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Ao que sabe a Amazónia? Chef Bel Coelho vem a Lisboa aguçar-nos o gosto pela floresta

‘Floresta na Boca Amazônia – Pessoas, Paisagens e Alimentos’ é apresentado esta segunda-feira, 12 de Janeiro, na Livraria da Travessa. O projecto inclui um documentário, estreado na COP30, e em breve será alargado aos outros grandes biomas do Brasil.

Hugo Torres
Escrito por
Hugo Torres
Director-adjunto, Time Out Portugal
Bel Coelho
Carol Quintanilha | Bel Coelho em Santa Izabel
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O Guia Michelin tem duas entradas com o nome de Bel Coelho: o Clandestina e o Cuia, ambos em São Paulo, ambos com o selo Bib Gourmand (boa relação qualidade-preço). E em ambos a chef faz uso de ingredientes nativos e mostra como se pode preservar as diversas culturas gastronómicas do Brasil – palavra de inspector. Mas fazê-lo somente dentro de portas não bastava e Bel Coelho decidiu cartografar os sistemas alimentares nos seis grandes biomas brasileiros, registando alimentos, métodos de produção e culinárias populares, quotidianas. Não só o que é tradicional, mas como se empreende sem destruir. 

Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal estão nos planos. Primeiro, a chef lançou-se à Amazónia – e o resultado, um livro e um documentário de 52 minutos, rodado em Julho de 2025 por uma equipa totalmente feminina, foi apresentado em Novembro, durante a COP30, em Belém do Pará. Na segunda-feira, 12 de Janeiro, chega a Lisboa. A partir das 19.00, Bel Coelho estará na Livraria da Travessa, no Príncipe Real, para o lançamento português de Floresta na Boca Amazônia – Pessoas, Paisagens e Alimentos.

Com edição da Fósforo, o livro é um diário da viagem organizada pelo ecólogo Jerônimo Villas-Bôas, convidado a sugerir uma rota que espelhasse a riqueza ecológica e sócio-cultural daquele vastíssimo território. Teve de ser escolhida uma parte praticável. Ficou o Pará. “Visitamos comunidades que mantêm em pé sistemas agrícolas complexos, como os quintais agroflorestais, os roçados itinerantes e os sistemas agroextrativistas. Modelos viáveis e necessários para um futuro sustentável”, diz Bel, citada em comunicado. A comitiva também visitou a Transamazônica, região de pequenos produtores onde o cacau é o ingrediente de eleição – e onde abriu a primeira fábrica de chocolate da Amazónia.

Ao longo de 192 páginas (edição bilingue), não faltam referências a outros produtos-bandeira, como o açaí, a castanha-do-brasil ou a mandioca. Mas as populações e a sustentabilidade vão sempre de mãos dadas com os alimentos. “Nossa cultura alimentar resiste onde ainda há floresta, água limpa, território e autonomia. Sobrevive e floresce nas mãos dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, agricultores familiares, das mulheres que guardam sementes, das cozinheiras que transformam saberes em receitas deliciosas”, observa a chef, na mesma nota. “O avanço do desmatamento, das monoculturas extensivas, da mineração ilegal e da grilagem tem causado, além da perda de florestas, a extinção silenciosa de modos de vida e tecnologias sociais de cuidado com a terra.”

Os nomes dos três principais rios percorridos durante a expedição – Baixo Tocantins, Xingu e Tapajós – são também os títulos dos três capítulos de Floresta na Boca Amazônia – Pessoas, Paisagens e Alimentos, com fotografias de Carol Quintanilha (realizadora do documentário) e Lari Lopez, texto da jornalista Janaina Fidalgo e ilustrações de Marina Aranha. O livro inclui ainda um glossário com 62 ingredientes e um prefácio assinado pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva.

“No registro sensível da chef e escritora Bel Coelho e da equipe que a acompanhou, reencontrei os afectos mais íntimos e familiares que conheci em minha família e em tantas comunidades que vivem na floresta. O recorte proporcionado pelo roteiro de sua viagem pode dar apenas uma pequena mostra da imensidão natural e cultural que é a Amazônia, mas é representativa o suficiente para mostrar que alimentação é resistência, afirmação, amor e luta, partilha de identidades que se atravessam e se visitam”, escreve Marina Silva. “As receitas colhidas nas comunidades do Pará misturam ingredientes físicos e simbólicos de toda a Amazônia: frutos, legumes, temperos, histórias, memórias, linguagens.”

Livraria da Travessa. Rua da Escola Politécnica, 46 (Príncipe Real) 12 Jan (Seg) 19.00. Entrada livre

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