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Chef Miguel Rocha Vieira sai da Fortaleza do Guincho

Escrito por
Inês Garcia
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Miguel Rocha Vieira anunciou a saída do restaurante com estrela Michelin nas redes sociais.

“Após reflexão pessoal, informo que dou como terminada a relação profissional que me uniu durante os três últimos anos à Fortaleza do Guincho”, escreveu Miguel Rocha Vieira no Instagram, não explicando os motivos que levaram a este abandono aparentemente repentino, uma semana antes da gala do Guia Michelin, que este ano se realiza em Lisboa. 

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Todos os que me conhecem sabem que é a paixão pela cozinha que me move. Ter-me-ão ouvido dizer que no dia em que ambicionasse subir mais um degrau em direção aos lugares que me preenchem a alma e o espírito o faria sem hesitar. É chegado o dia. Obviamente que esta decisão partiu de um processo gradual. Creio ter bem claras as razões que me levaram a chegar a esta escolha, mas isto são contas de outro rosário. Prefiro guardá-las para mim. Após reflexão pessoal, informo que dou como terminada a relação profissional que me uniu durante os três últimos anos à Fortaleza do Guincho. Foram três anos de muito trabalho e mudanças que muito me orgulham. Foram três anos onde muito foi feito, mas também onde muito mais se pode fazer. No fim de contas qualquer projecto será sempre um trabalho por terminar. Três anos que me aproximaram de algumas pessoas dedicadas, sérias e honestas que seguramente vão ficar para sempre no meu pensamento. Foram três anos que me fizeram crescer e aprender “desaprendendo” velhos hábitos. Acima de tudo foram três anos onde fui eu mesmo, com tudo o que de bom e mau isso implica, tal como sou: sem filtros e fiel aos princípios pelos quais me rejo. A vida é feita de escolhas e decisões e embora não tenha sido este o desfecho que um dia imaginei quando decidi deixar (quase) tudo o que construí em “lá fora” e regressar a Portugal 15 anos depois, mentiria se dissesse que não saio algo inconformado com o que me levou a tomar esta decisão. Saio, sim, com a consciência tranquila, serena, com a certeza de que tomei a decisão mais acertada. A vida é são dois dias. As dos cozinheiros costumam ser muito menos. É tempo de descansar, de colocar as ideias no lugar e, sobretudo, dedicar tempo a quem realmente merece e dá valor a isto tudo. Sejam felizes! Miguel

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Na mesma publicação, numa legenda de uma fotografia na praia do Guincho, Rocha Vieira escreve que foram “três anos de muito trabalho e mudanças” das quais está orgulhoso mas admite que ainda há muito por fazer. “No fim de contas qualquer projecto será sempre um trabalho por terminar.”

O chef chegou à Fortaleza do Guincho em 2015 para substituir Vincent Farges e alterou as linhas de uma cozinha estrela Michelin, que o restaurante mantém desde 2001.

A sua cozinha na Fortaleza do Guincho deixou de ter seguir as fortes influências da escola francesa, herdada de outros chefs que por lá passaram, e foi buscar grande inspiração ao mar, mesmo ali ao lado, privilegiando sempre os produtos da zona e respeitando a sazonalidade dos ingredientes. À Time Out, há um ano, disse que acreditava que o seu trabalho permitiu dar uma "lufada de ar fresco" ao Guincho e a Cascais, "através do conceito, do menu, da cozinha". 

“A vida é feita de escolhas e decisões e embora não tenha sido este o desfecho que um dia imaginei quando decidi deixar (quase) tudo o que construí “lá fora” e regressar a Portugal 15 anos depois, mentiria se dissesse que não saio algo inconformado com o que me levou a tomar esta decisão. Saio, sim, com a consciência tranquila, serena, com a certeza de que tomei a decisão mais acertada”, continua Rocha Vieira.

O chef regressou a Portugal depois de uma longa temporada na Hungria, onde conquistou a distinção da estrela Michelin em 2010, no Costes. No último ano, o Costes Downtown, do qual é chef consultor, também viu estrelas.

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