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Sanduíches japonesas, frango frito e dumplings. O Katsu é isso e muito mais

Rais Gainullin e Ilya Mochalin são os cozinheiros e amigos por detrás deste bistrô asiático no Cais do Sodré. Entre tatakis e rolos de sushi, frango frito e katsu sando, a carta está recheada de comida de conforto.

Beatriz Magalhães
Escrito por
Beatriz Magalhães
Jornalista
Katsu Asian Bistro
Rita Chantre | Katsu Asian Bistro
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A primeira ideia de Ilya Mochalin foi abrir um supermercado asiático que vendesse noodles instantâneos. Um 7-Eleven, no fundo. Mas depois de muito brainstorming com o sócio Rais Gainullin, os dois decidiram abrir um restaurante de inspiração asiática. Que fique bem claro, no entanto, que não é um restaurante asiático como outro qualquer. A cozinha não se rege por regras bem definidas e não serve pratos autênticos. É um sítio de “junk food feita com bons ingredientes”, descreve Rais Gainullin. Abriu há cerca de seis meses, no Cais do Sodré, e chama-se Katsu Asian Bistro. As famosas sandes japonesas que lhe dão nome não são as únicas iguarias que lá vai encontrar – conte com sushi, frango frito, sopas e dumplings.

Rais e Ilya são sócios, mas também amigos e cozinheiros. Vieram da Rússia há mais ou menos três anos e conheceram-se no café Liberty, onde trabalharam juntos. Depois disso, Rais foi chefiar o Pils – agora chefiado por Liz Almeida – e Ilya foi trabalhar para o bar de vinhos Holy Wine, enquanto fazia trabalhos de consultoria. Acabariam por juntar-se novamente para abrir o Katsu.

“Pensámos em vários conceitos diferentes, mas percebemos que é dos sabores asiáticos de que realmente gostamos. Todos os dias, cozinho algo asiático em casa e, aos fins-de-semana, como sempre comida asiática”, contextualiza Rais, que, tal como o amigo Ilya, é fã de sítios como o Mercado Oriental e o restaurante Sabores do Sichuan. “Fazemos comida de que gostamos. É comida simples, que todos conhecem – não fazemos grandes experiências. E tentamos manter este nível de preço, porque a comida de que gostamos não deve ser cara, deve ser de conforto e servida em grandes porções. Daí, termos chamado o Katsu de bistrô.”

Katsu Asian Bistro
Rita ChantreRais Gainullin e Ilya Mochalin, proprietários do Katsu

O sucesso foi imediato. Nem Rais nem Ilya estavam à espera que tal acontecesse tão rápido. “Ficámos chocados. Na segunda semana estávamos a correr [na cozinha] todos os dias. Mudou totalmente os nossos planos e, por causa disso, deixámos de trabalhar no serviço, porque tínhamos imenso trabalho de gestão para fazer”, explica Rais, que hoje tem 12 pessoas na cozinha. “Todos os dias tínhamos fila e o tempo de espera era de uma hora, hora e meia. Recebíamos algumas queixas, então começámos a fazer reservas. Mas, para nós, era muito importante continuar a ter walk-ins, porque não temos um restaurante especial. É um sítio onde as pessoas podem simplesmente aparecer para comer qualquer coisa.”

Katsu Asian Bistro
Rita ChantreFrango crocante com molho agridoce com ananás

O espaço fica no início da Rua do Corpo Santo, onde desemboca a Rua Cor-de-Rosa. A zona é altamente turística e conhecida pela sua vida nocturna, ainda que nos últimos tempos tenha vindo a tornar-se cada vez mais insegura. Estas eram, aliás, as razões pelas quais os sócios não queriam abrir o restaurante no Cais do Sodré – o que acabaria por acontecer à falta de um espaço melhor. Afinal, não é assim tão mau. Totalmente aberto, sem paredes ou barreiras entre a cozinha e a sala, o sítio é simples e funcional. Bastou apenas pintar as paredes de branco, renovar o chão e escolher a mobília. A seguir, veio a parte mais divertida e também mais importante: criar a carta.

A proposta central é, sem surpresas, as katsu sando, sanduíches típicas japonesas. Há quatro variedades (14€): de frango crocante com aioli de anchova, couve e molho tonkatsu; porco crocante com aioli clássico, couve e molho tonkatsu; e de cogumelos ou bacalhau panado com maionese de kimchi e também com couve e molho tonkatsu. A de bacalhau é talvez a mais surpreendente, mas acreditamos que as restantes serão igualmente saborosas. Se não estiver virado para uma sandes (vá se lá saber porquê), também há katsudon – outro prato de origem nipónica, com arroz – cujos ingredientes principais são os mesmos (16€).

Katsu Asian Bistro
Rita ChantreTataki de charuteiro e prato de kimchi, salada de pepino e rabanete fermentado
Katsu Asian Bistro
Rita ChantreTataki de atum braseado

Antes disso, vale a pena olhar com atenção para as entradas. Entre elas, a salada de pepino, o kimchi tradicional e de ananás, e o rabanete fermentado (todos 4€), além dos nossos favoritos: os tatakis de atum braseado com molho de tomate assado ou de charuteiro guarnecido de toranja, laranja, chalota e coentros (ambos 14€). O frango frito, ao estilo coreano, coberto de molho agridoce com ananás (10€) é também uma gulosa perdição. 

Os rolos de sushi não são rolos asiáticos clássicos, antes eslavos, assim os caracterizam Rais e Ilya. “Tentamos fazer grandes porções, então os nossos primeiros três rolos eram muito grandes. Chegámos a ter queixas de pessoas a dizer que eram demasiado grandes, que não cabiam na boca”, ri-se Rais. De facto, são grandes e, tal como grande parte do menu, óptimos para partilhar. Há sete rolos diferentes (15€-19€), ora de uramaki de atum ou salmão com queijo creme, pepino e abacate, ora de enguia grelhada e camarão.

Katsu Asian Bistro
Rita ChantreKatsu de bacalhau panado
Katsu Asian Bistro
Rita ChantreDumplings de frango e camarão com molho cremoso

Nos pratos principais, temos massas, frango Kung Pao com arroz e dumplings, de carne de vaca, cebola e óleo de malagueta (16€), de couve e porco (14€), e de uma mistura de frango e camarão. Estes últimos são cobertos com um molho cremoso e caviar fumado (16€). Para dias frios, há sopas (14€-15€), de peixe, de porco ou de legumes. De sobremesas, conte com cheesecake com chocolate branco torrado e donut de matcha (ambas 6€). 

Todas as semanas, há um menu de almoço (15€), que inclui um prato principal e uma bebida. É pensado para turistas ou para quem queira experimentar o Katsu por um preço mais acessível. Já no campo das bebidas, há que mencionar os cocktails (9€). Entre os clássicos, destacam-se reinvenções como o Spritz de lichia, o Highball de ananás, o Negroni de rabanete e mel ou o Sour de melão e aloé. Há também um Bloody Mary de kimchi. A casa tem ainda sake, uma selecção de vinhos portugueses, cerveja, chá, matcha, limonada e kombucha caseira.

Katsu Asian Bistro
Rita ChantreBloody Mary de kimchi

Para já, os sócios do Katsu não conseguem dizer se há um prato favorito dos clientes. Todo o menu sai bem. Não existem, assim, mudanças frequentes na carta. Existe, sim, uma vontade constante de elevar os pratos e de ir criando propostas que tanto Rais como Ilya querem experimentar.

Na próxima quinta-feira, 26 de Fevereiro, o restaurante recebe o seu primeiro pop-up, em celebração do Ano Novo Chinês, com a chef Chimi. É natural de Xangai e vive na Ericeira, onde costuma organizar supper clubs e outros eventos culinários. Os lugares são limitados, por isso é preciso fazer reserva. Não é certo, mas pode ser que esta venha a ser a primeira de muitas colaborações.

Rua do Corpo Santo, 22 (Cais do Sodré). Qua-Dom 12.00-23.00

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