Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Sete sinfonias concertantes do Classicismo
Wolfgang Amadeus Mozart
©DR Wolfgang Amadeus Mozart

Sete sinfonias concertantes do Classicismo

Foi um híbrido que floresceu nos alvores do Classicismo: a K.364 de Mozart é das mais conhecidas, mas há muitas mais

Por José Carlos Fernandes
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O formato da sinfonia concertante é um híbrido entre sinfonia e concerto, que coloca dois a cinco solistas em diálogo com a orquestra. Pode ser vista como um parente do concerto grosso, mas em que os solistas têm maior protagonismo. Entrou em voga na segunda metade do século XVIII e foi entusiasticamente cultivada em Paris e Mannheim.

No período entre 1765 e 1825 contabilizam-se mais de 600 destas sinfonias, da autoria de mais de 200 compositores diferentes. Nas primeiras duas décadas da voga, a capital da sinfonia concertante foi Paris, mas, pouco a pouco, boa parte da Europa foi conquistada. O declínio da sua popularidade, no início do século XIX, foi rápido e hoje apenas duas sinfonias concertantes, ambas de Mozart, são executadas e gravadas regularmente: a K.364, para violino e viola, e, em menor medida, a K.297b, para oboé, clarinete, trompa e fagote.

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Sete sinfonias concertantes do Classicismo

Sinfonia concertante para 2 violinos e violoncelo, de J.C. Bach

Ano: c.1773

Johann Christian Bach (1735-1782), o filho mais novo de Johann Sebastian, tinha 15 anos à data do falecimento do pai, pelo que a influência deste no seu estilo resultou muito esbatida (foi o irmão Carl Philipp quem tomou o lugar do pai na sua instrução musical) e a maioria das obras de J.C. Bach prefigura Mozart e o classicismo. Aliás, o jovem Mozart tinha grande admiração por Johann Christian e os seus primeiros ensaios no concerto para tecla são adaptações de sonatas para cravo dele.

O benjamim dos Bach compôs uma trintena de sinfonias, uma trintena de concertos e uma vintena de sinfonias concertantes. Esta, para dois violinos e violoncelo, foi estreada em Paris, em 1773, no Concert Spirituel (uma pioneira série de concertos públicos que tinha lugar regularmente no Palácio das Tuileries), e foi publicada nesse mesmo ano pelo editor parisiense La Chevardière.

[Por Graham Cracknell e Anna MacDonald (violinos), Angela East (violoncelo) e The Hanover Band, em instrumentos de época, com direcção de Anthony Halstead (CPO)]

Sinfonia concertante para violino, viola e violoncelo, de Stamitz

Ano: 1775

Carl Stamitz (1745-1810), compositor alemão de ascendência boémia, era filho de Johann Stamitz, violinista da orquestra de Mannheim, que era então um dos principais centros musicais da Europa e onde tiveram lugar desenvolvimentos cruciais nos formatos da sinfonia e da sinfonia concertante.

Aos 17 anos, Stamitz Jr. ingressou na orquestra da corte de Mannheim como violinista, embora também empreendesse tournées por sua conta, na qualidade de virtuoso. Em 1770 mudou-se para Paris, onde serviu o Duque de Noailles e apresentou obras no Concert Spirituel, mas sem deixar de empreender longas tournées que o levaram a São Petersburgo, Frankfurt, Dresden, Praga, Berlim, Amesterdão e Londres. Seguindo o uso da época, deixou produção copiosa: 50 sinfonias, mais de 50 concertos e 38 sinfonias concertantes.

[I andamento (Allegro moderato), pelo Collegium Aureum, com direcção de Franzjosef Maier (Deutsche Harmonia Mundi)]
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Sinfonia concertante para oboé e fagote em si bemol, de Cambini

Ano: antes de 1782

Pouco se sabe da vida de Giuseppe Maria Cambini (1746-c.1825) até surgir em Paris por volta de 1770 e o próprio parece ter contribuído para manter essa névoa, ao não confirmar nem desmentir os episódios rocambolescos e fantasiosos que circulavam sobre a sua pessoa. A estreia de uma sinfonia concertante de sua autoria no Concert Spirituel, em 1773, foi o ponto de partida para converter este italiano numa das mais populares figuras da vida musical parisiense durante as três décadas seguintes. Compôs torrencialmente em todos os géneros, deixando-nos cerca de 700 obras, mas no início do século XIX a sua estrela começou a empalidecer e a produção a fraquejar. Das suas obras destacam-se 14 óperas, 144 quartetos de cordas, 17 concertos e 82 sinfonias concertantes (nenhum compositor compôs tantas quanto ele).

[I andamento (Allegro), pela Academia Montis Regalis, em instrumentos de época, com direcção de Luigi Mangiocavallo (Opus 111)]

Sinfonia concertante para oboé, clarinete, trompa e fagote K.297b, de Mozart

Ano: c.1778

Sabe-se que, em 1778, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), durante uma estadia em Paris, compôs para o Concert Spirituel uma sinfonia concertante para flauta, clarinete, trompa e fagote, cujos solistas seriam quatro virtuosos da orquestra de Mannheim que já eram bem conhecidos de Mozart. Porém, esta obra acabou por ser retirada do programa, o que Mozart, que tinha inclinações paranóicas, atribuiu a intrigas do popular Cambini. Esta partitura perdeu-se e só em 1869 foi encontrada a partitura de uma sinfonia concertante para oboé, clarinete, trompa e fagote, que se supõe ser uma versão posterior da obra de 1778.

[I andamento (Allegro), por Stephen Taylor (oboé), David Singer (clarinete), William Purvis (trompa), Steven Dibner (fagote) e Orpheus Chamber Orchestra (Deutsche Grammophon)]

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Sinfonia concertante para violino e viola K.364, de Mozart

Ano: 1779

A K.364 foi composta na altura em que Mozart empreendia mais uma das suas tournées pela Europa, em busca de um cargo à altura das suas prodigiosas e precoces capacidades, mas desconhece-se a que fim se terá destinado e o local em que foi estreada. Há quem sugira que foi composta para a orquestra de Mannheim, onde este género também era cultivado com entusiasmo.

[I andamento (Allegro), por Jaap Schroeder (violino), Marilyn MacDonald (viola) e Smithsonian Chamber Players, em instrumentos de época, com direcção de Jaap Schroeder (Deutsche Harmonia Mundi)]

Sinfonia concertante para violino, violoncelo, oboé e fagote Hob. I:105, de Haydn

Ano: 1792

Foi composta durante a primeira visita de Joseph Haydn a Londres, organizada pelo empresário e violinista Johann Peter Salomon, possivelmente a pedido deste último, como reacção ao sucesso obtido na capital britânica pelas sinfonias concertantes de Ignaz Pleyel, promovidas por um empresário rival. Na estreia, Salomon assumiu o papel de violino solista.

[I andamento (Allegro), por Ryo Terakado (violino), Hidemi Suzuki (violoncelo), Patrick Beaugirard (oboé), Marc Vallon (fagote) e La Petite Bande, em instrumentos de época, com direcção de Sigiswald Kuijken (Deutsche Harmonia Mundi)]

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Sinfonia concertante n.º 5 para flauta, oboé, trompa e fagote B.115, de Pleyel

Ano: 1802

O austríaco Ignaz Pleyel (1757-1831) foi aluno de Haydn em Eisenstadt e até contribuiu para a abertura de uma ópera do seu mestre. Foi mestre de capela na catedral de Strasbourg, mudou o nome para Ignace e conquistou popularidade em França com as suas sinfonias concertantes, de que compôs 41 exemplares. Em 1791, a suspensão das actividade musicais em resultado da Revolução Francesa levou-o a Londres, onde acumulou gordo pecúlio em pouco tempo. Quando regressou a França, face ao tumultuoso clima revolucionário, tornou-se num diligente compositor de obras glorificando a Revolução e as suas conquistas e, após estabelecer-se em Paris, em 1795, diversificou a actividade aos ramos da edição musical e do fabrico de pianos.

[I andamento (Allegro con brio), por Les Vents Français – Emmanuel Pahud (flauta), François Leloux (oboé), Radovan Vlatkovic (trompa) e Gilbert Audin (fagote) – e a Orquestra de Câmara de Munique, com direcção de Daniel Giglberger (Warner Classics)]

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