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Orquestra Metropolitana de Lisboa
©DR Orquestra Metropolitana de Lisboa

Festival de Estoril Lisboa em tom verde-esperança

No 46.º Festival de Estoril Lisboa convergem música clássica, esperança no futuro e a celebração de Lisboa Capital Verde Europeia, sob o signo da couve-portuguesa.

Por José Carlos Fernandes
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A edição 2020 do Festival de Estoril Lisboa divide-se em duas fases: uma de 10 a 31 de Julho, de que aqui se dá conta, e outra de 13 de Novembro a 14 de Dezembro. Na primeira fase, um dos concertos será comum com o Festival Ao Largo, organizado pelo Teatro Nacional de São Carlos.

Este ano conjugam-se várias efemérides: duas de escala planetária – o 250.º aniversário do nascimento de Ludwig van Beethoven e o 5.º centenário da circum-navegação da Terra por Fernão de Magalhães e Sebastián Elcano –, outra de escala extra-planetária e com um ano de atraso – o 50.º aniversário da chegada do homem à Lua cumpriu-se em 2019 –; outra de cariz nacional – o 4.º centenário da publicação das “Flores de Música”, de Rodrigues Coelho, uma das mais relevantes obras do Barroco português –; e outra de cariz local – o 30.º Aniversário do Concurso de Interpretação do Estoril.

Para quem esteja a perguntar-se onde entra a couve-portuguesa nesta história, o legume é o símbolo que Pinheiro Nagy, director do festival, escolheu como símbolo da esperança, nestes tempos tão adversos a música ao vivo.

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Festival de Estoril Lisboa: oito concertos a marcar na agenda

1. Beethoven e Lopes-Graça

Biblioteca Nacional de Portugal. 10 de Julho 21.30. 8€

A Orquestra Metropolitana de Lisboa, com direcção de Luís Carvalho, toca duas obras-primas de Beethoven, o Triplo Concerto op. 56 e a Abertura Coriolano op. 62, que “ensanduicham” a Fantasia para piano e orquestra de Fernando Lopes-Graça. Se o programa celebra o 250º Aniversário do nascimento de Beethoven, a selecção de intérpretes é uma forma de assinalar o 30º Aniversário do Concurso de Interpretação do Estoril, uma vez que quer o maestro quer os solistas foram premiados em edições anteriores do concurso: os solistas serão, no Triplo Concerto, Anna Paliwoda, (violino), Isabel Vaz (violoncelo) e Pedro Costa (piano), e, na Fantasia, Vasco Dantas (piano).

[III andamento (Rondo alla Polacca), do Triplo Concerto de Beethoven, por Kyung-Wha Chung (violino), Myung-Wha Chung (violoncelo), Myung-Whun Chung e Orquestra Sinfónica de Montreal, com direcção de Charles Dutoit (Decca)]

2. “De Fernão de Magalhães a Cyrano de Bergerac”

Mosteiro dos Jerónimos. 15 de Julho 21.30. 15€

O 5º Centenário da Circum-navegação da Terra serve de pretexto à estreia de um programa de música ibérica, italiana e francesa dos séculos XVI e XVII de Cara, Monteverdi, Lambert, Mudarra, Ortiz, Tromboncino e anónimos, intercalada com textos da Peregrinação e Conde de Ficalho (sobre a presença portuguesa no Oriente, incluindo Camões). Por Annemieke Cantor (canto), Pedro Castro (flautas de bisel, charamela, oboé barroco), Nuno Torka Miranda (alaúde, vihuela, guitarra renascentista) e David Pereira Bastos (declamação).

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3. Beethoven e Pergolesi

Igreja de São Domingos, Lisboa, 16 de Julho 21.30. Sem público.

Por muitos tratos que se dêem à cabeça, não se lobriga o que poderá unir as Romanças para violino e orquestra n.º 1 e 2 de Beethoven ao Stabat Mater de Pergolesi. As duas peças de Beethoven não pertencem ao campeonato do seu famoso concerto para violino op.61, mas todas as ocasiões para ouvir a mais famosa obras de Pergolesi são bem-vindas. Interpretação de Vladimir Tolpygo (violino ), Sandra Medeiros (soprano), Catia Moreso (mezzo-soprano) e Orquestra Gulbenkian, com direcção de Pedro Neves.

Este espectáculo decorrerá na Igreja de São Domingos, mas, ao contrário do que estava inicialmente previsto, não terá público a assistir. "Por motivo imprevisto de força maior", será apenas transmitido online, através do Facebook.

[I andamento do ao Stabat Mater de Pergolesi, por Julia Lezhneva (soprano), Philippe Jaroussky (contra-tenor) e I Barocchisti, em instrumentos de época, com direcção de Diego Fasolis, numa sessão de gravação para a Erato/Warner)]

4. Britten, Martin, Sibelius

Largo do Palácio Nacional da Ajuda. 20 de Julho 21.30, entrada livre

Numa iniciativa conjunta com o Festival Ao Largo apesenta-se o ciclo de canções orquestrais Les Illuminations, de Britten, composto em 1940 sobre poemas de Rimbaud e que aqui surge na versão para soprano. O programa completa-se com duas outras obras do século XX: o Polyptique para violino e duas pequenas orquestras de cordas (1973), de Frank Martin, e o Andante Festivo (1922), de Sibelius. Interpretação de Filipa Portela (soprano), Lilia Donkova (violino) e Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, com direcção de Nikolay Lalov.

[V andamento (Marine), de Les Illuminations, de Britten, por Robin Titscheler (tenor) e Orquestra de Câmara Norueguesa, com direcção de Per Kristian Skalstad]

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5. Beethoven e Brahms

Hotel Palácio, Estoril, 21 de Julho 21.30. 15€

O programa articula duas obras magnas da música de câmara do século XIX: de Beethoven ouvir-se-á o Quarteto de Cordas n.º 1 da colecção de três publicada em 1806 com o n.º de opus 59 e dedicada ao Conde Razumovsky, embaixador russo em Viena. 85 anos depois da aparição destes quartetos, Brahms, que já tinha dado como encerrada a sua carreira como compositor, ouviu o clarinetista Robert Mühlfeld e achou-o tão dotado e inspirador que retomou a actividade e compôs quatro magníficas peças de câmara com clarinete, entre as quais está este genial Quinteto para clarinete e cordas.

Pelo clarinetista António Saiote (que comemora o 50.º aniversário de carreira) e pelo Quarteto Tejo.

6. Beethoven, Mendelssohn, Schumann

Hotel Palácio, Estoril. 28 de Julho 21.30. 15€

Beethoven é uma das figuras mais respeitadas e consensuais da história da música, reunindo o apreço de público, crítica, intérpretes e dos seus colegas compositores. Não é de estranhar que, quando em 1836, foi lançada uma subscrição pública para erguer uma estátua a Beethoven na sua cidade natal de Bona, vários compositores tenham contribuído. Schumann compôs uma peça para piano solo, a Fantasia op.17, cujas receitas da venda das partituras reverteram para o projecto da estátua. Mendelssohn deu contributo similar, compondo as Variations Sérieuses op. 54 para uma colecção que incluía também peças de Chopin, Liszt e Moscheles – e que só foi publicada em 1842. As vendas de partituras acabaram por revelar-se modestas e acabou por Liszt a pagar, do seu próprio bolso, a maior parte da obra,
O pianista croata Aljosa Jurinic combina as peças de Schumann e Mendelssohn com obras do próprio Beethoven: a Sonata n.º 21 op. 53 Waldstein e o Andante Favori WoO.57 (concebido originalmente para ser um dos andamentos da Sonata n.º 21).

[Andante Favori WoO.57, de Beethoven, por Alfred Brendel (Philips)]

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7. Beethoven et al.

Hotel Palácio, Estoril. 29 de Julho 21.30. 15€

O Trio Estoril, formado por Adriana Ferreira (flauta), Rui Lopes (fagote) e Vasco Dantas (piano), estreia-se com um programa-macedónia que mistura Beethoven (Trio WoO.37) e do seu contemporâneo Hummel (Trio op. 78) com a Bachiana Brasileira nº. 6, para flauta e fagote, do brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), e as Cenas Portuguesas op. 9 do português José Vianna da Motta (1868-1848).

[I andamento (Ária: Chôro) da Bachiana Brasileira nº. 6, por Adriana Ferreira (flauta), Rui Lopes (fagote), precisamente os intérpretes que a tocarão no dia 29]

8. Beethoven et al.

Hotel Palácio, Estoril. 31 de Julho 21.30. 15€

O Sonor Ensemble, dirigido por Luis Aguirre, tem sido participante usual neste festival, onde tem desempenhado o papel de dar a ouvir música de câmara de autores ibéricos do nosso tempo. Nesta edição, com Ángel Martín del Burgo (piano) e o Grupo Vocal Olisipo, dirigido por Armando Possante, propõe mais um programa-macedónia: por um lado, retoma o tema dos 500 anos da primeira circum-navegação da Terra com a estreia mundial da peça Magalhães, do português Tiago Derriça (n.1986). Sem relação com esta – nem entre si – surgem o Concerto para piano n.º 4 de Beethoven numa versão “de bolso”, para piano e sexteto de cordas, a Pequeña Música Nocturna de Madrid, do italiano radicado em Espanha Luigi Boccherini, e Dos Danzas Argentinas (em estreia nacional), do espanhol Jesús Ángel León (n.1956).

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