção dos Dead Combo, com as vozes de Márcia e Camané ao serviço de um poema de Valter Hugo Mãe. A música foi escrita para o filme O Sentido da Vida, de Miguel Gonçalves Mendes, com estreia agendada para 2018.

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"Space Oddity"

David Fonseca convidou Camané, com quem já tinha colaborado nos Humanos, para emprestar a voz a uma das canções emblemáticas de David Bowie, no disco Bowie 70. Uma raríssima oportunidade para ouvir um dos melhores cantores portugueses a cantar em inglês.

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