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Misc By Tartar-ia
©Manuel Manso

Experiências pós-confinamento: a DGS nos restaurantes e a boa descoberta do Misc

Ao fim de dez visitas pós-Covid a restaurantes, fazemos um balanço e contas, à mesa de uma bela novidade.

Por Alfredo Lacerda
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Passou mês e meio desde que o protocolo Covid na restauração está a ser aplicado, e pode-se desde já concluir o seguinte, com base numa dezena de incursões (nem todas elegíveis para esta crítica). Há quem meça a rigor a distância entre mesas, mas mais de metade terá a fita métrica avariada. Há quem disponibilize gel à entrada (um quarto); quem o tenha só em áreas comuns (dois quartos); e quem nem à entrada, nem à saída, nem em lado nenhum (um quarto).

Há empregados que usam bem a máscara (a maioria, seis em dez); outros que a usam com o nariz de fora (dois em dez); outros que quando têm de chamar um colega a colocam para baixo (um caso); e ainda há sushimen que não usam máscara e esfregam o nariz entre um hozomaki e um niguiri (um caso). Há quem limpe as mesas na presença dos clientes (metade); quem limpe as mesas e a louça (um caso); e quem nem uma coisa nem outra (quatro casos). Há quem tenha adoptado menus por QR code (um terço); quem prefira menus descartáveis ou outras estratégias para que as pessoas não tenham de os manipular (metade); e quem se tenha limitado a plastificar as cartas (dois casos).

Há restaurantes que estão compostos, com lotação para cima de um terço (metade, sobretudo os com esplanadas em bairros residenciais); e há restaurantes praticamente vazios (outra metade, sobretudo os sem esplanada, com espaço interior reduzido ou instalados em zonas mais turísticas, entre o Castelo e Santos).

Outra nota. Embora as situações sejam diversas, como se vê, parece haver um afrouxamento gradual no cumprimento das orientações da DGS, desde o dia 18 de Maio.

Enfim, não é o caso do restaurante desta semana. Quem quiser comer em segurança – e bem – tem neste Misc uma boa opção. Gel (obrigatório) logo à porta. Cozinha aberta (muito importante). Máscaras bem postas e asseadas. Menu descartável (vinhos) e escrito no espelho. Pouca gente a manipular os pratos (duas pessoas). Poucos clientes (infelizmente, só eu e a minha companhia, num dia de semana).

Mas o que é o Misc by Tartar-ia? É um projecto da mesma equipa que esteve na origem da Tartar-ia, restaurante que nasceu para o Time Out Market, com grande sucesso, mesmo ali ao lado. Aos comandos estão Maria Calheiros Machado, dona e anfitriã, e o chef Vítor Santos.

O restaurante fica mesmo ao lado do Pistola y Corazón, agora encerrado, e da rua vê-se sobretudo o longo e bonito balcão. Ao fundo, há espaço para mesas, poucas, luzes intimistas, decoração limpa, particularmente encantadora à noite.

O menu é curto, como convém nesta orgânica e nestes tempos. Da antiga Tartar-ia (entretanto, extinta) vieram os tártaros clássicos, todos muito bons, sempre delicadas composições. Mas metade da carta é uma miscelânea de comida (Misc vem daí), cuja única preocupação é dar-nos conforto e felicidade.

Os croquetes de beringela são do tamanho de berlindes abafadores, secos e estaladiços e recheados com um puré de beringela suave. Há também um croquete clássico, que traz a carne desfiada, saborosíssima. Aparentemente, esse mesmo recheio entra no brioche de rabo de boi, o pão fofo e leve com origem na Gleba, picles caseiros, acidez, gordura e frescura, tudo equilibrado e gostoso.

Dois arrozes são protagonistas de pratos mais sérios. Experimentei o de perdiz, um arroz de forno servido em sertã de ferro, com espargos e cogumelos shitake, o bago gordo da variedade Arborio. Muito bom já assim, teria sido brilhante com mais caramelização no topo e mais humidade no arroz.

Brilhante é a única sobremesa da carta, uma tarte de queijo extraordinária, das melhores que tenho comido, o queijo ao estilo do cheesecake basco, a base de bolacha compacta, crocante, ao lado crumble com queijo esfarelado (feta?).

Para terminar, café de filtro, fluido e aromático.

Nota ainda para a carta de vinhos, uma dezena de escolhas muito bem vistas que torna, este Misc num excelente gastro-bar, a pedir uma visita ao fim da tarde para um copo e um petisco.

Vão lá, estarão seguros e estarão bem servidos.

Rua da Boavista, 14 (Cais do Sodré). 21 805 1457. Seg-Sex 12.00-22.00, Sáb-Dom 18.00- 23.00. Preço: 25€-35€

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