Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Comefinamento: Reco Reco, o fast food vagaroso

Atenção, continuamos a tentar dar-lhe a informação mais actualizada. Mas os tempos são instáveis, por isso confirme sempre antes de sair de casa.

Reco Reco
DR

Comefinamento: Reco Reco, o fast food vagaroso

Todas as semanas, durante o confinamento, experimentamos um serviço de take-away ou entrega ao domicílio.

Por José Margarido
Publicidade

Comer é um verbo que teimo em conjugar no gerúndio. Gosto muito de comer, evoco a toda a hora o que comi, exalto-me na antecipação do que comerei. Mas o que me enche mesmo as medidas é ir comendo.

O gerúndio é o tempo ritual, da memória a acontecer; é o lugar onde o prazer vive e eu faço por demorar-me nele. É sobretudo por isso – e menos por intransigências de um palato pretensioso – que sou avesso à fast food. Raramente encomendo comida que leva tão pouco tempo a fazer quanto a desmilinguir-se. Mas de quando em vez lá cedo à tentação, e o essencial da história repete-se: começa com uma larica de janado e acaba com um remorso de penitente.

Penso nisto no momento em que encomendo jantar, num domingo de sornice e indulgência.

É a primeira vez que experimento o Reco Reco, serviço de entregas criado pelo Pigmeu, o restaurante de Campo de Ourique que fez fama a trabalhar carne de porco nose to tail, que é a maneira inglesa de dizer que o faz à boa maneira portuguesa, aproveitando toda e cada parte do bicho. A ementa, desenhada para este tempo de confinamento, é feita de gordices suínas, pensadas para criar água na boca e deixar nódoas no sofá. E eu decido empanzinar o serão com três doses para dois.

Começamos com um cheese burguer (11,50€). Óptima a carne da Herdade Freixo do Meio, santuário da criação biológica ali nas bandas de Montemor-o-Novo (quem quiser pode encomendá-la, que um dos pontos de entrega em Lisboa é, precisamente, o Pigmeu). Chega entalada num pão de brioche que se gaba de ser feito à mão, ligeiramente tostado, e montado com uns picles, folha de espinafre, cheddar e um molho com toque citrino, certeiro para equilibrar a gordura do reco. É bom. Mas será a peça menos surpreendente deste tríptico.

Segue-se a mini-bifana porcalhona (9,75€), uma das mais afamadas alíneas na ementa do Pigmeu e uma das poucas ofertas do restaurante que está disponível também neste serviço. A carne é de uma macieza amorosa, chega servida num interessante pão de batata doce fermentada e acompanha uma dose extra de molho feito à base da gordura onde o grunho cozinhou. O conjunto é guloso, convida a lambuzar os dedos com requinte javardo, e o seu único grande defeito vem noticiado no título: “mini”. Uma destas noites – penso para comigo – mando vir duas porcalhonas.

Por fim, uma katsu sando de cachaço (14€). Ora, katsu sando, recordemos, é uma moda japonesa que aterrou por cá nos idos de 2018 e se multiplicou por umas poucas ementas e muitas contas de Instagram."Katsu" é abreviatura para katsuretsu, que significa costeleta; e "sando" é como a malta lá no Japão chama às sandes (sim, bem sei, há quem queira que por cá também se diga “sande”, mas as duas formas são possíveis no português e o singular soa a coisa que um choninhas come com o mindinho esticado).

Trocado por miúdos, katsu sando é uma sandes de panado de porco, preparada com minúcia japonesa: a carne é revestida com panko (uma farinha crocante feita de pão desfeito e levemente tostado) e servida num pão de leite alto e fofo (shokupan) com couve branca desfiada. Na versão Reco Reco, usa-se o cachaço de bicho alentejano, tenro e entremeado por uns valiosos filões de gordura, envolve-se couve branca e beterraba numa maionese ligeira, e entaipa-se o conjunto num levíssimo pão de leite feito à mão na Bri_o, por Miyuki Kano, padeira descendente de japoneses (procurem no Instagram).

E é aqui que a porca torce o rabo – obviamente, de contente – e eu dou por mim a pensar que é abuso chamar fast food a este quadrado perfeito. É que por mais velozes que eles sejam a aviar o pedido e por mais lampeiro que eu seja a despachar a lambarice, o primor que tenho em mãos é resultado de uma cozinha de vagar, feita com tempo e preceito. Além disso, à medida que vou conjugando as palavras japonesas e me demoro no sabor que o porco alentejano lhes dá, katsu sando soa-me cada vez mais a gerúndio.

Encomendas no site do Reco Reco, todos os dias, 12.00-15.00 e 19.30-22.00. Também em take away no restaurante Pigmeu (Rua do 4 de Infantaria, 68). Em caso de dúvida, usar WhatsApp: 91 327 7086

Entregas ao domicílio

Taberna da Rua das Flores
Gabriell Vieira

Restaurantes com entregas e take-away especiais

Restaurantes

Os restaurantes voltaram a fechar mas as portas estão entreabertas para take-away e entregas ao domicílio, o modelo de negócio possível. Mantenha o seu apoio aos restaurantes locais, aos seus restaurantes de sempre ou não adie a "visita", ainda que diferente, àquele que tinha na bucket list. Mantenha os rituais de brunch, prove uma boa massa fresca, baos e dim sum artesanais, leve a comida de autor para casa e recrie a experiência gastronómica possível na mesa da sala. Estes restaurantes são lutadores e sobreviventes. E continuam a entregar-lhe comida, seja através das plataformas de entrega (que já tomaram as devidas precauções) ou pelos próprios meios.

Raffi's Bagels brunch
Duarte Drago

Os melhores brunches ao domicílio

Restaurantes

De um momento para o outro deixámos, outra vez, de ir aos nossos sítios preferidos para comer e beber. Restaurantes, cafés, bares, discotecas. Mas aprendemos duas coisas: ora podemos pôr mãos à obra e tentar reproduzir as suas receitas e homenageá-los, ora mantê-los bem perto do nosso coração (e estômago) com entregas ao domicílio e take-away. Por esta altura já deverá ter passado a fase de ficar horas na cozinha a experimentar novas receitas e o que mais quer é um bocadinho de normalidade. Se está a ressacar por aquele brunch de fim-de-semana que nunca falhava, siga as nossas recomendações. Listámos os melhores para devorar em casa, com direito a ovos, panquecas e mais opções não convencionais mas deliciosas. 

Publicidade
Gleba - Pão de Trigo Alentejano
©Manuel Manso

Pão fresco em casa: estas padarias com take-away e delivery não falham

Restaurantes Padarias

Pão é um daqueles bens essenciais pelos quais ainda pode e deve sair à rua. Durante a gestão das idas ao supermercado, não se deixe levar pela opção mais fácil dos pães embalados e comerciais, sem grande sabor, e mantenha as rotinas e a escolha do pão artesanal, feito com recurso a massas-mãe. As melhores padarias artesanais lisboetas mantêm as portas abertas, em regime de take-away e com entregas ao domicílio, para que não lhe falte nada e continue a alimentar-se bem. Com mais ou menos variedade, com extras para acrescentar ao carrinho da entrega, e manter o cheirinho a pão quente acabado de fazer, explore a reformulada oferta destas padarias e padeiros em Lisboa. Pão fresco em casa nunca vai faltar.

Recomendado

    Também poderá gostar

      Publicidade