Os restaurantes a quem demos 5 estrelas em 2016

Foram apenas quatro os restaurantes de Lisboa que arrebataram os críticos da Time Out. Água na boca, elogios, comezainas: estes são os restaurantes que em 2016 receberam cinco estrelas
Fotografia: Manuel Manso O Loco recebeu 5 estrelas da Time Out (e uma da Michelin)
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Um ano. Cinquenta e duas revistas. Dezenas de restaurantes. Centenas de estrelas. Mas os críticos da Time Out não se deixaram deslumbrar assim tão facilmente: apenas quatro espaços tiveram direito a avaliação máxima: cinco estrelas. Recorde quais e porquê. 

Os restaurantes a quem demos 5 estrelas em 2016

Rio Maravilha
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Fusão

Rio Maravilha

icon-location-pin Alcântara

"Manuel Ferreira Gavetão foi provar o rio. E não achou uma maravilha, achou mesmo do c$#%#&."

Não fossem os leitores mais sensíveis ficar ofendidos com este arranque, o crítico da Time Out pediu: "Não se ofendam com o linguajar menos elegante da entrada deste texto. Permitam-me esclarecer: quem disse que 'O rio é bonito para caralho' foi o próprio Rio Maravilha. Está escrito em letras de tamanho considerável ao longo de um espelho de tamanho igualmente considerável e que vai reflectindo o rio pela sala de jantar. E é, efectivamente, bonito."

A visita anónima aconteceu em Fevereiro de 2016, oito meses antes de Diogo Noronha sair do Rio Maravilha. Entre os pratos que ficaram na memória do crítico estão o ovo BT, os cogumelos na brasa com folhagem de temporada, nata azeda e castanhas e a presa ibérica na brasa, folhado de cebola e pêra rocha.

Para rematar, Gavetão escolheu banana caramelizada, iogurte grego e rum: "uma sobremesa tão bonita quanto deliciosa, ao ponto de quase me apetecer dizer que devia ter um restaurante só para ela (o iogurte em forma de gelado, ácido e doce q.b., tudo acompanhado de uma mousse de doce de leite com rum e uma bolacha/suspiro/whatever crocante polvilhada por todo o prato)." No fim foi só fazer as contas: a vista mais o espaço mais a comida igual a... cinco.

A Time Out diz
In Bocca al Lupa
Fotografia: Ana Luzia
Restaurantes

In Bocca al Lupo

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

"Junto à Praça das Flores há uma pequena pizzaria biológica que é um achado. Alfredo Lacerda saiu de lá encantado com a comida e com o resto." 

Em Julho, o crítico da Time Out pegou nos filhos e foi ao In Bocca al Lupo. Afinal, "as crianças nem sempre são o melhor que há no mundo, mas resultam muito úteis para a crítica de restaurantes. As crianças mesmo crianças não vão em tendências nem em tops. Não lhes interessa se o restaurante é do chef A ou do chef K. Se a carne é maturada durante 12 dias ou 12 meses. Se o peixe é de aquacultura ou vivia numa gruta das Berlengas. A gente pergunta às crianças: Gostas? E as crianças respondem: 'É óptimo'. 'É horrível'. Às crianças só interessa o sabor e o prazer." 

Depois da sangria de frutos vermelhos, carregada de amoras, mirtilos e morangos frescos, da burrata biológica, das pizzas de massa fina, com grandes bolhas e menos elasticidade do que as da concorrência, e das sobremesas (panna cotta, tiramisù e mousse de chocolate vegan à base de tofu), o veredicto foi dos mais novos: "É tudo excelente. As pizzas são das melhores, diferentes das outras, mas excelentes. Está ao nível do Casanova, no topo da tabela." Cinco estrelas, portanto. 

 

A Time Out diz
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Alexandre Silva no Loco
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes

Loco

icon-location-pin Estrela/Lapa/Santos

"O novo restaurante do chef Alexandre Silva separou tradicionalistas e pós-modernos. Alfredo Lacerda, que não é nem uma coisa nem outra, sentenciou o caso." 

Por esta altura do campeonato, já sabe. A sentença para o Loco foi cinco estrelas. "De início houve alguma bazófia e era fácil embirrar com o sítio. Quando alguém sente necessidade de proclamar a sua 'corrente criativa constante', frequentemente acaba sozinho num onanismo preguiçoso gritando aleivosias contra os brutos lá fora", começou o crítico.

Mas depois rendeu-se. "É verdade que a retórica continua cheia de hipérboles; e que nem todos os 18 pratos que lá provei deslumbraram (mexilhão com maçã verde e aipo apaga o bivalve; o pastiche de bao com pasta de chouriço não sobrevive ao original pão com chouriço) ou é absolutamente novo. Mas no final o que importa é que não há mesmo, hoje em dia, outro jantar assim em Lisboa. Olhando para os restaurantes do mesmo campeonato, em matéria de alta cozinha e de altos preços (100/150 euros), o Loco é neste momento, desde logo, o mais descontraído, dedicado e trabalhador. Essa é a sensação com que se sai e a impressão com que se entra."

Destaque para o pastel de bacalhau, as ovas de pregado com funcho, o carapau frito com alecrim e flor de sabugueiro, as ostras com água de flor de laranjeira, o pato fumado, e o pargo com caril tailandês e bolacha de spirulina. Nas sobremesas, um gelado fresco de pêra, camomila e miso. "Hummm", repetiu insistentemente Alfredo Lacerda. E esse continua a ser um óptimo critério para avaliar restaurantes. 

A Time Out diz
Feitoria
©DR
Restaurantes, Pan-asiático

Feitoria

icon-location-pin Belém

"Em semana de chuva de estrelas, Marta Brown sentou-se à mesa do Feitoria para uma incrível viagem, conduzida pelo chef João Rodrigues. Não levou a segunda Michelin, mas levou as cinco da Time Out."

"Sabor, qualidade, criatividade, aparato." O restaurante do luxuoso Altis Belém encheu as medidas da especialista da Time Out, que o resumiu nestas quatro palavras.

Marta Brown escolheu uma noite especial para a sua visita: a da entrega das estrelas Michelin. Apesar dos rumores, o Feitoria não conquistou a segunda estrela. Mas graças aos menus Terra (três pratos 80€) e Tradição (quatro pratos 95€) e a especialidades como cevadinha cremosa com legumes, coração de alface grelhada e marinada de pimentos, caldeirada portuguesa com um creme de batata, cebola e pimento, amêijoa-real, berbigão, percebes, algas e salicórnia e matança do porco, com uma presa ibérica médio-mal passada, levou outras: as nossas.

"Nem todos os pratos chegaram às cinco estrelas, uns ficaram ali nas quatro e meia. Mas chamando a estatística à equação, e porque mesmo no que esteve só muito bom a ideia e a qualidade sentiram-se, a média dá as merecidas cinco", concluiu Marta Brown, de barriga e coração cheios. 

A Time Out diz
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