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O Pátio das Antigas: Os tempos épicos dos piqueniques na praia

Entre o final do século XIX e o início do século passado, ir de Lisboa para uma praia como o Guincho e fazer lá um piquenique era uma aventura. Mesmo se se tivesse criadagem.

Escrito por
Eurico de Barros
Um piquenique no Guincho
Arquivo da Torre do Tombo
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Hoje em dia, para ir à praia e comer por lá sem gastar dinheiro num restaurante ou numa esplanada, pega-se na família, no carro, na geleira e nuns recipientes plásticos com sandes, fruta e bolachas, e toca a andar. Em 1898, ano em que a foto desta página foi tirada, na praia do Guincho, para ilustrar um piquenique à beira-mar dos então chamados “elegantes”, era uma verdadeira aventura.

A viagem até à praia a partir de Lisboa (na altura, nem se falava no Algarve) era feita em carroças e podia demorar algumas horas, caso o destino fossem os areais mais distantes da capital. Além de uma tenda para os comensais se abrigarem do sol e do vento, como a que se vê na foto (e que tinha de ser penosamente montada), era preciso levar mesas, cadeiras e bancos. Vinha depois a comida, em vários recipientes pesados e nada práticos, assim como as bebidas, caso das garrafas de vinho, a água e os xaropes para as senhoras e as crianças, e mesmo o champanhe. Como na altura eram, essencialmente, os mais abastados que se podiam dar ao luxo de fazer um piquenique na praia, cabia à criadagem transportar toda esta traquitana e instalá-la. E nada de roupas frescas ou arejadas, como se vê pelos trajes dos “elegantes” que foram imortalizados para a posteridade na nossa foto. Assim eram os tempos épicos dos piqueniques na praia, entre finais do século XIX e inícios do século passado.

Coisas e loisas de outras eras:

+ A estátua de D. Pedro IV em construção

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