Susana Vinagre, especialista em bailaricos, dá a playlist para os santos populares

Na música há 21 anos e nos santos populares de Lisboa desde 2010, Susana Vinagre fez-nos a playlist que não falha

Fotografia: Arlindo Camacho

O segredo para se ser um bom cantor e organista num baile de Santos Populares em Lisboa é simples e vai contra a má-vontade de muito bom Dj: passem a música sempre que o público pedir. “Mesmo que tenha passado há meia hora, passem outra vez”, é o conselho de Susana Vinagre para todos os colegas que se aventuram no Junho lisboeta.

Os Santos em Lisboa são sempre a andar, é raro passar-se a noite de Santo António no mesmo arraial e por isso a mesma música toca cinco e seis vezes e ninguém dá conta da repetição. “O que queremos é passar um bom momento e que as pessoas tenham uma boa noite”, continua Susana, que começou por fazer em arraiais em Alfama em 2010, o que lhe deu muita projecção — “hoje, se não aceito mais é porque não posso”. Já não actua neste bairro tão concorrido, mas não deixou o Santo António, que gosta particularmente de fazer. “O ambiente é diferentes dos arraiais da Margem Sul ou do interior: tocam-se marchas populares — a Lisboa à noite, a Lisboa dos Manjericos ­— e coisas mais antigas, como as Doce”.

Até ao ano passado a música que deitava o arraial a baixo era O Pai da Criança, dos Chave d’Ouro, que volta e meia Susana Vinagre ouve o patrão cantar-lhe na empresa de consultoria onde é administrativa. Se por um lado a regra básica do arraial é passar músicas que as pessoas conheçam e gostem de cantar, por outro às vezes dá vontade de introduzir alguma novidade, e estas coisas vão entrando no ouvido lentamente. “Comecei a cantar o Zé do Pipo Peixeiro há quatro anos. Se o refrão é engraçado e tem o seu quê de malandreco as pessoas recordam-se no ano a seguir.”

Para este ano, Susana Vinagre prevê muitos funanás, os grandes hypes da noite e os ritmos latinos que andam a passar neste momento. E apesar dos clássicos de sempre, prevêm-se surpresas vindas do mundo das novelas neste Junho. Esta é a playlist que não vai falhar, garante Susana Vinagre.

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O que é que fazes esta noite, Marco Paulo

Marco Paulo está de volta depois de fazer parte da banda sonora da telenovela da SIC, Amor Maior. E neste vídeo até muda o microfone de mão como nos anos 1990. O campeão voltou.

A Garagem da Vizinha, Quim Barreiros

Quim Barreiros é um must have para tudo, mas santos populares é provavelmente o seu nome do meio. Podíamos escolher muitos versos, mas os de A Garagem da Vizinha mantêm uma frescura tal que ninguém diz que já levam 17 anos.

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Cheira a Lisboa, Amália Rodrigues

Mesmo que sejam forasteiros que vêm de fora para viver as Festas de Lisboa — e são a maioria, nota Susana — esta é a época de homenagear a cidade e nunca falhar as marchas tradicionais. A que todo o país sabe trautear talvez seja este Cheira a Lisboa, aqui cantado por outro ícone lisboeta.

Despacito, Luis Fonsi e Daddy Yankee

Os ritmos latinos estão fortíssimos e Susana Vinagre prevê momentos de grande alegria e sensualidade para quando se ouvem os primeiros acordes deste Despacito porto-riquenho.

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O Ritmo do Amor, Emanuel

Susana Vinagre resume o funaná rapidamente: "É um ritmo mais mexido, mais caliente". A tendência da parte de quem toca em arraiais populares é tocar muita coisa com este ritmo. O exemplo mais imediato de como Lisboa reintrepreta este som cabo-verdiano é O Ritmo do Amor, aponta Susana.

Festas de Lisboa

Santos Populares. Lá vai Lisboa de outros tempos

As Marchas Populares atingem os seus 85 anos, idade provecta que já assistiu a quase tudo, mas nem só de desfiles se faz um mês de festas em Lisboa. Venha daí numa viagem pelos Santos Populares do século XX e comece já a pedir uma esmolinha pelo Santo António.

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Junho é mês de Festas em Lisboa: eis a programação

Nem só de bailaricos se fazem as Festas de Lisboa. A programação da EGEAC dura um mês inteiro e além dos arraiais e marchas populares Avenida fora, há uma série de iniciativas a dinamizar toda a cidade. 

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