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Verde para onde quer que se olhe: há mais um matcha bar em Lisboa (e este tem cocktails)

No Hale Matcha, o matcha cerimonial é o ingrediente principal – mas também há hojicha, kombucha ou affogato.

Escrito por
Andreia Costa
Hale Matcha
DR
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Foi quando estava à procura online por inspiração de cores, mobiliário e decoração que Mariana Mendes se cruzou com a palavra “inhale (inspirar)”. Ficou a olhar para ela demoradamente, porque lhe soou bem, e depois desconstruiu-a: ficou com “hale”. Por curiosidade, pesquisou se já existia alguma marca registada com esse nome (não havia) e foi à procura do significado. “Saudável, em forma, robusto e vigoroso” foram alguns dos conceitos que encontrou. Decidiu então que era esse o nome que queria para o seu primeiro negócio. 

O Hale Matcha abriu na Rua Garcia de Orta, em Santos, discreto e pequeno, encaixado entre prédios altos. É acolhedor e descontraído e fez-se à imagem da dona. Há sobretudo bebidas e algumas opções para comer. Tudo (ou quase) é feito com matcha, como o nome deixa antever. Ainda assim, “não é suposto ser daqueles conceitos em que é tudo sem glúten, tudo vegan, tudo chato. Acaba por ser vegan porque eu sou vegan e faz sentido para mim, mas quero que as pessoas tenham prazer”, explica Mariana à Time Out.

Hale Matcha
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Quem já não é novo nestas andanças da matcha, tem à escolha o típico matcha latte (5€), a nuvem de coco (6€) – feita com água de coco, ideal para os dias mais quentes – ou o pistáchio salgado (6,50€), que pode ser pedido quente para dar aquele conforto necessário aos dias frios. Porém, além de ser pet friendly, este espaço também é amigo de quem não aprecia a bebida verde – ou de quem nunca lhe deu realmente uma oportunidade. Para provar há várias opções com hojicha (chá verde torrado). “O sabor é mais parecido com o café. Está entre café e chá verde e é uma boa alternativa para quem não gosta de matcha”, promete Mariana.

Há hojicha latte (5€), hojicha caramelo de miso (6,50€) ou ainda hojicha maracujá (5,50€). Também há kombucha (3,90€) e duas opções de affogato: com gelado de manga, matcha e amêndoa (6,50€) e gelado de pistáchio, hojicha e pistáchio (6,50€).

Hale Matcha
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"Uma pequena obsessão"

Mariana Mendes licenciou-se em Ecoturismo – e continua a adorar a natureza, mas rapidamente percebeu que em Lisboa não seria a área mais fácil para trabalhar. Durante o curso tornou-se vegana e, por consequência, descobriu outra paixão. “Frequentava muitos restaurantes veganos, era uma coisa que gostava imenso de fazer. Até que eu quis começar a trabalhar nessa área da restauração”, recorda. 

Adorou o contacto com o cliente, o dinamismo e a criatividade que conseguia ter. “Depois de algum tempo, comecei a perceber que estava na hora de ter o meu próprio projecto.” Inicialmente pensou numa coffee shop vegan, mas ao mesmo tempo estava a descobrir o matcha e o caminho só podia ser por aí. “Já não bebia café e o matcha virou a minha pequena obsessão. Comecei a experimentar, a fazer pesquisa e criei um pequeno matcha bar em casa.”

Em 2024, aproveitou as férias para se estrear no mercado de São Bento, no Príncipe Real, com um projeto pop-up. “Tinha matcha de qualidade, andava a fazer bolachas e pensei: ‘Porque não?’” Aí teve a certeza de que queria fazer algo do género a longo prazo – e que não podia passar deste ano. “Se esperasse mais tempo, alguém ia ficar com a ideia. Já todas as grandes cidades europeias têm um matcha bar, o matcha está a atingir um estatuto próximo do café.”

Despediu-se em Janeiro e começou logo a procurar espaços. “Ninguém na minha família teve negócios, não sabia nada, tive de me desenvencilhar sozinha. Por isso só abri em Agosto.” Confessa que não viu logo o potencial deste espaço, mas depois percebeu que era o ideal para um projecto a solo. ”Queria uma loja em Lisboa, mas não exactamente no centro, porque a zona já está um bocadinho saturada, já tem muitas coffee shops. Queria Lisboa, mas um sítio mais resguardado.” 

Hale Matcha
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Não foram necessárias demasiadas obras, o que ajudou na decisão. Tapou o chão e mandou fazer um balcão à medida, assim como a mesa virada para o exterior. O resto foi feito com a inspiração que foi encontrando no Pinterest. Começou por comprar dois bancos altos verdes – o ponto de partida para tudo o resto.

Minimalista e com outros apontamentos em verde – das canecas em cerâmica que encontrou na Vinted aos copos de água verdes transparentes, que remetem para os anos 80 –, o Hale Matcha deixa brilhar a sua estrela principal, o produto. Se é diferente dos outros? Tem características muito específicas, garante Mariana. “Começa logo pela cor, que é um verde vibrante, quase fluorescente. O aroma é fresco e o sabor é naturalmente doce, não precisa de qualquer açúcar.”

O matcha usado no espaço também pode ser comprado e levado para casa. Uma lata custa 38€ e dá para cerca de dez bebidas. “Costumo usar uns três gramas por bebida. Claro que cada pessoa vai ajustando, mas se for muito menos do que isso, perde qualidade.”

Desde que abriu as portas, ainda não folgou um único dia, mas sabe que isso tem de mudar e, a partir de Janeiro, terá uma folga por semana num dia que ainda não definiu. Apesar do cansaço, o retorno tem sido maior do que imaginou. “Não posso dizer que tenho um salário fixo, mas posso dizer que já consegui pagar o investimento, o que é bastante positivo. E é espantoso, porque honestamente eu tinha expectativas mais baixas.”

Hale Matcha
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Para comer há algumas opções, todas veganas e caseiras. As bolachas de hojicha e chocolate chips (3€) são das mais apreciadas, o cheesecake de matcha (5€) não tem glúten e o banana bread (3,50€) é dos que desaparece mais rapidamente. 

A carta tem ainda uma secção curiosa, ou, pelo menos, pouco comum: a dos cocktails de matcha. “Não posso dizer que seja uma coisa que se venda tanto como o matcha latte, por exemplo, mas gostaria de mantê-los, até pelo desafio e pela criatividade que me obrigam a ter.”  Se ficou curioso, passe por lá para provar o matcha mojito (8,50€), com rum, matcha e xarope de hortelã, ou o hojicha martini (8,50€), com vodka, hojicha, licor de cacau branco e natas. Se estiver bom tempo, pode até ficar sentado no banco de madeira no exterior, um dos detalhes que os clientes mais elogiam.

Rua Garcia de Orta 32D (Santos). Seg-Sex 09.00-16.00, Sáb-Dom 10.00-16.00.

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