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MIL: ouvir, pensar e respirar música

Durante três dias, Lisboa vai ser o ponto de encontro de artistas e profissionais da música.

Escrito por
Ana Patrícia Silva
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Depois de uma edição cancelada em 2020, o MIL está de regresso em formato presencial para se dedicar à descoberta de música nova, antecipar tendências e provocar o debate sobre o futuro dos sectores da cultura. Nos dias 15, 16 e 17 de Setembro, centenas de artistas e profissionais de todo o mundo vão juntar-se em Lisboa para um programa de concertos, formação, debate e intercâmbio. Este ano, os 50 concertos e a convenção vão acontecer no Hub Criativo do Beato, em cinco palcos: Casa do Capitão, Fábrica do Pão, Fornos da Fábrica do Pão, Palco Beato e Factory. Com um cartaz recheado de estreias em Portugal, o MIL aposta em artistas que estão na vanguarda das mais recentes tendências da música popular e que escapam às fórmulas comerciais. Descubra tudo o que vai poder ver e ouvir nos próximos dias.

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Quarta-feira ,15 de Setembro
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Quarta-feira ,15 de Setembro

O primeiro dia do MIL conta com a presença de Queralt Lahoz, promessa da música urbana espanhola que cruza o rap com o flamenco e r&b, Tristany, um turbilhão de talento que ferve no caldo cultural da sua herança mestiça, Ladaniva, banda multicultural com um toque fresco da folk arménia, e os Hun Hun, que exploram o lado oriental da música psicadélica. Tempo também para ouvir o produtor dominicano Kelman Duran, as canções de Maria Reis sobre o amor e o abismo emocional, o cosmopolitismo musical de Hadi Zeidan, a italiana Ellynora, a música subversiva e activista da dupla Fado Bicha e ainda concertos dos Gala Drop, Bia Maria, MOAA, Dianna Excel e Stereoboy.

Quinta-feira, 16 de Setembro
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Quinta-feira, 16 de Setembro

Quinta-feira é o dia de ouvir Carla Prata, artista luso-angolana residente em Londres, mas também a produtora Ikram Bouloum, que amalgama o património cultural marroquino, a música pop magrebina e a música electrónica mais contemporânea, e os irmãos franco-americanos Faux Real, que misturam pós-punk e glam-rock com sentido de humor. Entre o cloud rap e o dancehall depressivo, BabySolo33 vai revelar as suas fúrias, sonhos e decepções amorosas. A guitarra de Tó Trips (Dead Combo), as percussões de João Doce (Wraygunn), o saxofone de Gonçalo Prazeres e o contrabaixo de Gonçalo Leonardo vão mostrar o que valem em Club Makumba, cruzando sonoridades do Mediterrâneo e de uma África imaginada. É também uma boa altura para conhecer os franceses Orange Dream, dupla ecléctica de kraut-pop, o rap consciente da dupla francesa YN, o duo cabo-verdiano Acácia Maior, Herlander, Los Sara Fontan, Murman Tsuladze, Ray, o belga Roméo Poirier, a combustão de jazz com house, funk e hip-hop dos Yakuza e ainda Dame Area, a misturar sintetizadores e percussão, industrialismo e tribalismo.

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Sexta-feira, 17 de Setembro
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Sexta-feira, 17 de Setembro

O último dia do MIL traz-nos Naima Bock, a baixista de Goat Girl que se aventura agora em nome próprio através de uma folk com instrumentação jazz. Os italianos Eugenia Post Meridiem vão revelar as contaminações psicadélicas dos anos 60 e 70, combinadas com as mais grosseiras texturas sonoras dos anos 90, e o quarteto holandês Global Charming vai exorcizar a banalidade da vida quotidiana através do pós-punk. Mas há muito mais para ouvir: MURAIS, projecto a solo de Hélio Morais dos Linda Martini, Dino Brandão, a indie-folk de Marinho, A’mosi Just a Label, a dupla de contrabaixo e bateria Rosin de Palo, o holandês Karel, inspirado pelos sintetizadores dos anos 80, We Sea, Susobrino, a dream-pop belga de Uma Chine, Silly, o trio SecoSecoSeco, a compositora, performer e produtora franco-brasileira YNDI e os novos balanços de Lisboa pela voz do cabo-verdiano EU.CLIDES.

Residências artísticas
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Residências artísticas

O MIL vai contar com duas residências artísticas, em parceria com o Instituto Ramon Llull e o Liveurope. Ambas acontecem entre 9 e 14 de Setembro e resultarão em dois espectáculos únicos apresentados ao vivo no festival. Na quarta-feira, vamos ouvir os frutos da colaboração entre os Lavoisier, que exploram as raízes tradicionais da música portuguesa através de uma guitarra eléctrica e duas vozes, com a dupla catalã Tarta Relena, duas cantoras que respiram o som do Mediterrâneo. Quinta-feira será a vez de descobrir o que é que Pedro da Linha, figura de proa da nova electrónica lisboeta, vai fazer com a magia poética do cantor espanhol de flamenco Álvaro Romero.

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Convenção
Fotografia: Gabriell Vieira

Convenção

Além dos habituais concertos, o Hub Criativo do Beato vai receber masterclasses, keynotes, debates e workshops. O programa, com oradores nacionais e internacionais, vai reflectir sobre a necessidade de proteger o ecossistema da cultura ao vivo, ao mesmo tempo que pensa sobre a actual transformação digital. Dos vários participantes, destacam-se Andy C. Pratt, professor e investigador na área de economia da cultura, Lila Fadista, voz da dupla Fado Bicha, Linn da Quebrada, artista multimédia, Liz Pelly, jornalista e investigadora, Ignasi Labastida i Juan, promotor da Creative Commons Espanha, e Chi Chi Nwakodo, executiva sénior da Sony Music Publishing. Serão lançadas questões relacionadas com os desafios do regresso aos palcos, o impacto da pandemia na nova geração de artistas, a reinvenção dos festivais de música, o investimento em artistas locais, o papel transformador das artes, a sustentabilidade da cultura dos festivais e a afirmação de que o futuro da música será feito ao vivo – e não em livestream.

Hub Criativo do Beato (Lisboa). Qua-Sex. 27€-70€. millisboa.com

Música para os seus ouvidos

  • Música
  • Música ao vivo

Se há coisa que a pandemia fez foi baralhar calendários. Assim como o Euro 2020 se jogou em 2021, boa parte dos melhores concertos pensados para 2020 só acontecerão em 2022 – alguns integrados em digressões que celebram efemérides com delay.

  • Música

A oferta musical já não é o que era. Por causa da pandemia, consome-se muito menos música ao vivo em Lisboa, e grandes artistas internacionais nem vê-los. Mas o panorama podia ser bem pior. Porque alguns concertos valem mais a pena do que o resto, ou porque uns são potenciais surpresas enquanto outros são valores mais ou menos seguros, toda a informação ajuda.

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