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Thayene Alves e Brenda Souto abriram o Falta Café com a vontade de trazer a comida e espírito carioca a Lisboa. Conte com pão na chapa, sanduíches, chás e cocktails de mate, e um latte de paçoca.

Thayene Alves e Brenda Souto sentiam falta do Rio de Janeiro. Sentiam falta do atendimento “mais caloroso”, da bossa nova a tocar de fundo, do pão francês típico do Brasil – da forma como começavam o dia. De repente, tornou-se óbvio: porque não abrir um café com tudo aquilo que tinham saudades de comer quando viviam no Rio de Janeiro? “Começámos este projecto porque a gente não achava um espaço assim fora do Brasil”, afirma Thayene Alves. A sócia acrescenta: “Era mais a falta nossa, de comer isso, de ter essa experiência. Provavelmente, muitos outros também têm essa falta”. O nome foi fácil de arranjar: Falta. O espaço abriu em Alcântara, em Março.
“Aqui tem muitos pães bons, mas o pão francês é uma coisa mais singular e acaba não sendo muito comum aqui”, diz Brenda, que vive há cerca de oito anos em Portugal. “É muito comum lá. Basicamente é o pão que todo o mundo come no Brasil. Então a gente fez algo muito nostálgico em relação ao Rio de Janeiro e também muito nostálgico para o Brasil inteiro”, continua Thayene, que atravessou o Atlântico há quatro anos.
Este pão está na base da carta, simples e sucinta. Até às 12.30, há pão na chapa, clássico do “café da manhã” brasileiro, com manteiga (2,50€); queijo e fiambre (4,50€); ovo e queijo (6€); queijo, ovo, bacon, tomate e orégãos (8,50€); abacate, ovo, tomate cherry e sementes (10,50€); ou ainda com cogumelos, ovo e cebolinho (10,50€).
As sanduíches, disponíveis a partir das 11.00, também são feitas em pão francês. A de linguiça com queijo derretido, cebola caramelizada, vinagrete e maionese (11€) que, segundo Brenda, “traz um churrasco de domingo para o pão”, é uma das favoritas. Segue-se a sandes de carne desfiada com pimentão, pickles de pepino, cebola crocante, rúcula e maionese (13,50€), que lembra “o almoço de casa” e “a carne de panela feita em casa da mãe ou da avó”. Também há de frango crocante, pickles de cebola roxa, alface, parmesão ralado, bacon crocante e molho caesar (12,50€); e de cogumelos, queijo coalho, espinafres, pepino e maionese de ervas (12€).
Existe ainda o “completão do Falta”, que inclui pão, abacate, ovo, bacon, fiambre, queijo e requeijão por 13€. Por mais 5€ pode adicionar iogurte e granola, e café ou sumo de laranja. Nas propostas doces conte com bowl de iogurte, granola e fruta da época (8€); papas de aveia, servidas com fruta da época, lascas de coco, pasta de amendoim e mel (7€); o famoso brigadeiro (2,50€), que vem num pequeno pote, pensado para comer à colher; e pavê (4,50€), sobremesa brasileira em camadas, que geralmente leva biscoitos champanhe e creme de limão ou chocolate. Costuma haver diferentes bolos todos os dias.
O pão, assim como o rolo de canela (3,50€) e o pão de queijo (3€), é produzido por conhecidos das sócias. Aliás, “foram os nossos clientes que fizeram a gente colocar o pão de queijo, porque no início a gente não pensava em colocar. Mas não tem como falar no Brasil sem falar de pão de queijo”, diz, entre risos, Thayene. Tudo o resto é caseiro e feito por Brenda, que assume as rédeas da cozinha.
Quando chegou a Portugal, viveu primeiro em Braga e no Porto antes de vir para Lisboa, onde trabalhou como empregada de mesa e, mais tarde, como cozinheira. Passou por sítios como a padaria doBeco, o Balthazar Caffe e o Tiffin Café, onde aprendeu muito sobre o mundo da restauração. Thayene, formada em moda, foi gerente do Seventh Brunch e depois barista no Soeurs.
“Verbalizámos o Falta em Novembro do ano passado. Foi engraçado, porque foi numa conversa em que dissemos só: ‘Vamos ser sócias?’. E pronto, a gente começou o projecto de forma muito genuína. A vontade já existia há anos. A gente começou a fazer testes do menu em casa, para ver o que poderia ser, e as coisas foram acontecendo”, conta Thayene.
O espaço, que era um antigo restaurante, foi remodelado pelas sócias. Tem uma pequena esplanada à porta e uma decoração muito minimalista e acolhedora. “É um espaço familiar. Os vizinhos até fazem o trocadilho: ‘Nossa, faltava o Falta no bairro’. A recepção foi inesperada, mas realmente conseguimos comunicar com o público. Tem dias que isso está cheio e somos só duas, e os clientes são completamente empáticos com a gente – estão aqui a aproveitar o dia, vibram com a gente quando está cheio”, partilha a proprietária, realçando que começa a formar-se uma ligação com os clientes, tanto estrangeiros como portugueses, que são já habituais.
Para os clientes brasileiros, dizem, não há nada como matar saudades dos sabores típicos do Rio, de que é exemplo o mate. “A erva mate é conhecida por ser uma infusão de chá que se bebe quente. No Rio de Janeiro, como faz muito calor, ele se transformou numa versão gelada. É vendido na praia, com maracujá ou limão. A gente trouxe para cá e foi uma surpresa. Tem muitos portugueses que gostam muito do Rio e vão lá sempre, e falaram que estavam sentindo falta disso”, afirma a barista.
Há então chá mate simples (3,50€), de limão (3,80€), ou de maracujá (4,30€). Nos cocktails de assinatura, também temos duas criações que levam esta infusão: a caipirinha com mate (7€) e o mate gin (9€). Nas bebidas à base de café, da marca Santos, de São Paulo, uma das propostas mais interessantes é o paçoca latte (5,50€), que leva creme de paçoca, feito na casa, e leite de aveia. “Amo paçoca, amo café, então falei: ‘Preciso juntar os dois num copo’. É uma delícia! Sempre que trabalhava como barista nunca vendia essa ideia, pensava: ‘Em algum momento, vou ter um lugar meu para poder fazer’”, recorda Thayene.
Outras bebidas incluem o caramelo latte (4€), flat white (3,80€), mocha (4€), matcha latte (4,50€), matcha maracujá (6€), ou o chai latte (4,50€), além de sumos naturais e copos de vinho branco, rosé, ou tinto (5€).
Todos os meses, há um especial na carta: já houve hambúrguer de linguiça e sanduíche de frango panado, com molho de tomate, queijo e fiambre. O que se mantém de mês para mês é mesmo a vontade de trazer boa comida e boa onda a este cantinho de Alcântara chamado Falta.
Rua das Fontaínhas, 6 (Alcântara). Seg e Qua-Sex 08.30-16.30, Sáb-Dom 09.00-17.00
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