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Pedro Borges e o Cinema Ideal: heróis urbanos para a revista Monocle

Por
Claudia Lima Carvalho
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Abriu quando todas as salas de cinema de bairro desapareciam, ainda a crise apertava, e isso valeu agora um elogio da Monocle. Pedro Borges, produtor e distribuidor da Midas Filmes, responsável por devolver o Cinema Ideal à cidade em 2014, é um dos heróis urbanos em destaque na edição de Verão da revista britânica.

“Uma cena de cinemas de arte e ensaio é uma componente vital de qualquer cidade cosmopolita”, lê-se na publicação, que na rubrica “Urban Heroes” dá espaço a “pessoas que estão a liderar o caminho para melhorar as suas cidades”, “residentes que compreendem os problemas das suas cidades e o seu potencial”.

É aqui que entra Pedro Borges, cuja fotografia vem acompanhada por um pequeno perfil. “Se quiséssemos ver um filme, tínhamos de ir a um centro comercial fora do centro de Lisboa”, conta o produtor à Monocle, recordando o início do Cinema Ideal, em plena Rua do Loreto, entre o Largo de Camões e a Calçada do Combro.

O cinema abriu em 2014, depois de anos de portas fechadas. Antes, foi o Cine Paraíso, uma sala que abriu na década de 1990 e que começou com a exibição regular de filmes comerciais mas acabou por se dedicar à pornografia.

A história do Cinema Ideal é, no entanto, mais antiga. O cinema é provavelmente o mais antigo de Lisboa, tendo sido inaugurado em 1904 por João Freire Correia. Começou por ter o nome de Salão Loreto por ser Loreto o nome da rua onde fica, mas depressa se rebaptizou Salão Ideal. Ideal era o nome de uma barraca que circulava pelas feiras de Lisboa em 1908 e que servia como uma extensão do cinema.

Manteve-se com este nome até à década de 1970 e assim foi enfrentando o passar do tempo, até que as salas de cinema se começaram a multiplicar por Lisboa e a quebra na procura começou a sentir-se. Mudou de gerência, por consequência de nome e passou a chamar-se Cine Camões, mas não durou muito tempo. Fechou portas e abriu então como Cine Paraíso muitos anos depois.

Quase a completar quatro anos desta nova vida impulsionada por Pedro Borges, o Cinema Ideal vai sofrer uma pequena obra de remodelação, que passará pela transformação da entrada do cinema e reformulação da fachada do prédio, anuncia a Midas Filmes. “Queremos continuar a melhorar o Ideal e não apenas a nível da programação”, lê-se na nota. “Mesmo se – infelizmente – a nível oficial o Instituto de Cinema resiste a reconhecer o trabalho que fazemos e adiou – ainda por mais um ano – a reformulação dos apoios à exibição cinematográfica independente”, acrescenta ainda.

No último ano o Cinema Ideal estreou 64 filmes. 92% são de origem não-americana, dos quais 81% de origem europeia, e 28% de filmes portugueses – um terço destes filmes estreados foram documentários. O Cinema Ideal recebeu quase 40 mil espectadores (39.710), tendo acolhido sessões de seis diferentes festivais de cinema e realizado quase uma dezena de sessões dedicadas aos miúdos e idosos de programas da Junta de Freguesia da Misericórdia, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.

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