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Ostras, gildas e empanadas: este salão pede petiscos de fim de tarde e vinhos naturais

O espaço já foi conhecido como Comida Independente. A mercearia moderna fechou portas no Verão de 2025 e deu lugar ao Salón, uma mesa (ou balcão) para todas as horas do dia.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Salón
Rita Chantre | Gildas, carpaccio e empanadas de camarão
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Habituámo-nos a chamar a este espaço Comida Independente, mas a mercearia e garrafeira de Rita Santos, direccionada para pequenos produtores regionais e nacionais, fechou portas no Verão do ano passado. Não sem que antes a proprietária, que por ali ficou durante sete anos, tenha acautelado uma sucessão digna. "A Rita é uma amiga e ligou-me a perguntar se conhecia alguém, porque ela queria passar o espaço a alguém de confiança", começa por contar Natalia Sly, uma das sócias do Salón, que abriu ainda no final do ano passado.

Lançado o repto, o plano seguiu por via telefónica. Segundo Farrell, amigo, compatriota e chef de um outro restaurante não muito longe daqui, alinhou em tomar conta da cozinha. Com um terceiro sócio, Márcio Duarte da Tasca Zebras, o projecto ganhou forma. A começar pela transformação do espaço – não foi profunda, Natalia apenas o tornou mais amplo, com um balcão oval ao centro. "Para mim, este espaço já era perfeito. Fica no centro de Santos, mas tem este espaço todo para a esplanada. Reciclámos o que já havia – os frigoríficos, o chão é o de antes. Só tirámos as paredes todas de dentro e fizemos um salão mesmo", refere.

Salón
Rita ChantreSalón

O espaço denuncia sentido estético, mas também o desejo de criar um ambiente informal. As mesas estão cobertas pela tradicional toalha branca de papel texturada, mas há dois balcões em alternativa – um de inox que circunda a coluna central, o outro voltado para a zona de preparação dos pratos. É o território do chef argentino Segundo Farrell, cujas habilidades gastronómicas já conhecemos da La Joya Cantina, em São Bento. Se na cantina a aposta é a comida de conforto, no salão muitas das sugestões foram pensadas para petiscar ao final da tarde.

"O menu foi pensado em função do que gostaríamos de comer quando estamos a tomar um vinho. Então, temos petiscos e pratos principais que também dão para partilhar. O menu não tem uma nacionalidade, o que tentamos fazer é uma cozinha de produto. Os nossos pratos são simples, não têm muitos ingredientes", apresenta o chef. Num menu pouco extenso, brilham clássicos que todos conhecem. Carnudas e saborosas, as gildas (2,50€) são as primeiras a chegar à mesa, com azeitona e anchova. As ostras (2,50€) vêm do Algarve. As empanadas são uma especialidade imperdível – já na La Joya o são –, aqui com recheio de camarão, tomate, alho, coentros e gengibre (5,50€). O carpaccio é feito com carne argentina (16,50€), disposta sobre uma cama de parmesão e alcaparras.

Salón
Rita ChantreSalón

Numa carta centrada nos petiscos, os pratos mais robustos têm pouca expressão, mas estão lá – uma bochecha de vaca com demi-glace (18€), um peito de pato com cerejas e beterraba (20€), o peixe do dia (preço sob consulta) e mais umas quantas opções que ficam à margem do menu. Por muito mais tentador que seja reservar uma mesa para jantar – na esplanada ou junto a uma das janelas –, o Salón quer ser um restaurante para o dia inteiro, razão pela qual existe um menu de almoço. Inclui entrada, prato principal, café ou sobremesa – o preço varia entre 16€ e 18€.

Na hora de sugerir uma sobremesa, o chef não hesita. Há claramente uma ponta-de-lança – o sundae de amêndoa (9,50€), uma fatia de banana bread regada com toffee de miso, com um cremoso gelado, generosamente servido por uma máquina profissional. Aos apreciadores da doçaria tradicional sul-americana, deixamos a sugestão do alfajor misto, com chocolate e amendoim (8,50€).

Salón
Rita ChantreSalón

Outro motivo de orgulho na casa é a carta de vinhos, com cerca de uma centena de referências e uma forte presença de vinhos naturais e de rótulos portugueses. Os preços são à garrafa, mas todos os dias é feita uma selecção de vinhos para servir a copo – os preços andam entre os 6€ e os 8€. Depois, há o vinho da casa, feito por António Maçanita e servido em garrafas sem rótulo. O White e o Red Salón custam 28€ e 29€, respectivamente.

"Uma das coisas mais bonitas de ter um restaurante é poder chamar bons chefs", admite Segundo Farrell. "Ao longo dos meus anos de trabalho na cozinha, conheci muitos chefs que hoje admiro e que agora tenho a oportunidade de convidar para cozinharem aqui." Quer isto dizer que, uma vez por mês, o Salón recebe um chef convidado, um pop-up gastronómico que regressa já este sábado, 5 de Setembro, com o argentino Leo Lanussol do NESS, restaurante que integra a lista dos 50 Best.

Salón
Rita ChantreSundae de amêndoa, Salón

Para Outubro, há já duas visitas confirmadas. A primeira será de Vanina Chimeno, uma chef argentina que se especializou em massas. A outra será apenas no final do mês e vai trazer a charcutaria de José Juaroz para o centro da cozinha do Salón.

Paralelamente, os três sócios querem que o restaurante seja palco de outros eventos, nomeadamente workshops e masterclasses de cozinha que atraiam uma comunidade de gastrónomos. Mais do que comer e beber, neste salão também se pode partilhar e aprender sobre comida.

Rua Cais do Tojo, 28 (Santos). Ter-Dom 12.00-01.00

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