Notícias

No Ema há matcha de frutos vermelhos ou canela e tempo para pôr a conversa em dia

Thuany Auni trocou o Brasil por Portugal para continuar os estudos de moda, mas foi na restauração que se realizou. Criou uma carta curta de bebidas e comidas para conseguir preparar tudo enquanto troca experiências com os clientes.

Andreia Costa
Escrito por
Andreia Costa
Ema
@Ema | Ema
Publicidade

Há anos que Thuany Auni procurava um espaço. Ou melhor, estava à espera que um espaço a procurasse a ela. Sem pressas, sabia que quando encontrasse o local ideal, estaria preparada para avançar com o negócio que já vivia há muito dentro da sua cabeça. Quando empurrou a porta verde escuro do número 52 da Rua dos Poiais de São Bento, não teve dúvidas: tinha encontrado a casa onde queria servir matcha, petiscos, slow coffee e, sobretudo, tempo para conversar.

“Eu sempre quis um espaço pequeno, que tivesse características muito concretas e que não fosse super novo e branco. Já tinha imaginado o que queria e, quando aqui cheguei, era exactamente isto: com detalhes diferentes, o chão que chama a atenção, etc. Disse logo: ‘É o Ema, não há forma de ser outra coisa’.” 

O nome estava guardado para algo especial – talvez um animal de estimação? –, mas o projecto adiantou-se. “É fácil de dizer em muitas línguas e isso é bom, porque também queria algo catchy”, explica Thuany à Time Out.

Ema
@EmaThuany Auni, a dona do Ema

Em Novembro de 2025 começaram as obras, as portas abriram um mês depois. Os vizinhos, que acompanharam as renovações empoleirados nas janelas dos prédios em frente, estavam curiosos e foram dos primeiros clientes, a 6 de Dezembro. 

Thuany fez quase todas as obras sozinha, afinal descreve-se como alguém “viciado em decoração”. “Assim que entrei consegui visualizar onde queria o balcão, as mesas, tudo. Fui juntando as referências que tinha, de espaços e no Pinterest, e projectei o espaço.” Comprou placas de madeira e metal e construiu o balcão à medida; pintou as paredes e manteve uma vitrine branca que se encontra logo à entrada, do lado direito. Lá no alto, uma roseta de tecto lembra que este é um local com história, tal como o chão, feito de azulejos com padrão geométrico bordeaux, cinzento e branco, cujas marcas de uso só revelam que ali já se viveu – e bem. “A ideia foi aproveitar o que o espaço tem de belo, como o chão e o tecto, foram essas coisas que me encantaram.”

O design gráfico (das ementas, do logo e do merchandise, que inclui camisolas e brevemente bonés e tote bags) ficou a cargo da namorada de Thuany e vai buscar os tons bordeaux e amarelo claro que estão presentes em vários apontamentos do Ema.

Ema
@EmaEma

No menu há muitas inspirações do Japão e de Paris. A primeira lista apresenta todas as opções de matcha – aquilo que a proprietária queria mesmo ter. “Às vezes as pessoas não têm experiências boas. Eu sentia muito isso e fazia muitos testes e misturas de sabor em casa, mas não encontrava em lugar nenhum um sabor diferente que não fosse o matcha com morango.”

Thuany também quis contrariar aquela ideia de um espaço de matcha “com cara de laboratório”. “Eu não preciso de estar num lugar branco cheio de medidas e coisas assim para mostrar que gosto de matcha, sabe? Sentia que eu, como cliente, precisava deste espaço confortável e quis trazer sabores que ainda ninguém provou.”

Um deles é o matcha latte com oat earl grey (6€), que não existe noutro local, garante, e que é já uma das estrelas do menu. “Para quem gosta do matcha mesmo forte, ele tem dupla cafeína.” Outro é o matcha de frutos vermelhos com creme (6€) que agrada quem prefere opções mais doces. Já o de canela cream (6€) tem um ligeiro travo a coco que corta a intensidade da canela. Sugestão: quando o sol começar a aparecer, beba-o gelado. Quem diz que não gosta de matcha, é bem capaz de mudar de ideias. 

Ema
@EmaMatcha no Ema
Ema
@EmaMatcha de canela cream do Ema

Há ainda opções de banana purée (6€), mirtilo (5,50€) ou o clássico matcha latte (5€). Em todos pode escolher entre leite normal, de aveia, amêndoa ou côco — sem qualquer custo adicional. 

Entre as mesas redondas bordeaux e um balcão metálico há espaço para 12 pessoas, nem mais nem menos do que aquilo que Thuany precisava. O objectivo sempre foi ter um espaço pequeno que não seja só um ponto de passagem, mas sim que as pessoas tenham tempo para se sentarem – se for de manhã então, as duas mesas mais próximas da porta recebem o sol como companhia. “Quero que as pessoas fiquem e aproveitem para ler, trabalhar, escrever.” 

Ema
@EmaO Ema serve uma sanduíche de shokupan (brioche japonês) com frango
Ema
@EmaUm dos snacks-estrela do Ema: a cebola caramelizada

Para comer há, por exemplo, uma sanduíche de shokupan (brioche japonês) com frango (12€). Leva pesto, grana padano e maionese temperada, tudo devidamente encaixado num pão tostado, estaladiço a cada dentada. A torrada de miso (6€) é uma boa opção para os madrugadores – feita com pão sourdough, manteiga de miso, queijo da ilha e geleia de figo. A cebola caramelizada (7€) está a ganhar cada vez mais adeptos, até porque o aroma se espalha pelo ar, muito para lá das portas que dão para a rua. A tosta no pão sourdough junta cebola caramelizada, queijo e mel. 

O lado dos doces está igualmente bem representado com o noisette brownie (7€), com creme de blueberry e brigadeiro de miso, e com o iogurte, chia e granola (6€), a que se junta geleia de blueberry, fruta da estação e mel aromatizado com cardamomo. Contudo, no meio disto, há já um best-seller: o doce de leite shokupan (10€). “É o que vendemos mais, sem dúvida. Vem com doce de leite, flor de sal e banana brûlée e um pouquinho de amendoim.” Come-se aqui ou leva-se para casa, ainda morno, a escolha é sua.

Ema
@EmaDoce de leite shokupan – um favorito do Ema

Sobra o café, aqui apenas de filtro. No menu que exibe o rabisco de um cão – uma homenagem ao animal de estimação de Thuany –, há café de filtro (2,80€), claro, mas também caramelo latte (4€) ou ainda v60 (5€). Este, como exige um tempo de preparação e supervisão maiores, só está disponível se houver pouco movimento. Nem sempre é o caso – há já quem chegue depois de ter visto um vídeo no TikTok sobre o Ema.

Para Thuany estão finalmente firmes as raízes que tanto procurava quando trocou o Rio de Janeiro por Lisboa, há sete anos. Lá trabalhava na área da moda e foi para fazer um curso de Marketing de Moda que viajou para Portugal. “Estava numa fase em que precisava de entender o que queria, por isso vim com o coração muito aberto.” Para se sustentar começou a trabalhar em restauração – apesar de uma breve passagem por uma loja do Bairro Alto como visual merchandiser – e percebeu que era algo de que gostava. “Aprendi muito, tinha muita liberdade para criar o que quisesse e foi essencial ter esses anos de experiência a gerir pessoas e negócios.”

Ema
@EmaEma

No Ema, o menu é propositadamente curto para que seja suficiente estar apenas um funcionário a trabalhar. “Queremos que as pessoas se olhem nos olhos e queremos atender com calma. A ideia é que as pessoas que chegam saibam o nome da Catarina [que ali trabalha em part-time], saibam o meu nome, às vezes temos o João [outro funcionário] aqui também. Queremos que saibam de onde vimos, qual a nossa história. Isto foi o que eu sonhei: fazer o que gosto e poder partilhá-lo.”

Apesar de plenamente feliz no seu pequeno número 52, Thuany admite: “Acho que o Ema não foi feito para estar em um espaço só. Nem pode estar.” 

Rua dos Poiais de São Bento, 52. Seg-Sex 09.30-15.30, Sáb-Dom 10.00-16.00

As últimas de Comer & Beber na Time Out

Está à procura dos melhores restaurantes de Lisboa? Escolhemos os 100 que mais nos entusiasmam para 2026. Nas novidades, ainda cheiram a tinta os artigos sobre a Bonkers, o Flamma, o Faminto ou o Black Moon. No departamento das sandes, o Vetrina chegou a Campo de Ourique e o Katsu, no Cais do Sodré, é um fenómeno. Voltando aos chefs, tome nota destas notícias: Maurício Varela tomou conta do Ofício e Ana Leão do Corrupio.

Últimas notícias
    Publicidade