Teatro: Melhor Actor e Melhor Actriz de 2017

Nuno Lopes, pela interpretação em 'A Noite da Iguana' e Rita Cabaço por 'O Cinema', são os actores do ano para a Time Out. Falámos com ambos sobre os processos destas personagens.

©Jorge Gonçalves

Fomos ao teatro e dois actores causaram ficaram-nos na memória. Estes são o melhor actor e a melhor actriz do ano. 

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Teatro: Melhor Actor e Melhor Actriz de 2017

Rita Cabaço

Rita Cabaço

Rita cabaço, em O Cinema, é Rose, uma projeccionista que trabalha num cinema de província porque precisa do dinheiro. O espectáculo estreou em Maio no Teatro da Politécnica, com encenação de Pedro Carraca.  

Como é que foi construir esta personagem?

O Pedro Carraca convidou-me, já tínhamos trabalhado no Punk Rock e já sabíamos como funcionávamos juntos. Falou-me um bocado do que era o texto e a personagem. Prefiro sempre ler os textos primeiro, mas outra das motivações que tenho são as pessoas com quem estou a trabalhar. O diálogo que construímos no Punk Rock era muito justo, entre a liberdade e a direcção dele. 

Fazias de Rose, uma das trabalhadoras de um cinema de província.

Sim, ela era projeccionista. Eram três pessoas que trabalhavam nesse cinema e o espectáculo era sobre a vida dessas três pessoas ou a vida como essas três pessoas descreviam, que eram muito mal resolvidas, e que andavam sempre desencontradas. O Sam estava apaixonado pela Rose, a Rose estava fascinada pelo Avery e o Avery estava mal resolvido ao nível da sua sexualidade e desconfiava-se que estava interessado no Sam. Era um misto de relações. 

Ela estava ali porque precisava do dinheiro. Ao contrário de ti, certo?

Exacto... quer dizer, às vezes temos que aceitar coisas devido ao dinheiro. Ali acho que não foi o caso. 

Onde te vamos poder ver em 2018?

Vou estar em Janeiro no São Luiz, com uma encenação do Marco Martins, Actores. É a primeira vez que trabalho com o Marco e é um projecto que parte do próprio processo do actor. Vou estar com o Teatro da Cidade, em Abril, [numa peça] que se vai chamar Que boa ideia termos vindo para as montanhas e que está por confirmar o local. 

Nuno Lopes

Nuno Lopes

Faz de Shannon, um sacerdote com queda para o álcool e para raparigas de 16 anos, numa luta surreal consigo mesmo. A Noite da Iguana, dos Artistas Unidos, com encenação de Jorge Silva Melo, estreou em Janeiro no São Luiz.

 

Como foi o processo de criação desta personagem tão densa?

Há sempre uma dificuldade enorme em fazer personagens que têm prestações brilhantes no cinema. É uma coisa que assusta, temos consciência que há uma imagem muito forte na cabeça dos espectadores, é quase como quando lês um romance e depois vais ver um filme. Tentei esquecer-me disso e ir ao encontro do texto, que apesar de tudo é muito diferente do filme. Foi nessas diferenças que fui descobrindo a personagem. O Jorge Silva Melo deu-me total liberdade para descobrir quem era este Shannon, pesquisei muito sobre alcoolismo, sobre dependência, era fundamental no papel, também sobre a relação com Deus, mas acima de tudo a ideia de uma pessoa com uma moral muito forte, ao mesmo tempo que não é propensa a morais. 

Abalou-te esta personagem? 

Sim, foi uma temporada dura. Sei disso porque normalmente quando acabas um espectáculo tens sempre saudades, mas quando ficas feliz por não haver espectáculo é sinal que estava a ser duro; a digressão já foi complicada. Estás-te a obrigar a ir um sítio negro, é claro que faz parte da minha profissão, estou habituado a isto, mas não posso dizer que tenha sido um papel como os outros, não me deixou indiferente. Foi um texto que me custou especialmente e isso é uma das razões pelas quais me deu tanto prazer, também. 

Que planos tens para 2018?

O único plano que tenho é estar no São Luiz, com a peça Actores, do Marco Martins. Mas não tenho datas nenhumas marcadas, nada de específico. O mesmo para cinema e para televisão, tenho alguns filmes a estrear e quero ver como correm as coisas lá fora.

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