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Também queremos: tudo o que invejámos de outras cidades em Abril

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Um beer garden à séria, um museu do graffiti, uma academia de bingo e um sítio onde fazer o nosso próprio néon. Nós também queremos!

1. Um beer garden à séria

Uma mistura de esplanada, terraço e jardim para consumir bebidas fermentadas à base de cevada e lúpulo.

 

Em Lisboa somos abençoados com uma abundância tal de luz celeste que nos esquecemos de lhe dar valor. É por isso que devíamos inspirarmo-nos em projectos como o The Prince, um food hall de vários restaurantes que inclui o maior beer garden de Londres, cidade onde o Sol aparece com menos frequência. Atenção: um beer garden não é um jardim feito de cerveja, mas sim um lugar ao ar livre onde se podem degustar imperiais e seus derivados. É, por regra, um espaço aberto, com vegetação abundante. Em Lisboa temos muitas esplanadas, mas falta-nos ainda uma pérgula, um caramanchão ou uma estrutura forrada a aristolóquias para podermos dar-nos por realizados – aristolóquias são trepadeiras, não precisam de ir googlar. O The Prince abriu esta Primavera e respeita a tradição inglesa de beber um copo ao fim do dia; e a tradição ainda mais inglesa de chover, por isso tem um tecto amovível para que não se junte água à cerveja. Os beer garden, uma tradição com origem na Bavária, têm outra característica: bancos corridos e mesas compridas, para empernar com desconhecidos e debater quem é que fica com o último tremoço.

2. Um museu do graffiti

Tudo bem que muitas das nossas ruas são um museu a céu aberto, mas já viram o que choveu este ano?

 

Somos óptimos a atribuir características humanas a animais (olá senhor La Fontaine), mas péssimos a personificar edifícios. Inventámos que “as paredes têm ouvidos”, mas podíamos ter ido mais longe. Olhamos para o graffiti e temos mais um elemento a acrescentar: as paredes, algumas paredes, têm tatuagens. Para celebrar esse facto, a cidade de Berlim inaugurou no passado mês de Setembro o Urban Nation, um museu de street art. As peças que costumam ficar na rua, à mercê dos elementos, passam para o interior de um edifício recuperado no bairro de Schoneberg. Guardar a arte urbana debaixo de um telhado pode parecer um contra-senso – e coloca-nos questões interessantes sobre a legitimação do graffiti e o aburguesamento da arte pública. Mas também é uma óptima maneira de juntar vários artistas no mesmo sítio. Sem os caprichos do clima e sem ter de andar de bairro em bairro para ver paredes pintadas, conseguimos absorver mais arte urbana por metro quadrado. E isso é um luxo que não nos importávamos de importar.

3. Uma academia de bingo

Porque não há nada melhor do que um serão a ouvir números e a fazer riscos em cartões.

 

Vamos a qualquer um dos bingos de Lisboa e vemos reformados a fumar cigarros enquanto ouvem uma voz monocórdica repetir algarismos, numa espécie esquizofrénica de contagem crescente – ou decrescente, não interessa. Não é o ambiente mais estimulante do mundo, mas o bingo pode ser um jogo divertido. Em Londres, há várias iniciativas de salvação deste passatempo geriátrico. Como a Bingo Academy, uma tentativa corajosa de trazer este desporto (desporto?) para as gerações mais novas. Há concertos, bancas de street food, um bar bem apetrechado e os mesmos prémios que fazem os mais velhos esquecerem os problemas de ancas para se levantarem e gritarem “Bingo!”. Esta academia londrina tem a particularidade de leccionar algumas das regras do jogo, que em inglês está recheado de expressões particulares e uma etiqueta muito própria. Exemplo, em vez de dizer cinco (“five”), o apresentador diz “man alive” uma rima mais comprida. Em vez de três (“three”) diz-se “cup of tea”. E no lugar do número 16 diz-se “never been kissed” (nunca fui beijado/a), numa referência à idade de consentimento do Reino Unido, 16 anos. Enfim, inglesices.

4. Um sítio onde fazer o nosso próprio néon

A Brooklyn Glass, em Nova Iorque, organiza workshops de um dia onde pode aprender a moldar o vidro para brilhar à sua vontade.

 

Quem nunca sonhou em ter um reclame luminoso em casa? Ok, se calhar muita gente. Mas se as paredes têm ouvidos, por que é que não podem ter também boca e gritar uma frase, uma palavra ou apenas uma letra? Em Nova Iorque existe um sítio onde é possível aprender a fazer estes objectos e levá-los para casa a seguir: a Brooklyn Glass, uma oficina que organiza workshops de um dia onde se aprende a moldar o vidro até à nossa forma desejada e enchê-lo do gás que o faz brilhar. Uma aula custa 250 dólares, mas inclui todos os materiais necessários para construir uma forma abstracta. Um fim-de-semana intensivo de construção de letreiros custa 400 e poucos euros e permite chegar a formas mais elaboradas. Mas se o que quer mesmo é escrever o seu nome em vidro luminoso vai precisar de mais horas. É por isso que o Brooklyn Glass aluga a oficina para quem se quer dedicar a projectos maiores. Todo o trabalho é feito à mão e não há dois néons iguais. Em Lisboa existe o Projecto Letreiro Galeria, que se dedica à recuperação e preservação destas tatuagens de paredes e fachadas. E existe também uma pequena oficina perto de Santa Apolónia que os constrói de raiz. Se calhar é altura de meter estes dois em contacto, não é?

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