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Mulher ao poder
Bernardo Majer

Mulheres inspiradoras de Lisboa

Com o trabalho e as suas ideias, elas vão mudando mentalidades. São sete as mulheres inspiradoras de Lisboa.

Por Clara Silva
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A canção “Lisboa Menina e Moça” é muito linda, mas está desactualizada. As varinas desapareceram e as mulheres da cidade desafiam a canção de Carlos do Carmo e vão muito para além do papel de musa para poetas. Em vez de inspirarem versos como “teus seios são as colinas”, inspiram-nos com o seu talento, coragem e criatividade. Não fomos em cantigas e contamos-lhe tudo sobre as mulheres que fazem de Lisboa uma cidade melhor. Porque é normal haver mulheres em lugares de liderança, a criar, a mandar e a fazer. Em Lisboa e em todo o lado. 

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Mulheres de Lisboa

Constança Entrudo
Constança Entrudo
©Inês Félix

Constança Entrudo

24 anos, Designer de moda

Constança Entrudo gostava de usar farda, mas ficou “fascinada” quando saiu da escola. Sempre desenhou roupas, dos “desenhos animados à senhora do café”, conta, e poder desenhar a sua foi outra coisa. “Um dia era punk, outro dia cowboy, outro dia ia toda de latex...”, ri-se no seu estúdio no Príncipe Real. Hoje,
“se tivesse fatos suficientes para isso”, todos os dias usava um.

Nos últimos seis meses já apresentou duas colecções na ModaLisboa e tem-se mantido ocupada em “ter 
a [sua] marca estável”. Se dentro
do mundo da moda nunca sentiu qualquer preconceito, a aceitação das suas peças nem sempre é consensual. “A nossa sociedade está a evoluir imenso, está bastante aberta, mas por fazer peças que são unissexo ainda sinto que há muita dificuldade de aceitação”, conta. “Por parte de homens e mulheres.” Mas isso não a demove. Pelo contrário. “Quero continuar
a mudar mentalidades, à minha maneira e à minha escala.”

Estudou design têxtil em Londres, onde viveu sete anos até se mudar para Paris para trabalhar na Balmain. Foi aí que percebeu que estava na altura de voltar a Lisboa para se dedicar à expansão da sua própria marca. E não só. Também trabalha como freelancer para outros designers, para “continuar a aprender”.

Ana Alcobia
Ana Alcobia
©Inês Félix

Ana Alcobia

39 ano, Directora do Time Out Market

Ana Alcobia tem quatro filhos, o último com sete meses, e costuma dizer que o Time Out Market, “é o seu quinto filho”. Em Lisboa, o mercado que faz em Maio cinco anos é a atracção mais visitada da cidade e recebe, em média, “12 mil pessoas por dia”, além dos 600 empregados. “Está sempre aberto, é um 24/7 e esse é o maior desafio, ter dois empregos.” O de directora do Time Out Market e o de mãe.

A sua equipa é maioritariamente constituída por mulheres e com isso vem também um lado “mais emocional”. “As mulheres depositam um lado muito sentimental que os outros às vezes não entendem”, explica. “É o lado que existe, por exemplo, quando o Cristiano Ronaldo leva um cartão vermelho e começa a chorar. Não há nada que aconteça aqui que não mexa comigo.” Com os muitos desafios do mercado, que este ano será também importado para várias cidades dos Estados Unidos, ainda consegue organizar “desde o casamento de um empregado aos concertos mais inacreditáveis gratuitamente”.

Antes de ser convidada em 2007 para integrar a equipa que lançou a Time Out Lisboa, trabalhava na Sonae Sierra. No mercado, destaca de cor vários negócios de mulheres que a inspiram: a chef Marlene Vieira, a Manteigaria Silva de Laura Branco, a Tartar-ia de Maria Calheiros Machado e os chocolates de Bettina Corallo.

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Alexandra Vidal e Clara Metais
Alexandra Vidal e Clara Metais
©Manuel Manso

Alexandra Vidal e Clara Metais

36 e 38 anos, As Damas

“Vamos ao Damas?” Diz-se às Damas, esclarecem Alexandra e Clara, fundadoras do bar mais famoso da Graça, apesar de acharem “fofinho ver como o espaço é dotado de personalidade”. Conheceram-se no Chapitô “por alinhamento dos astros e muita sorte” e em 2015 abriam juntas As Damas no espaço da antiga panificadora da Caixa Económica Operária. Com uma programação alternativa e concertos e DJ sets abertos a toda a gente – “menos aos maus”, sublinham –, o bar foi uma lufada de ar fresco na noite alfacinha.

“Temos pessoas de 70 anos a ver projectos de noise de miúdos de 20, malta do bairro a assistir a lives de electrónica mais densa e malta das Avenidas Novas a ouvir rap crioulo”, contam. A diversidade é o segredo da casa. “É aborrecido estar sempre rodeado do mesmo tipo de pessoas, por isso misturamos tudo e é esse o nosso grande objectivo: que passe a ser normal haver alinhamentos diversificados.” O quarto aniversário do bar celebra-se no fim deste mês, uma ocasião sempre imperdível e importante para a casa. Na programação para os próximos tempos há várias novidades a caminho, uma delas a brasileira Deize Tigrona, precursora do funk feminista.

Constança Raposo Cordeiro
Constança Raposo Cordeiro
©Inês Félix

Constança Raposo Cordeiro

28 anos, Bartender

“Quem volta, amigo fica. É este o lema da Toca da Raposa, o bar que Constança Raposo Cordeiro abriu em Junho de 2018 perto do Largo do Carmo com cocktails que, à primeira vista, podem ser “assustadores” para alguns, palavras da própria. A sazonalidade dos ingredientes é uma das preocupações do bar e isso pode levar-nos a beber cocktails com licor de bolo-rei e espuma de cerveja no Natal, por exemplo, ou com tequila, couve-flor, nabo e capuchinhas por estes dias.

“Vamos muitas vezes apanhar flores e ervas aqui ao pé de nós”, conta a bartender Constança. A Monsanto, por exemplo. Diz-se bartender e não barmaid, para que não 
haja confusões. “Barmaid é 
um termo antiquado, está fora de uso”, explica. Depois de
 gerir um bar em Londres onde inventavam destilados, licores e fermentados, decidiu montar o seu próprio laboratório de experiências líquidas em Lisboa e o resultado tem sido bastante bom. No pequeno universo em crescimento de bares de cocktails na cidade há poucos negócios de mulheres como esta sua Toca. “Há muita facilidade em entrar na área porque muitas empresas e hotéis procuram uma hostess porque tem uma cara gira e é magrinha, e etc., mas é difícil chegar a posições de chefia, ser levada a sério e provar que somos competentes.”

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Justa Nobre
Justa Nobre
©Duarte Drago

Justa Nobre

62 Anos, Chef

Quando fala de si própria, Justa Nobre diz sempre que é cozinheira. “Sou chef de cozinha porque tenho uma brigada, mas sou sobretudo cozinheira”, diz. “Para se ser chef, tem de se ser primeiro um bom cozinheiro.” Quando começou a carreira, aos 
21 anos, e dois anos depois de se casar, entrou “pela porta da frente”, conta. Foi comandar a cozinha do 33, na Alexandre Herculano, um restaurante do patrão do seu marido, que na altura trabalhava “num escritório”. Da aldeia, em Vale de Prados, Macedo de Cavaleiros, trouxe a irmã Ana, com quem trabalha hoje. Outra das irmãs, Guida, é quem faz os doces do Nobre, na Avenida Sacadura Cabral, o seu único restaurante hoje em dia – “e que foi quase uma cantina do doutor Mário Soares”, gosta de salientar. Chegou a estar
 à frente de oito espaços, “uma sociedade desastrosa”, mas não é por ter só um que a sua vida é mais monótona. Além de showcookings e assessorias a outros restaurantes também tem os netos, que são uma prioridade. “Nós mulheres não estamos assim tão preocupadas com o protagonismo. O importante é sermos felizes, fazer um trabalho de que gostemos, olhar pela família.” Ainda assim, diz ter feito algumas “cedências” para conseguir ter uma carreira. “Sou uma transmontana muito teimosa, sempre soube o que queria e se calhar em prol da minha profissão só tive um filho quando gostaria de ter dois ou três.”

Catarina Querido e Maria Lopes
Catarina Querido e Maria Lopes
©Manuel Manso

Maria Lopes e Catarina Querido

25 e 26, Anjos70

Há dois anos, começavam do zero no número 70 do Regueirão dos Anjos num salão vazio que conheciam bem, mas sem qualquer financiamento externo. Na bagagem, já tinham um evento de peso, a Feira das Almas, que costumavam organizar no mesmo espaço quando ainda pertencia a à Taberna das Almas, outra associação que entretanto acabou. “Quando soube que iam fechar, vi a oportunidade de criarmos a nossa associação e não deixar este espaço morrer, que era o que ia acontecer”, conta Catarina Querido, mentora da Feira das Almas. Falou com a senhoria, chamou Maria Lopes, com quem já tinha trabalhado na feira e que estava a gerir o Rive-Rouge, e juntas fundaram o Anjos70, hoje um dos maiores pólos criativos da cidade. “Foi uma coisa que acabou por crescer sozinha”, explicam.

Bar, espaço de cowork, sala de concertos e de workshops... A associação tornou-se um pouco de tudo e não vira as costas a ninguém. “Temos projectos a chegar até nós todos os dias e hoje somos um centro cultural que dá oportunidades ao experimentalismo, o que se calhar não acontece noutros espaços da cidade.”

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Susana António
Susana António
©Duarte Drago

Susana António

40 Anos, Mentora de A Avó veio trabalhar

Os 50 metros quadrados da sede de A Avó Veio Trabalhar, na Rua do Poço dos Negros, já são pequenos para as 64 avós que se juntaram ao projecto de empoderamento da terceira idade. É por isso que, num “salto de fé”, diz Susana António, vão fazer as bagagens e instalar-se este Verão numa morada maior, na Morais Soares, com mais espaço para o material de tear, de serigrafia e para workshops com mais gente.

Em 2013, Susana, designer, montava o projecto com Ângelo Campota, psicólogo, no Centro de Dia de São Paulo. A ideia já era antiga, de 2004, quando pela primeira vez juntou idosos do lar da Mitra num workshop da experimentadesign. O objectivo era manter as avós ocupadas com trabalhos criativos e valorizá-las. “Sempre achei que a idade era um poder especial que se ganha, enquanto as pessoas acham que é uma maldição”, diz Susana. Até aos seis anos viveu com a avó, Florinda, a 
sua grande inspiração, e usa todos os dias o seu anel no dedo.

A avó nunca chegou a ver as maravilhas que o projecto alcançou. “As pessoas podem entrar [aqui] com 60, 70, 80 anos e conseguem fazer coisas diferentes”, conta. Já receberam a visita do presidente e no fim do ano passado foram mostrar os seus trabalhos de bordados sobre fotografia na Design Week Holandesa.

Mulheres de armas

Vinganças femininas no cinema

Filmes

São violadas, brutalizadas, matam-lhes os maridos, os noivos ou os namorados, tiram-lhes ou os raptam-lhes os filhos, arruinam-lhes as vidas. As mulheres destes "revenge movies" (e "rape and revenge movies") têm motivos muito fortes para irem atrás daqueles que as maltrataram, e àqueles que mais amavam, e darem cabo deles, por vezes com requintes de malvadez.

Mulheres no cinema: a luta continua em cinco filmes

Filmes

Lutas sindicais, ambientais e políticas, o altruísmo de servir, mas também de conservação da memória e do património, e principalmente de reivindicar a verdade. Lutas, pessoais e colectivas, que o cinema acolheu em muitos filmes. A propósito do Dia da Mulher, juntamos estes cinco. 

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