Global icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Adamastor vai a votos, mas “nunca será um espaço reservado”
Notícias / Vida urbana

Adamastor vai a votos, mas “nunca será um espaço reservado”

quiosque do adamastor
Fotografia: Duarte Drago

Futuro do Miradouro de Santa Catarina foi discutido durante quatro horas e a duas vozes, a dos que defendem a vedação e a dos que contestam as restrições de acesso. Medina voltou a sublinhar que “nunca, em nenhuma circunstância, o miradouro será um espaço reservado”, mas não assume “qualquer sentido ou orientação para o processo que não a preocupação em cuidar dos residentes desta zona”. 

As obras de recuperação foram anunciadas pela Câmara Municipal de Lisboa no Verão passado, antevendo pela primeira vez a possível vedação permanente à volta do miradouro, bem como o seu encerramento imediato, ainda que temporário, pouco depois de ter arrancado um mercado de artistas regular no adro. Polémica levantada, Adamastor encerrado, reaberto” por populares e novamente encerrado pela câmara, o projecto de requalificação do espaço foi apresentado esta quarta-feira, no Liceu Passos Manoel, numa consulta pública que “peca por tardia”, admitiu o presidente da autarquia. Fernando Medina assumiu ainda a responsabilidade pelo facto de, à vedação temporária colocada em 2018, não ter sucedido uma obra de imediato, o que contribuiu para o actual “clima de desconfiança e crispação”.

A proposta arquitectónica contempla requalificação da zona verde, com implementação de manchas arbustivas, protegidas por vedações com altura variável até um metro e dez, e vedação perimetral. Esta última, com dois metros de altura, terá portas para permitir o encerramento e horário de acesso ao miradouro. Responsável do projecto referiu ainda a implementação de mobiliário urbano, com cadeiras semelhantes às existentes na Praça da Batalha, no Porto, numa homenagem ao arquitecto Adalberto Dias, que as concebeu e ficou em segundo lugar no concurso para o miradouro de Santa Catarina. Solução final deverá, contudo, ser “uma solução integrada”, salientou a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira, referindo ainda a necessidade, também já manifestada pelos moradores, de melhor iluminação e da instalação de câmaras de vigilância, que possam auxiliar na fiscalização e policiamento.

O grupo “Libertem o Adamastor” tem sido uma das vozes mais activas na reivindicação da reabertura sem restrições do Miradouro de Santa Catarina, sendo presença assídua nas reuniões de discussão do projecto e tendo avançado com uma petição na Assembleia Municipal de Lisboa. Mas foram vários os munícipes a denunciar falta de higiene urbana e situações de insegurança no espaço e em ruas próximas, relatando arremesso de objectos para os telhados e assédio constante por traficantes de droga, bem como agressões a residentes. “Se querem ver a vista, comprem um postal, dura mais tempo e não levam com garrafas na cabeça”, declarou uma das moradoras, alimentando o braço-de-ferro entre duas faces da mesma cidade.

Recusando qualquer intenção de tornar privado um espaço público, maior crítica apresentada pelos detratores da vedação no miradouro, Fernando Medina anunciou, na intervenção que encerrou a sessão, que haverá votação em Assembleia da Freguesia da Misericórdia, cujo resultado será transmitido à câmara. “Depois, a Câmara Municipal de Lisboa, os seus vereadores, de vários partidos políticos, de várias sensibilidades, vão votar.”

+ Investigadoras estão a recolher memórias do Adamastor para “ampliar o debate”

Publicidade
Publicidade

Comentários

0 comments