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O pedido é feito no site, num quiosque de autoatendimento ou na caixa, mas é sempre rápido. Este novo espaço de grab and go foi pensado para quem não tem tempo a perder.

Melissa Jiva cresceu no Parque Verde, uma urbanização entre o Hospital de Santa Maria e a Praça de Espanha, e sempre se habituou a ver a zona ficar deserta assim que as empresas que ali funcionam se esvaziavam dos respectivos funcionários. Para quem ali mora (ainda é o caso dos pais de Melissa) não há muitas opções de comércio ou de restauração – muito menos a funcionarem para lá das seis da tarde. Porém, nos últimos anos, instalaram-se ali novas empresas, o fluxo de pessoas aumentou significativamente e a jovem de 29 anos soube que era o momento de avançar com um projeto que estava adormecido. Assim nasceu o Jacca, um espaço de refeições rápidas e saudáveis.
“Comecei a ver uma crescente dinamização de empresas no condomínio e percebi que havia falta de oferta a nível de restauração. Era preciso uma solução mais saudável e rápida. Os trabalhadores aqui que não têm muito tempo para almoçar e querem, muitas vezes, fugir um pouco ao prato do dia do restaurante português típico. Portanto, o conceito passa muito por aí”, descreve Melissa.
Bowls, sandes, snacks proteicos e sumos naturais dão para consumir ali mesmo, levar para o escritório ou para casa. Para que ninguém perca tempo, apostou-se na vertente digital do espaço. Logo à entrada há um quiosque de autoatendimento (como os ecrãs gigantes onde se fazem os pedidos no McDonald’s) intuitivo e rápido. Quem quiser pode também encomendar no site e ir depois levantar a encomenda. “Quando está pronta, o cliente recebe uma mensagem e basta vir.” Melissa costuma ficar na caixa e atrás do balcão estão dois funcionários que vão fazendo a montagem dos pedidos.
Não há serviço de mesas para que seja tudo mais rápido e funcional. O menu é pequeno e a ideia é que possa ser actualizado consoante os gostos e as necessidades dos clientes. As bento são caixas de almoço que incluem sempre legumes, salada, arroz e proteína. “Inspiramo-nos nas bento boxes japonesas e o nome vem daí.” A bento de frango teriyaki (8,95€) tem tudo o que já foi referido, além do óbvio frango e molho miso; a de bulgogi coreano (9,50€) tem carne de vaca picada, arroz basmati, salada verde e legumes com molho miso.
As sandes são feitas com pão brioche. Há de atum (6,95€), com alface e pickles de pepino; ou de frango (6,95€), com tomate cherry e alface – nenhuma leva maionese. “A pasta de atum é feita com ricota, ovo, aipo e alcaparra, por isso conseguimos ter uma pasta com uma textura cremosa sem sentirmos a falta da maionese. A pasta de frango é feita com iogurte.”
Há ainda uma opção vegan, de pulled jaca (7,95€) – tem pão de batata, pulled jaca, alface, pickles de pepino, cebola e mostarda. “A jaca tem quase a mesma consistência do pulled pork, é muito semelhante.” Estamos a falar da fruta tropical que dá nome ao espaço e que aqui é a rainha das opções saudáveis. “Compramo-la em conserva salgada, tiramos o excesso de sal, marinamos exactamente como marinamos o pulled pork e depois cozinhamos em banho-maria”, explica Melissa.
O Jacca abriu em Outubro de 2025, depois de ter ficado alguns anos guardado numa gaveta como um projecto que talvez nunca se materializasse. Melissa licenciou-se em engenharia e gestão industrial no Instituto Superior Técnico e fez um mestrado em Gestão na Universidade Católica. Trabalhou em consultoria e, mais recentemente, em gestão de investimentos imobiliários, tendo passado uma temporada na capital francesa. “O meu marido trabalhava em Paris e nas grandes metrópoles existe muito este conceito de grab and go. Em Portugal ainda se mantém a tradição de parar para almoçar, sentar, beber um café... Acho que cá ainda falta muito este tipo de conceito em que a pessoa vai buscar comida e não perde muito tempo no almoço.”
Chegaram a contactar algumas marcas de poke para trazerem o conceito para Portugal, mas como Melissa e o marido não tinham experiência na área da restauração, a ideia não avançou. “Depois, quando eu realmente decidi largar a consultoria e trabalhar por conta própria, a ideia voltou, embora não tivéssemos um conceito bem definido.”
Quando percebeu que o condomínio onde cresceu, com um espaço pedonal grande onde está agora a esplanada do Jacca, seria o ideal para testar um negócio, escolheu ocupar um espaço que em tempos foi um snack-bar. “Estava fechado desde 2021 e em mau estado, não conseguimos aproveitar nada.”
A remodelação foi total e demorou um ano (depois de alguns contratempos, sobretudo na carpintaria). O espaço tem 40 metros quadrados e design industrial, que ganha vida com o verde água dos azulejos na zona da cozinha. Lá dentro, podem sentar-se 16 pessoas. A empresa de arquitectura que assinou o projecto foi também a responsável pelo nome. “Inspiraram-se num fruto tropical, que é a jaca, e criaram um storytelling à volta disso. Nós queríamos algo que remetesse para o saudável e ficámos satisfeitos com a sugestão.”
Saudáveis são também as bowls. Podem ser de pulled pork (8,10€), com batata, pulled pork, salada de tomate e cebola; ou de cogumelos, tofu e molho teriyaki (8,10€), com quinoa, brócolos e cebola. O objectivo é que, sazonalmente, haja novidades no menu. A primeira já é das escolhas favoritas dos clientes. “Está 18 horas a cozinhar a baixa temperatura no sous-vide, fica uma carne super macia.”
Para que haja mais variedade, há pratos que vão mudando semanalmente, como frango de húmus ou caril de camarão. Há sempre sopa (2,20€) – que nunca leva batata – e um bolo à fatia (2€) que pode ser de cenoura, limão, mármore ou até brownie sem açúcar. Os menus semanais podem juntar sandes e bebida (8€), bowl e bebida (9€) ou bento e bebida (10€).
Para acompanhar, há limonada tradicional (1,60€) ou de morango (1,60€) e sempre um sumo do dia (3€). Para completar estão disponíveis bolas proteicas de coco e amêndoa (2,30€) ou manga (2,20€); barras proteicas de chocolate (2,30€), caramelo (2,40€) e frutos vermelhos (2,20€); e snacks de frutos secos, entre cheese olive (2,30€), hot onion lime (2,30€) e lightly salted (2,20€).
A maioria dos clientes do Jacca trabalha nas empresas ali à volta, mas Melissa quer também oferecer uma opção a quem vive nas redondezas. “O nosso objectivo agora é trabalhar um pouco as redes sociais para termos mais pedidos na Uber Eats e na Glovo. E assim que começarmos a ter uma cadência maior de pedidos nestas plataformas, queremos abrir à noite.”
Além disso, o pequeno-almoço também está em desenvolvimento. Para já, há iogurte com granola e kiwi (3,95€), tosta de abacate (4,20€), tosta com ovos mexidos (3,95€) ou uma simples torrada (2,20€).
Prestes a alcançar o breakeven (quando a receita do negócio iguala os custos totais) do negócio, Melissa já consegue ver o Jacca a longo prazo. “Esta zona foi o investimento mais seguro, aqui a renda não é tão exorbitante como no centro da cidade – e acredito que possamos atrair os estudantes da Católica ou os hóspedes do Hotel Marriott [ambos a apenas algumas centenas de metros de distância], mas o objectivo depois é expandir, se tudo correr bem, para localizações mais centrais. E, quem sabe, até fora de Lisboa.”
Rua Dr. Bastos Gonçalves 1, loja 3. Seg-Sex 08.30-16.30
A Gala Michelin aproxima-se – e nós já sabemos alguns detalhes sobre a cerimónia de 10 de Março. Mas antes temos a cozinha algarvia de Noélia Jerónimo no Chiado, pequenos-almoços grátis no Honest Greens e o relançamento de Henrique Sá Pessoa, agora fora do grupo Plateform, que não espera nada menos que duas estrelas Michelin. "Até ambiciono mais", disse em entrevista à Time Out. Leia ainda sobre os novos Goose, Kosuke Saito, 11:11 e Confissões.
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