Cinco saxofonistas de jazz portugueses que precisa de ouvir

O saxofone é o mais emblemático instrumento do jazz. Em Portugal não faltam intérpretes talentosos
Musica, Jazz, Saxofonista, Rodrigo Amado
©DR Rodrigo Amado
Por José Carlos Fernandes |
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O saxofone raramente mereceu a atenção dos compositores eruditos – pouco mais tem do que papéis secundários em obras menores de Bizet, Strauss, Berlioz, Saint-Saëns e Debussy –, mas tornou-se num dos instrumentos centrais do jazz. Ainda assim, nos primórdios deste género, teve de lutar para se impor contra a primazia do clarinete e da trompete. Mas, quando começaram a surgir mestres da envergadura de Coleman Hawkins, Lester Young, Johnny Hodges e Charlie Parker, o saxofone tornou-se na estrela do grupo – posição que seria confirmada por gigantes como John Coltrane, Stan Getz, Sonny Rollins ou Gerry Mulligan.

Portugal não é excepção a este domínio do saxofone no jazz e, embora se trate de um segredo bem guardado, pode orgulhar-se de ter um saxofonista que, por duas vezes, foi eleito pela crítica internacional como o melhor do mundo.

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Cinco saxofonistas de jazz portugueses que precisa de ouvir

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Carlos Martins

O saxofonista tenor (e soprano) Carlos Martins (n. 1961) tem tocado com quase todos os grandes músicos de jazz nacionais e com jazzmen internacionais como Ralph Peterson Jr. e Don Pullen. Tem estendido os seus interesses a outras artes, colaborando com os coreógrafos Rui Horta e Vera Mantero e compondo para cinema (Filha da Mãe, de João Canijo). Na sua discografia destacam-se Passages (1995), com Bernardo Sassetti, Carlos Barretto e Cindy Blackman; Água (2008), com Sassetti, André Fernandes, Nelson Cascais e Alexandre Frazão e que foi eleito pela crítica como o melhor disco de jazz nacional de 2008; Absence (2014), com Mário Delgado, Carlos Barretto e Alexandre Frazão e que não anda longe da melancolia nocturna de Charles Lloyd; e Carlos Martins (2016), com a mesma formação do disco anterior.

[“Absence”, pelo quarteto de Carlos Martins, com Mário Delgado (guitarra), Carlos Barretto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), ao vivo no Hot Clube, Lisboa, 19.03.15]
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Rodrigo Amado

Não é só no futebol que temos o n.º 1 do mundo: Rodrigo Amado (n. 1964) foi eleito em 2015 e 2017 como saxofonista tenor n.º 1 pela International Critics Poll organizado pelo website El Intruso, concorrendo com nomes sonantes como Joe Lovano, Evan Parker, Ken Vandermark, Chris Potter ou Ivo Perelman.

Dos vários grupos que Amado lidera, o mais prolífico é o Motion Trio, com Miguel Mira (violoncelo) e Gabriel Ferrandini (bateria), que se estreou em 2009 com o álbum homónimo, a que se seguiram duas colaborações com o trombonista Jeb Bishop – Burning Live at Jazz Ao Centro (2012) e The Flame Alphabet (2013) – e outras duas com o trompetista Peter Evans – Live in Lisbon e The Freedom Principle (ambos de 2014) – regressando ao formato trio com Desire & Freedom (2016).

Os discos mais recentes da vasta e multiforme discografia de Amado são a History of Nothing, o segundo disco do quarteto com Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano, e Praise of Our Folly, pelo colectivo Lisbon Freedom Unit.

[O Motion Trio com Rodrigo Pinheiro (pianista do RED Trio) como convidado, ao vivo no Hot Clube, Lisboa, 09.04.15]

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Desidério Lázaro

Desidério Lázaro (n. 1982), que se divide pelos saxofones tenor e soprano, estreou-se como líder com Rotina Impermanente (2010), a que se seguiram Samsara (2012), Cérebro: Estado Zero (2013), Subtractive Colors (2015) e Moving (2018), com João Firmino (guitarra), Francisco Brito (contrabaixo) e Joel Silva (bateria).

[Desidério Lázaro Trio, com Mário Franco (contrabaixo) e Luís Candeias (bateria), ao vivo no Hot Clube, Lisboa, 2013]
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João Mortágua

Janela (2014), o disco de estreia do jovem saxofonista alto (e soprano) João Mortágua, continha indicações promissoras, mas ninguém esperaria que saltasse para o patamar das obras-primas logo no segundo e terceiro discos – Mirrors e Axes, respectivamente, ambos de 2017. Mirrors foi gravado por um quinteto com Ricardo Formoso (trompete), Virxilio da Silva (guitarra), Felix Barth (baixo) e Iago Fernández (bateria), e o ainda mais excitante Axes conta com um invulgar sexteto de quatro saxofones – Mortágua, José Soares, Hugo Grácio e Rui Teixeira – e duas baterias – Alex Lázaro e Pedro Vasconcelos.

Mortágua faz também parte do colectivo The Nada e tem tocado no quarteto de Alexandre Coelho, no trio de Filipe Teixeira, nos BounceLab de Mané Fernandes, e nos pLoo de Paulo Costa.

[Excertos de concerto do quinteto Mirrors, no festival Jazz na Caixa, Famalicão, 07.10.17]
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Ricardo Toscano

Em 2015, o saxofonista tenor Ricardo Toscano foi eleito músico de jazz do ano pelo site Jazz.pt e JazzLogical e pelo programa 5 Minutos de Jazz (Antena 1). Seria um feito surpreendente para um músico maduro e com um extenso curriculum, mas acontece que, à data, Toscano tinha 22 anos...

Os jazzmen mais jovens tendem a assimilar influências dos universos do rock e da electrónica, mas Toscano tem um cordão umbilical a ligá-lo ao jazz clássico e aos standards do American Songbook. Divide a sua actividade principal pelo quarteto que lidera, pelo duo com João Paulo Esteves da Silva e pelo Septeto do Hot Clube de Portugal.

[O standard “I Don’t Stand a Ghost of a Chance With You”, pelo Quarteto de Ricardo Toscano, com João Pedro Coelho (piano), Romeu Tristão (contrabaixo) e João Pereira (bateria), ao vivo no Porta-Jazz, Porto, 19.11.16]

Os nomes portugueses do jazz

Carlos Bica
©Jorge Monjardino
Música

Dez contrabaixistas de jazz portugueses que precisa de ouvir

Começou por ter um papel apagado e discreto, percebeu-se que poderia ser mais do que um mero marcador de ritmo com Jimmy Blanton, emancipou-se com Charles Mingus e Scott LaFaro. Hoje é consensual que o contrabaixo não só não é um “instrumento menor” como pode assumir protagonismo equivalente ao do saxofone ou do piano e não é por acaso que alguns dos mais excitantes projectos do jazz português são liderados por contrabaixistas.  

Gabriel Ferrandini
©Sara Rafael
Música, Jazz

Oito bateristas de jazz portugueses que precisa de ouvir

Em contraste com a música clássica, em que a percussão costuma desempenhar um papel menor e há obras em que o percussionista passa meia hora imóvel e apenas intervém no “tcham-tcham” final, o jazz confiou, desde os seus primórdios um papel importante à bateria. Na era do swing, virtuosos como Gene Krupa e Buddy Rich deram à bateria um novo protagonismo e quando, na viragem das décadas de 1940-50, o bebop fez explodir a linguagem do jazz, havia bateristas como Max Roach e Art Blakey a liderar a revolução. Alguns dos mais excitantes grupos do nosso tempo têm bateristas à frente – e Portugal não é excepção. 

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