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Chama-se Estrela by Olivier e tem opções para todas as horas do dia. As obras desencadearam uma polémica ainda antes da abertura, mas o grupo rejeita o conceito de luxo e há mesas onde ainda se joga religiosamente às cartas.

Entrando no Jardim da Estrela pelo acesso que fica junto da Basílica, o impulso pode ser ficar logo por ali. Meia dúzia de metros mais à frente, do lado esquerdo, uma esplanada ocupa a sombra natural das árvores e serve o renovado quiosque que agora se chama Estrela by Olivier. No lago mesmo ao lado, os patos estão em modo “business as usual”, indiferentes às vozes, aos risos e à constante circulação de clientes. Aqui podem sentar-se 150 pessoas – e ainda há espaço para aumentar a esplanada.
Aberto desde 8 de Junho, é o primeiro conceito do grupo Olivier pensado para todas as horas: do pequeno-almoço ao jantar, há opções para cada um dos momentos do dia. Este não é mais um restaurante para juntar aos quase 40 que já tem em carteira, garante Olivier da Costa à Time Out. É um quiosque “que respeita o propósito do espaço onde se insere”. “Continua a ser do grupo Banana Café. Eu sou sócio investidor, implementador de conceito, mas não vou estar aqui no dia-a-dia”, explica.
O desafio partiu do responsável pela concessão, Bernardo Delgado, que sentia necessidade de rever por completo o que ali se fazia. “Vim aqui ver o espaço e fomos maturando as ideias até chegarmos a este conceito. Agora entrámos numa espiral em que toda a gente quer isto. As oportunidades estão sempre a aparecer”, diz Olivier.
Na lista de aberturas recentes, o grupo tem dois outros quiosques – o Steak & Frites da Avenida da Liberdade e o de Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos. Porém, este projecto é bem mais exigente. Não se foca num só produto, nem quer ser um grab&go. A música dos pássaros e o som das folhas das árvores, que se ouve discretamente se estiver algum vento, pedem uma refeição mais demorada.
Os primeiros dias revelaram ser um sucesso, mas também se traduziram em dificuldades. Aqui não há reservas e isso também quer dizer que é sempre muito incerto o número de pessoas que vão servir diariamente. “No feriado [10 de Junho] tivemos 288 pedidos em cinco horas, o que é uma loucura, mas isto é uma operação do dia-a-dia, agora queremos crescer com calma, formar pessoal, criar dinâmicas e processos”, continua. Isto significa que, enquanto falamos, Olivier está atento a tudo – dos clientes que estão por atender ao empratamento que chega à mesa – e se levanta várias vezes para afinar detalhes.
Criar uma carta com oferta capaz de cobrir as necessidades de qualquer hora obrigou a redesenhar o espaço, tendo mais área na cozinha, que é aberta, e menos lugares interiores. São agora 24. No entanto, o encanto está mesmo no exterior, onde muitos clientes se instalam com cães. Em poucos dias, ao reparar nessa tendência, a equipa teve uma ideia que pretende implementar em breve: um menu para cães.
Enquanto isso não acontece, vamos ao menu que já existe. Ou melhor, aos menus: são dois. Entre as 09.30 e as 12.30 todos os caminhos vão dar à opções de pequeno-almoço e brunch. Há ovos estrela (9,50€), com pão de massa mãe ou brioche, abacate, ovo mexido, tomate, requeijão e granola salgada; tosta mista Olivier (14€), com cebola confitada, fiambre fumado, queijo, ovo fit, molho holandês trufado e cebolinho; ou tosta de salmão (13€), com salmão fumado, queijo creme, pepino, rabanete e agrião. O breakfast plate (10€) junta ovos, pão ou brioche torrado, bacon ou salmão, tomate assado e queijo creme.
A partir das 12.30 (e até às 22.00) uma nova carta propõe super sandwiches (o nome não engana, são realmente grandes), servidas em focaccia artesanal. Há, por exemplo, de rosbife de novilho (15€) com uma carne fina e tenra, acompanhada por rúcula, queijo parmesão, maionese de mostarda, mel trufado e agrião; mas também de porchetta (13,50€), com cebola confitada, provolone, rúcula e maionese de mostarda. Se preferir ficar pelos sabores mais tradicionais, é possível pedir uma super sandwich de atum (13€), com pasta de ovo, abacate, tomate, alface romana e parmesão ralado; ou de frango (13,50€), com bacon crocante, alface césar, maionese de ovo e parmesão.
O curioso e inesperado, revela Tomás Pires, chef executivo do grupo Olivier, é que as sanduíches são maiores do que as pizzas. “A de rosbife, por exemplo, tem 450 gramas entre pão e recheio, é mais do que uma pizza. Nunca achamos que uma sanduíche nos vai saciar mais, mas é o caso aqui.”
No departamento das pizzas, há a típica margherita (12€), com tomate, mozzarella fiordilatte e manjericão; a de presunto parmesão (14,50€), com tomate, mozzarella fiordilatte e rúcula; ou, no fundo da lista, a mortadella trufada & stracciatella (16,50€), que merece uma oportunidade. Tem tomate, mozzarella fiordilatte, pistachio crocante e parmesão. A massa é leve e crocante, como nas sanduíches – aliás, “é a mesma massa para as pizzas e para as sanduíches”, explica o chef.
Se a ideia for uma refeição mais leve, as opções de saladas incluem a grega (12,50€), com queijo feta, tomates biológicos, pepinos, cebola roxa, azeitonas, crutons e orégãos. Tem vários tipos de tomate e pedaços de pão torrado bem maiores do que os típicos croutons. É simples e fresca – tudo o que um dia de calor pede. Também há salada de frango (14,50€), com alface romana, molho césar, bacon, alcaparras, parmesão e croutons, e salada de mozzarella (13€), com um mix de alface, ovo, abacate, tomate cherry, vinagrete, cebola roxa e crutons.
O chef deixa uma sugestão. “Quando há um grupo de quatro pessoas, por exemplo, aconselho a que peçam uma salada, uma pizza e uma sanduíche e partilhem.”
Chegados aos doces, a escolha pode ir para o gelado cremoso (5€), uma espécie de sundae que pode ter como topping fruta da época, chocolate cookie crumble ou matcha framboesa; para o o bun roll de limão e mel (7€), parecido com um cinnamon roll, para desenrolar até chegar ao meio, onde está a massa mais fofa e húmida; ou as panquecas estrela (11€).
Brevemente também haverá croissants. “Vamos ter aqueles croissants da Maison Luce, com doce de ovos e amêndoa. Vamos fazer fornadas de manhã e à tarde, para acompanhar o café”, revela Olivier.
O Estrela quer ser uma marca apetecível – já existe um boné com uma simples estrela e será criada uma linha de roupa – e promover um estilo de vida saudável. A carta de bebidas reflecte essa vontade. Nos sumos naturais há várias limonadas, da tradicional (3,50€) à de manga framboesa (4€); mas também o terra (6€), com beterraba, ananás, maçã verde, gengibre e laranja; ou o verão (6€), com ananás, maçã verde, manga, gengibre e laranja.
Além dos cafés e chás, há várias opções de matcha, como o matcha latte de manga (6€) ou o latte de café e pistácio com espuma de matcha (6,50€). Vinhos a copo, cocktails e cerveja também lá estão e, se a vontade for só petiscar qualquer coisa, há para acompanhar pão de alho e queijo (9€), croquete de novilho (3€) ou batata frita com trufa e parmesão (4,50€).
Ainda antes de abrir, já o Estrela by Olivier estava envolvido em polémica. A associação Vizinhos em Lisboa não viu com bons olhos a renovação do espaço, que descreveu como passando a ser um “estabelecimento de restauração de segmento de luxo” e enviou um pedido de esclarecimento à Câmara Municipal de Lisboa.
O requerimento que pretende ver esclarecidos vários pontos, da gestão de resíduos à sinalética, pede uma resposta no prazo de dez dias úteis. Até agora, a CML ainda não se pronunciou – apesar de também o Bloco de Esquerda já ter questionado a autarquia sobre as obras. Olivier da Costa responde a algumas questões. “O espaço é da mesma pessoa que já cá estava e que quis melhorá-lo. As pessoas estão a trabalhar, a fazer coisas e sinto que isto é pura maldade. Eu trabalho 14 a 16 horas por dia, nunca pensei que chegaria a este ponto de inveja.”
Além do Estrela by Olivier não se definir como um restaurante, o empresário afirma que a identidade inerente ao Jardim da Estrela será sempre preservada. “Criámos uma oferta honesta que respeita o objectivo.”
Numa zona mais calma da esplanada há mesas que continuam disponíveis para a rotina antiga dos jogos de cartas. E, na visita da Time Out, lá estão sentados quatro homens, concentrados nas respectivas vazas. O consumo fica por conta da casa, garante Olivier. “Temos um respeito enorme pela comunidade local. Oferecemos águas, cafés e imperiais. O espaço é deles para continuarem a jogar, como sempre foi.”
Jardim da Estrela (Estrela). Todos os dias 09.00-22.00
Com a chegada da Primavera, aproveite os dias longos ao ar livre com as melhores esplanadas e os melhores quiosques de Lisboa. Se tem a operação biquíni em curso, dizemos-lhe onde estão os melhores restaurantes saudáveis, das saladas às sobremesas – e aqui tem os melhores sítios para sumos naturais e smoothies. Para experiências mais completas, espreite as nossas listas com os 100 melhores restaurantes em Lisboa e com os melhores novos restaurantes da cidade.
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