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Ana Quintans
©Maria Melo CostaA soprano Ana Quintans

Viagem vertiginosa: oito séculos em hora e meia

Ana Quintans, Ricardo Ribeiro e Os Músicos do Tejo propõem uma panorâmica musical que vai da Idade Média ao nosso tempo e ignora fronteiras entre géneros

Escrito por
José Carlos Fernandes
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O programa que se apresenta no CCB no próximo domingo, dia 26, intitula-se “Do Barroco ao Fado” mas, na verdade, começa bem antes do Barroco, com uma obra do século XIII: a Cantiga de Santa Maria n.º 23, intitulada “Como Déus fez vinno d’agua” e que faz parte de uma das obras fundadoras da cultura ibérica: uma colecção de cerca de 400 canções em galaico-português que foi supervisionada por Afonso X de Castela (que poderá também ter sido o autor de algumas delas).

Este abrangente programa, que conta com as vozes de Ana Quintans e Ricardo Ribeiro, a guitarra portuguesa de Miguel Amaral, a viola (de fado) de Marco Oliveira e o ensemble de música antiga Os Músicos do Tejo, com direcção de Marcos Magalhães, não transforma água em vinho, mas metamorfoseia boa parte das partituras, insuflando-lhes uma nova vida.

[“Os Efeitos da Ternura”, um lundum de autor anónimo do final do século XVIII, recriado por Ricardo Ribeiro (voz), Marco Oliveira (viola e voz), Jarrod Cagwin (percussão) e Marcos Magalhães (órgão)]

“Do Barroco ao Fado” divide-se em seis capítulos – “Guitarra Portuguesa, símbolo da música portuguesa”, “Portugal Medieval, raízes árabes e galaicas”, “Portugal Barroco”, “Fado puro”, “Lunduns e modinhas” e “Fado e mais além” – e é de uma diversidade desconcertante: a sinfonia de uma cantata de Johann Sebastian Bach pode ser seguida por uma canção com música do alaúdista libanês Rabih Abou-Khalil e poema de José Régio, uma ária da ópera La Spinalba (1739), de Francisco António de Almeida, pode dar lugar ao “Fado Menor”, e “Com que Voz”, canção de Alain Oulman sobre poema de Camões, imortalizada por Amália Rodrigues, pode ganhar novas matizes ao ser recriada por uma especialista em música antiga como Ana Quintans.

[“Dueto de Marujo e Regateira”, do “Entremez das Regateiras Zelosas”, de José Palomino, estreado em 1801 no Teatro do Salitre, numa recriação por Ricardo Ribeiro e Ana Quintans (vozes) e Os Músicos do Tejo, com direcção de Marcos Magalhães]

Esta mestiçagem de música antiga e fado estreou-se em palco em 2016 e regressa agora à Praça do CCB neste domingo, 26 de Julho, às 19.00 (5€).

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