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Rocco
Francisco Nogueira

Allora e Rocco: os novos e extravagantes italianos de Lisboa

Com poucos dias de diferença, Lisboa ganhou dois restaurantes italianos de peso. Sentámo-nos ao balcão de um para jantar e à mesa do outro para o almoço.

Escrito por
Cláudia Lima Carvalho
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O que têm em comum os dois novos restaurantes italianos de Lisboa? Talvez mais do que se possa imaginar, apesar de serem bem distintos na hora de comer. São vistosos e bonitos, têm bom ambiente, um grande balcão como chamariz e ambos ficam em zonas movimentadas da cidade. O Rocco abriu no Chiado, no novo cinco estrelas The Ivens Hotel, e o Allora é o restaurante do agora também cinco estrelas Epic Sana Marquês (o hotel reabriu recentemente depois de umas obras de ampliação e melhoramento). À sua maneira, prometem marcar o pulsar da cidade. 

Apesar de só agora abrirem portas, a ideia para estes dois restaurantes é muito anterior à pandemia, numa altura em que a cidade borbulhava como parece voltar a acontecer, mesmo que os tempos hoje se mantenham incertos. “Analisámos várias possibilidades e notámos que em Lisboa fazia falta um restaurante italiano assim. É verdade que há vários restaurantes italianos na cidade, mas faltava um que marcasse”, começa por explicar Victor Braz, director-geral do Epic Sana Marquês, acreditando que o Allora se vai destacar “pelas pastas e o ambiente”, mas também pela conjugação de alternativas. Tanto se pode fazer uma refeição completa, como optar por um lugar no grande balcão de mármore com vista para a cozinha e pedir um copo de vinho ou vermute para acompanhar uma selecção de queijos (22€) ou charcutaria (20€) italianos. 

Allora
DR

É tudo preparado no momento, com todo o cuidado que a alta-cozinha exige, mas sem as regras apertadas da mesma. O Allora é uma trattoria italiana que conjuga sofisticação e descontração nas doses certas, explica Flávio Granja Coelho, director de Food&Beverage. “Tanto há pratos simples de empratamento, como outros que são mais elegantes. Não queremos ser alta-cozinha, mas isso não significa que o serviço não seja cuidado. Aliás, tem de ser”, acrescenta.

Na cozinha, está o chef Francesco Francavilla, que trabalhou nos últimos anos no Vetro, o restaurante italiano do hotel de cinco estrelas The Oberoi, em Mumbai (Índia). Antes disso, duas experiências muito díspares: foi durante uns tempos chef privado do actor Bruce Willis e trabalhou no La Pergola, o restaurante com três estrelas Michelin em Roma. “O projecto para o Allora vem desde 2017 e o processo da escolha do chef é de 2019. Foram seguramente mais de 50 candidatos, mas queríamos um perfil muito específico, um chef camaleão, com experiência de fine-dining e de trattoria”, conta Flávio Granja Coelho. Além disso, era importante que fosse italiano com experiência internacional, diz Victor Braz.

Allora
DR

Francesco Francavilla é natural de Roma, mas na carta do Allora tem pratos de várias zonas do seu país. Nas entradas o ovo panado com alcachofra, redução de creme parmesão e trufa (18€) tem sido a sensação, tal como o creme de batata e alho francês, carabineiro e trufa (22€), talvez por serem diferentes do habitual. Já nas pastas, não faltam clássicos como a tagliatelle alla carbonara (29€), com trufa, parmesão e guanciale crocante, ou o tortello ricotta e spinaci (23€), uma massa fresca recheada com ricota e espinafres e sálvia frita. Mas como bom italiano, há espaço na carta também para os risottos, onde sobressai o all'astice (32€), com bisque de lavagante, salsa picada e chalota. 

Nos pratos de peixe e carne, são várias também as opções, do filete de robalo grelhado com batatas no forno e legumes baby (29€) às almôndegas black angus, com pomodoro e salsa (24€). Na dúvida, deixe-se aconselhar pelo chef, que não poupa nas idas à mesa se assim for preciso. Independentemente do caminho que escolher, guarde espaço para os doces, ou será que consegue resistir ao cannolo siciliano (10€), com mousse de ricota e granola de pistacho? Se optar pelos gelados, saiba que é tudo feito em casa. Não por acaso, no restaurante, onde brilha uma laranjeira no meio da sala, há uma zona diferenciada com um balcão exclusivo para as sobremesas.

Allora
DRCannolo siciliano

Por agora, o Allora só funciona aos jantares, mas a ideia é que em breve possa abrir para almoços, como acontece no Chiado com o Rocco, que funciona, na verdade, durante todo o dia – e durante todo o dia significa também ao pequeno-almoço (todos os dias das 06.30 às 10.30) onde pode pedir à carta ou entregar-se ao banquete de hotel (35€) com bebidas quentes e frias, cesto de pão e pastelaria (tudo feito em casa, inclusive os croissants, que Rui Sanches, fundador do grupo de restauração Plateform, não poupa nos elogios), queijos e charcutaria, selecção de ovos ou cereais e fruta. 

O verdadeiro rebuliço, porém, começa a sentir-se na hora do almoço. Ainda na rua, ali ao lado do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, chama à atenção a fachada do hotel e os grandes janelões que deixam transparecer um ambiente que tem tanto de boémio como de requintado. Abrem-se as portas e tudo parece chamar pela nossa atenção. Lázaro Rosa-Violán, que já havia surpreendido com os interiores do JNcQUOI Avenida ou da Massimo Dutti da Avenida da Liberdade, excedeu-se em tudo o que fez neste restaurante e a decoração tornou-se também motivo de romaria – dificilmente haverá sítio mais instagramável e vibrante na cidade neste momento. 

Rocco, The Ivens Hotel
Francisco Nogueira

Ao centro, um majestoso balcão com 17 lugares, onde se evidenciam veludos, cores fortes e motivos florais. É aqui que fica o Gastrobar, com uma garrafeira suspensa e uma carta que quer recuperar a tradição de se comer ao balcão, com ou sem pressas, refeições completas ou simplesmente tábuas de queijos e enchidos. Para beber, o negroni é “O” cocktail, feito por quem tão bem sabe: Fernão Gonçalves, o chef de bar, que antes esteve no Pesca, de Diogo Noronha.

“O objectivo aqui é ter muitos pratos de Lisboa, como o bacalhau à brás (21€), os pastéis de bacalhau (19€) ou as amêijoas [da Ria Formosa] à bulhão pato (27€). Tivemos a preocupação de fazer um balcão com cozinha portuguesa”, explica Rui Sanches, para quem este Gastrobar vem reforçar o que de alguma forma já se faz no Tapisco ou na Sala de Corte, restaurantes do grupo que comanda. “É uma tradição lisboeta que caiu em desuso nos últimos anos.”

Mas sendo o Rocco um restaurante italiano, também ao balcão é possível pedir alguns dos pratos disponíveis na sala de baixo, o Ristorante, ou no Crudo, um recanto ao lado, onde o marisco é acompanhado por champagne, espumante ou prosecco – não é um acaso que o ambiente deste espaço mais pequeno, disposto em forma de anfiteatro e com mesas na escadaria, seja mais veranil. “Eu acho que este espaço vai ser sempre mais de noite e mais Verão que Inverno, mas estou contente por termos tomado esta decisão. Causa diferenciação, não há nenhum crudo bar em Lisboa”, aponta o CEO da Plateform. E descreve alguns dos petiscos servidos aqui: “Ostras do Sado (9€/3 unidades), casco de sapateira (18€), tártaro de atum (22€), ceviche de corvina (21€), cocktail de camarão (19€)”.

Rocco, The Ivens Hotel
Francisco Nogueira

Mas é na sala principal, de ambiente acolhedor em tons de madeira, com vista para a Terraza, que tem tantos lugares como no interior, que a magia acontece. De um lado a cozinha italiana, do outro a zona do grill, mais generalista e de onde é possível escolher um polvo com molho de tomate seco, azeitona Kalamata, alho e coentros (26€), um lavagante com manteiga de alho e salsa (56€), ou um entrecôte (34€/250g). 

Se a parte da cozinha portuguesa teve o dedo de Luís Gaspar, o chef da Sala de Corte, a cozinha italiana está entregue a Ricardo Bolas, que estava anteriormente na Zero Zero, também do grupo. Os pratos são “mais do Norte de Itália, Veneza, Milão”. E o melhor é que não salte as entradas, óptimas para se partilhar, do carpaccio de lombo de novilho (22€) ao bife tártaro trufado (25€) ou o vitello tonatto (20€). 

Rocco, The Ivens Hotel
©Francisco NogueiraRocco, The Ivens Hotel

Nos pratos principais, também aqui as pastas são feitas à mão, e há opções mais fora do comum como um ravioli de sapateira, com bisque de marisco e coentro (32€). Nos risottos, o risotto ai funghi (24€), é servido com parmigiano reggiano dop 15 meses e azeite de trufa branca. Na secção dos clássicos, entra um robalo alla ligure (34€), com batata e tomate assado, azeitona kalamata e manjericão, e um ossobuco com risotto de açafrão (36€). 

Nas sobremesas, Clayton Ferreira, o chef de pastelaria, que também esteve no Pesca e melhorou as sobremesas da Zero Zero e da Sala de Corte, dificulta-nos a escolha. O que apetece é pedir tudo, mas na impossibilidade de o fazer, o cheesecake Rocco, com morangos e framboesas marinadas, sorbet e jus de morango (16€/2pax) não desilude e é uma boa amostra do que pode pedir num regresso. Afinal, o Rocco é um só restaurante, mas guarda em si uma imensidão de possibilidades, conjugações e experiências, convidando a vários regressos. Aconteça o que acontecer, não saia sem passar pela casa-de-banho. A sugestão parece-lhe inusitada? É que não queremos que passe ao lado daquelas que serão possivelmente as casas de banho mais bonitas da cidade. Nas escadas de acesso, papel de parede e carpete casam de forma a tudo parecer o mesmo. Já lá dentro, os lavatórios são uma peça única e esculpida à medida e os azulejos evocam a fauna e a flora dos trópicos. É aqui que se esconde uma porta que em breve poderá dar acesso a outra vertente do restaurante. Resta saber o quê. 

Rocco, The Ivens Hotel
Francisco Nogueira

Allora, Av. Fontes Pereira de Melo 8 (Marquês). Seg-Dom 19.00-23.00.

Rocco, Rua Ivens 14 (Chiado). Pequeno-almoço, Seg-Dom 06.30-10.30. Gastrobar Dom-Qua 10.30-00.00, Qui-Sab 10.30-01.30. Crudo Bar Dom-Qua 18.00-00.00, Qui-Sáb 18.00-01.00. Ristorante Dom-Qua 12.30-16.00, 19.30-00.00. Qui-Sáb 12.30-16.30, 19.30-01.00

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