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Da Mood
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‘Da Mood’. Será esta série a próxima rainha da noite?

Sérgio Graciano sonha, Henrique Dias escreve, a banda nasce. ‘Da Mood’ é uma série da RTP com uma narrativa inspirada nas boy bands dos anos 1990. Estivemos nas gravações, em Setúbal, para falar com o realizador e alguns dos actores do elenco.

Escrito por
Teresa David
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Os anos 1990 foram muita coisa, mas não teriam sido os mesmos sem o sucesso pop das boy bands. Sem os posters da Bravo e da Super Pop a ornamentar quartos adolescentes com imagens de jovens do sexo masculino, de pele bronzeada, cabelo oxigenado e abdominais de aço. Nos discman, giravam CDs com os temas contagiantes de Backstreet Boys, Take That ou, mais tarde, de ‘N Sync e Blue. Os Excesso, os D’Arrasar e os Milénio eram as versões portuguesas, que tentavam não ficar atrás nas coreografias e nas harmonias vocais. 

As boy bands foram saindo de moda no início dos anos 2000 e tudo indicava que não iriam voltar. Mas a receita continua eficaz, apesar de diferente, e talvez com mais impacto do que nunca. Os BTS, o grupo sul-coreano de K-pop, são exemplo disso, com legiões de fãs em todo o mundo. 

Ainda assim, Sérgio Graciano diz "bye bye bye" aos novos grupos e mantém-se fiel ao estilo dos anos 1990 em Da Mood, uma nova série com data de estreia prevista para meados de 2022 na RTP. Esta é a nova aposta do realizador, que se juntou ao argumentista Henrique Dias e ao actor Rui Melo (que tantas pessoas fizeram rir em Pôr do Sol) e à produtora SPi, num projecto de oito episódios que ​​acompanha o nascimento e o percurso de uma boy band portuguesa na actualidade. “É um fenómeno tão datado dos anos 1990, e que agora surgiu noutros moldes, que achámos piada revisitar”, diz Graciano sobre as boy bands.

Não é uma comédia, não é uma sátira e também não é um drama. É uma dramedy, que é como quem diz uma comédia dramática, que pega em todos os clichês associados a estas bandas, mas também aborda temas tão relevantes como a ansiedade, a depressão ou a adição. Clichês são chavões, fórmulas repetidas, mas apontá-los não tem de ser uma ofensa. “Se for tratado com verdade deixa de ser ofensivo. Tivemos cuidado”, garante o realizador.

Sérgio Graciano começou a sonhar com os Da Mood – a banda fictícia que dá nome à série – há cerca de dois anos. “Tive a ideia de fazer um projecto sobre uma boy band. Falei com o Henrique Dias, depois falei com o Rui Melo por causa da direcção musical que faz. Esta gente toda aqui acaba por já estar envolvida no projecto há dois anos. As personagens já foram criadas a pensar no elenco”, conta. “Estes actores são amigos pessoais e eu sinto que nestes processos é bom ter alguém que é próximo de nós.” A banda tem cinco elementos: Miguel Raposo interpreta Rui, José Mata é Gonçalo, o brasileiro Leo Bahia faz de Tiago, Tiago Teotónio Pereira dá vida a Rúben, e Diogo Martins a Cláudio. As atrizes Carolina Carvalho (Tatiana) e a brasileira Bárbara França (Ana) também fazem parte do elenco.

Ainda não se sabe se esta nova série será a próxima rainha da noite na estação pública, e os detalhes da história ainda não podem ser divulgados. Mas o bom humor de Da Mood já se sente nas gravações. “É uma história muito divertida, muito engraçada. Até para gravar é um sufoco com as crises de riso”, comenta Bárbara França. Carolina Carvalho subscreve: “Falaram-me da personagem e eu achei logo muito interessante. Estou a divertir-me muito, porque os membros do elenco são meus amigos. É sentir-me em casa”.

A “dança é o mais complicado”, diz Diogo Martins, que deixa um aviso aos futuros espectadores da série: “as músicas ficam muito na cabeça”. Sobre a história, o actor avança que, “apesar de ser leve, tem também bastante drama”. Miguel Raposo acrescenta que os momentos cómicos “servem um lado mais trágico, e é bom falar nisso, porque não se fala muito”. Já Leo Bahia acredita que a série “passeia pelos géneros” e acrescenta que “o texto é muito rico e tem momentos de comédia e momentos realmente sérios. É um pouco como a vida”. 

Para interpretar um artista da música, é preciso conhecê-lo. “Eu sou de 1986 por isso cresci muito com este universo de boy bands que faziam muito furor. Tenho esse universo muito presente”, relata José Mata. Mas também foi preciso muito trabalho de pesquisa. “Falámos com várias pessoas que nos deram dicas. Estamos a fazer ficção, mas podia ser um documentário”, informa Tiago Teotónio Pereira.

Rui Melo, que interpretou recentemente o vilão de Pôr do Sol, e participou na criação das músicas dos Jesus Quisto, a banda ficcional na mesma série, é Mário, o agente do grupo, em Da Mood. “Esta série fala muito mais sobre problemas comuns, até de saúde mental, do que propriamente o dia-a-dia de uma boy band. O dia-a-dia de uma boy band é um pretexto para falar de assuntos mais sérios. Foi isso que me fascinou nesta série”, revela o actor. 

“Eu espero que estreie rapidamente porque do que eu tenho visto está incrível. E não digo isto de ânimo leve. Está incrível”, sublinha Rui Melo, que é também o responsável pelas letras e composição da boy band Da Mood. Sérgio Graciano concorda: “Acho que todos os projectos são diferentes, mas este é especial. Já me acompanha há muito tempo, é um projecto em que acredito muito, com pessoas de que gosto muito. Seguramente será dos melhores”. 

A série ainda não tem data de estreia definida, mas o realizador está confiante de que terá mais do que uma temporada. “A minha ideia é fazer três temporadas. Uma é o nascer da banda, a segunda é a digressão e a terceira são as carreiras a solo, típicas das boy bands. Essa é a minha ideia.”

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