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Dez anos depois, como soará o disco que nos deu Dino D’Santiago?

O músico vai levar para palco o disco que lhe deu nome. E, ao contrário do que tem acontecido, não estará sozinho. Terá consigo a sobrinha, motor de ‘Eva’, e uma banda. Em Lisboa e no Porto, serão noites irrepetíveis, confidencia-nos.

Cláudia Lima Carvalho
Dino D'Santiago
Chris Costa
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O ano é 2013. Passam cinco décadas da maior manifestação em defesa da igualdade racial nos Estados Unidos, que teve Martin Luther King como símbolo máximo com o seu discurso “I have a dream”. Nelson Mandela, também ele figura fulcral da luta pela liberdade, morre no final desse ano. Dino D’Santiago (re)nasce. Depois de se ter dado a conhecer na Operação Triunfo e de ter passado pelos Expensive Soul e os Nu Soul Family, liberta-se, mergulha na sua história, explora as raízes e cria Eva, disco de afirmação, mas também de transição. Uma homenagem à sobrinha nascida pouco antes. Dez anos depois, Eva Pereira tem 11 anos e estará com o tio no Tivoli BBVA, em Lisboa, e na Casa da Música, no Porto, para dois concertos onde se tocará o álbum na íntegra, com novos arranjos, mais próximos daquilo que Dino D’Santiago é hoje. Antes disso, estreia o documentário que acompanha a viagem de Eva a Cabo Verde para conhecer os lugares e as pessoas do disco a que deu nome.

O ano é agora 2023. Dino D’Santiago já não precisa de apresentações. Esgota salas, encabeça festivais. Vive para lá do palco. E é ele, à sua maneira, motor de mudança, provando que acontecimentos que parecem nada ter a ver com esta história estão-lhe colados à pele. Como está Cabo Verde, Quarteira, Lisboa e o mundo. Levar o disco que o baptizou como Dino D’Santiago para palco, uma década depois, é por isso a celebração que lhe faltava. “Eu quis fazer isto porque são dez anos do disco que mudou a minha vida. Foi o álbum que fez com que eu tivesse a coragem de sair dos Expensive Soul e dos Nu Soul Family, do conforto financeiro, para querer contar a minha história”, diz-nos o músico, depois de mais um ensaio para os concertos de 24 de Novembro (Lisboa) e 6 de Dezembro (Porto), que “serão inéditos” e irrepetíveis, garante. “Vai acontecer em Lisboa e no Porto, mas não acontecerá mais”, avisa. “Ai, mas já fui a um concerto do Dino. Não, vai ser totalmente diferente. Mesmo quem me viu na altura do Eva, não tem nada a ver”, assegura.

O próprio público, em parte, não será o mesmo de há dez anos. Afinal, desde que editou Mundu Nôbu, em 2018, que Dino D’Santiago se tornou num agregador, quase um porta-voz de uma nova sonoridade, que já não era tão nova assim, mas que desde o fim dos Buraka Som Sistema parecia ter ficado sem um representante – não por acaso Kalaf Epalanga tem estado ao lado de Dino neste novo caminho. Eva ainda não era assim, mais clássico e colado à tradição cabo-verdiana. Sem isso, porém, o músico tem a certeza de que não estaria hoje onde está, ele que nem em crioulo se atrevia a cantar. “Quando eu fiz esse disco estava a haver um trânsito gigantesco da nova juventude para a música do hip-hop. O pessoal da minha idade estava a querer fazer coisas mais electrónicas e eu estava a fazer precisamente o contrário. Vinha dos Nu Soul Family e queria sair daquele lugar para um lugar de reencontro comigo mesmo”, recorda. 

Quando há umas semanas actuou em Cabo Verde foi com músicas de Eva como “Nôs Tradison” que sentiu o maior apego. Foi um trabalho, editado pela Lusáfrica, casa também de Cesária Évora, que marcou.

Hoje, mais maduro e confiante do seu percurso, Dino D’Santiago volta ao ponto de partida, também para contar a história da sobrinha. “A Eva é uma história de amor. Quase que não existia se a minha cunhada tivesse seguido à letra o [conselho do] médico para retirar o útero por conta de um tumor que felizmente não era maligno”, revela. “Há um simbolismo hoje ao olhar para a Eva, ver que sou um ídolo para ela. E ela é uma das melhores alunas da turma, vence corta-matos, toca piano, vence concursos de dança, estreou-se em cinema”, diz, igualmente orgulhoso. “Todos os direitos que recebo do disco Eva são investidos na Eva, ou seja, na sua formação, desde sempre. E eu sinto muito orgulho nisso, é como se o disco estivesse sempre vivo.”

E está, agora mais do que nunca. Com os suspeitos do costume, encabeçados por Paul Seiji e Nosa Apollo, Dino D’Santiago regravou o disco. “Dei uma nova roupagem às canções”, antecipa. E não fez por menos: "Djonsinho Cabral", por exemplo, tema que fecha o disco, um original dos lendários Tubarões, foi regravado com o mítico grupo. “Todo o álbum foi regravado com ritmos diferentes, com abordagens estéticas diferentes nas canções, está muito interessante, é como se fosse um disco novo.”

E há o vinil. Na capa, nesta reedição, Dino dará lugar a Eva. “É mesmo sobre ela.” E por isso o documentário Eva, onti y oji, uma curta-metragem realizada por Chris Costa, a abrir os concertos. “Eu ainda nem vi para ter o impacto no dia”, conta. “O Cris sempre quis fazer um filme comigo. Tinha de ser o filme certo. Este filme com a Eva é o símbolo do que eu quero que seja o futuro. Eu quis que acontecesse assim para que ela cresça bem emancipada, há coisas à volta do seu nascimento que já a tornam grande.”

Ao tio, a sobrinha fez apenas um pedido: poder levar as amigas do Algarve, onde vive, para o concerto de Lisboa. “Vem uma carrinha grande para assistir ao grande momento dela”, ri-se o artista, sabendo que hoje com dois filhos e mais três sobrinhos, além de Eva, o testemunho passa e o sonho não desvanece. “De alguma forma, tudo o que tenho feito a nível de carreira está muito focado na geração deles.”

Tivoli BBVA (Lisboa). 24 Nov. 21.30. 10-30€. Casa da Música (Porto). 6 Dez. 21.30. 20€

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