Os concertos do Festival ao Largo

O calor aperta e faz os músicos saírem do nosso teatro nacional de ópera e instalarem-se no Largo de S. Carlos: não só é mais fresco como é de borla e o programa é apetitoso e variado
festival ao largo
©Opart/David Rodrigues
Por José Carlos Fernandes |
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Como já se tornou tradição, em Julho, o Largo de S. Carlos ganha uma animação invulgar. Este ano, a abertura faz-se com estrondo – a Carmina Burana – e o resto do programa oferece sinfonias, concertos, árias de ópera e música de câmara. O jazz estará representada com uma big band muito original, que não deixará ninguém indiferente. Nem só de música se faz o festival, que termina com três apresentações da Companhia Nacional de Bailado, a 26, 27 e 28. Espectáculos sempre às 21.30 e de entrada livre.

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Os concertos do Festival ao Largo

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Camera
Música, Clássica e ópera

Orff: Carmina Burana

Poucos serão capazes de indicar o nome de outra obra de Carl Orff (1895-1982), mas o início da cantata Carmina Burana disfruta de notoriedade universal. A receita para este sucesso parte de textos medievais em latim, francês e alemão, injecta-lhes ritmos obsessivos, numa versão simplificada das brutais convulsões de A Sagração da Primavera, e adiciona-lhes coros maciços, num registo neo-primitivista de notável eficácia. É difícil não ser arrebatado pela pura potência sonora de “O Fortuna”, um coro que fala da imprevisibilidade da fortuna e não de surf nem de after-shave, ao contrário do que possa pensar quem conheça o trecho apenas de anúncios televisivos. Os restantes textos versam temáticas de inesperada actualidade – comida, bebida, sexo e corrupção.

Por Carla Caramujo, Carlos Cardoso, Christian Luján, Coro do Teatro Nacional de São Carlos, Coro Juvenil de Lisboa e Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direcção de Domenico Longo. Festival ao Largo.

[“O Fortuna”, pela Orquestra Filarmónica de Berlim, com direcção de Simon Rattle]

2
Camera
Música, Clássica e ópera

Khachaturian e Tchaikovsky

A fama (merecida) da Sinfonia n.º 6 de Tchaikovsky tem ofuscado o resto da sua produção sinfónica, mas esta ocasião permitirá comprovar que é injusto que a n.º 5 tenda a ficar na sombra e que o próprio Tchaikovsky, que era dado a acessos de auto-crítica demasiado severa, tenha concluído, após a segunda apresentação da obra, de que esta era “um fiasco”.

O arménio (nascido em Tblisi, na Geórgia) Aram Khachaturian (1903-1978) é conhecido sobretudo pela “Dança do Sabre”, do bailado Gayane, mas também compôs três sinfonias e três concertos, entre os quais está o Concerto para flauta, em que será solista Anabela Malarranha, acompanhada pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direcção de Andrea Sanguineti.

[II andamento (Andante cantabile) da Sinfonia n.º 5 de Tchaikovsky, pela Filarmónica Russa, com direcção de Dmitri Jurowski, ao vivo na Sala Svetlanov, Moscovo, 2012]

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Camera
Música, Clássica e ópera

Dvorák e Mozart

A Sinfonia n.º 9 Do Novo Mundo, é a obra mais célebre de Dvorák e foi composta durante a estadia do compositor checo nos EUA, onde foi professor do Conservatório de Nova Iorque entre 1892 e 1895. Durante esse período, interessou-se pelas tradições musicais dos nativos americanos e dos afro-americanos, cuja influência pode ser detectada (juntamente com as tradições eslavas tão caras a Dvorák) na Sinfonia n.º 9. Dvorák declarou estar “convencido de que o futuro da música deste país reside nas chamadas melodias dos negros”. Embora de forma enviesada, tinha razão, como atestam os blues, o jazz, o rhythm’n’blues, o rock’n’roll, a soul, o funk e o hip hop. O programa é completado pelo Concerto para oboé, de Mozart.

Por Sally Dean (oboé) e Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção de Pedro Amaral.

[IV andamento (Allegro con fuoco) da Sinfonia n.º 9, de Dvorák, pela Orquestra Sinfónica da Rádio de Stuttgart, com direcção de Gustavo Dudamel, no concerto de aniversário do papa Bento XVI, em Roma, em 2007]

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Camera
Música, Clássica e ópera

Bach, Strauss, Wagner

O programa mistura música orquestral barroca – o Concerto para dois violinos de Johann Sebastian Bach – com ópera romântica – a Abertura Os Mestres Cantores de Nuremberga (Die Meistersinger von Nürnberg), de Richard Wagner – e ópera do século XX – a Suíte extraída de Der Rosenkavalier, de Richard Strauss, que, embora estreada em 1911 lança um olhar nostálgico sobre o tempo de Mozart.

Por Klára Erdei e Xuan Du (violinos) e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direcção de Johannes Stert.

[II andamento (Largo ma non tanto) do Concerto para dois violinos, de Bach, pela Orquestra Barroca de Bremen, ao vivo na Igreja Unser Lieben Frauen, Bremen, 2015]
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6
Camera
Música, Clássica e ópera

Mendelssohn e Shostakovich

Felix Mendelssohn tinha 16 anos quando, em 1825, compôs o Octeto para cordas op.20 e nunca mais escreveu nada tão azougado e genial nos restantes – Schumann diria que “nem nos tempos antigos nem no nosso tempo pode encontrar-se tamanha perfeição num tão jovem mestre”. O “jovem mestre” tem a companhia das Duas peças para octeto de cordas de Shostakovich. Esta noite de música de câmara está a cargo dos Solistas de Lisboa.

[Excerto do Octeto de Mendeslssohn, pelo Otecto de Cordas Filarmónico de Berlim, qo vivo no Auditório do Louvre, Paris, 2010]
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Camera
Música, Jazz

Lisbon Underground Music Ensemble

O Lisbon Underground Music Ensemble é uma big band pouco ortodoxa que congrega 15 jazzmen portugueses e da qual se podem esperar bandas sonoras para perseguições de James Bond à máfia albanesa pelos esgotos de Lisboa, ao boogie-funk endemoninhado ou colagens cartoonescas sob a égide dos Naked City (ou do seu inspirador Carl Stalling). Este frenesim musical, que não nega influências de Frank Zappa e da Flat Earth Society, é dirigido a partir do piano por Marco Barroso, que é também o compositor de todas as peças. A JACC Records lançou em 2010 o disco de estreia, homónimo, que teve edição internacional pela Challenge em 2013.

[O L.U.M.E. ao vivo no Moers Festival]
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Camera
Música, Clássica e ópera

Glazunov et al.

Embora na terça-feira 10 já tenha havido um programa com Khachaturian e Tchaikovsky, a designação “Noites Russas” é aplicada a este programa com trechos de óperas de Glinka  (considerado o pai da escola russa), Mussorgski e Prokofiev, e o Concerto para violino de Aleksandr Glazunov, compositor do final do Romantismo, que foi director do Conservatório de São Petersburgo e professor de Shostakovich.

Por Pedro Meireles (violino), Coro do TNSC e Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direcção de Emil Tabakov.

[I andamento do Concerto para violino de Glazunov, por Nicola Benedetti e a Orquestra Sinfónica de Bournemouth, com direcção de Kirill Karabits]
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9
Camera

Companhia Nacional de Bailado

O Festival termina com três espectáculos da Companhia Nacional de Bailado (dias 26, 27 e 28 de julho): Serenade, de George Balanchine (26), Herman Schmerman, de William Forsythe (27), e Raymonda, de Marius Petipa (28).

De quinta-feira 26 a sábado 28

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Agenda musical

FESTIVAL SUPER BOCK SUPER ROCK 2014
Fotografia: Arlindo Camacho
Música

Festivais de Verão: o que vem aí

Os festivais de música estão para o Verão como a chuva está para o Inverno: sabe bem de vez em quando, e mesmo quem não gosta reconhece que faz falta. Ao contrário da chuva, no entanto, há cada vez mais e maiores festivais. E há para todos os gostos. Desde megaproduções como o Rock in Rio Lisboa ou o NOS Alive, a festivais um pouco mais pequenos mas ainda assim grandes, como o Super Bock Super Rock ou o Vodafone Paredes de Coura, e eventos mais especializados como o Jazz em Agosto ou o FMM Sines. É só escolher.

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© Jack White
Música

Concertos em Lisboa em Julho

É difícil falar em concertos em Lisboa durante o mês de Julho e não falar nos festivais de Verão. É lá que tocam os maiores e mais populares artistas: dos Pearl Jam no NOS Alive, a The xx no Super Bock Super Rock ou David Byrne no EDPCOOLJAZZ, entre muitos (tantos) outros. É difícil mas não é impossível, porque há vida e concertos para além dos festivais: de Lenny Kravitz aos Iron Maiden, passando por Ozzy Osbourne. Todos na Altice Arena. E, para quem prefere não se meter em confusões, também há concertos mais pequenos. Como The Comic Dead no MusicBox.

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Caetano Veloso
©Marcos Hermes
Música

Concertos em Lisboa em Agosto

Entra Agosto e escasseiam os concertos em Lisboa. Mas nem está tudo perdido. Nunca está tudo perdido. O Jazz em Agosto – este ano com um cartaz de luxo, sob o signo de John Zorn, um dos grandes nomes do jazz e da música experimental ao longo das últimas décadas – e outros festivais, como por exemplo o Sol da Caparica, estão aí para quem quiser ver e ouvir música ao vivo. Além disso, logo no início do mês há um concerto do histórico cantor e compositor brasileiro Caetano Veloso com os seus filhos Moreno, Zeca e Tom, no Coliseu dos Recreios.

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