Vila Valverde Design & Country: cinco hectares, cinco estrelas

Bem-vindo ao primeiro hotel rural cinco estrelas do Algarve. Instalámo-nos no Vila Valverde Design & Country e esforçámo-nos por encontrar alguma coisa fora do lugar nestes cinco hectares. Não conseguimos.

Este boutique hotel de luxo era dos segredos mais guardados do Barlavento até que em Novembro foi certificado como hotel rural de cinco estrelas.

Vila Valverde Design & Country

Luís Tavares era o cliente mais chato que qualquer hotel pode ter. Com décadas de experiência como operador turístico, era frequente ser chamado por parceiros de negócio ou amigos a dizer o que achava de um hotel e do seu serviço. Na verdade, reconhece, fazia-o mesmo onde não era chamado. “Era mais forte que eu. Sabendo o que o turista quer, precisa e procura, custava-me ver tantos erros e estava sempre a chamar a atenção. Todos me diziam que eu era um chato e que devia era abrir o meu próprio hotel e depois logo havia de ver como era.”

Foi o que fez: pagou para ver. Em 2004 investiu numa propriedade agrícola que há muito andava a namorar, ali na estrada de Lagos para a Praia da Luz, e ergueu uma hospedaria de excelência no lugar da velha casa – mesmo a tempo de acolher a selecção suíça durante o Europeu de Futebol. Desde então, o projecto melhorou-se na estrutura, evoluiu no serviço, afinou-se ao detalhe, mas não cresceu. A ideia era mesmo essa.

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No lugar da hospedaria de 2004 encontramos hoje o Vila Valeverde Design & Country Hotel, um boutique hotel de luxo que era dos segredos mais guardados do Barlavento até que em Novembro foi certificado como hotel rural de cinco estrelas – o único do Algarve e membro de um clube restrito de apenas cinco em todo o país. São 15 quartos que se expandem entre 29 e 55 metros quadrados, todos com varanda própria ou terraço, mas nenhum igual ao outro, mesmo se a decoração mantém um denominador comum de cores (branco, preto, prateado, cinza, bege) e de materiais (madeira, aço, vidro, ardósia no pavimento aquecido das casas de banho). A cada ano, Margit, a mulher de Luís, alemã radicada em Portugal há 32 anos, faz questão de renovar o cenário (Luís sorri e encolhe os ombros).

Os 15 alojamentos distribuem-se pelo edifício plantado ao cimo de 52 mil metros quadrados de campo. É um paraíso desafogado de campo – contas feitas, pode contar com uns 3500 metros quadrados por cada dois hóspedes – com vista de serra e mar. Lá fora, ladeando o extenso caminho que nos separa da estrada, ficam um laranjal frondoso, uma horta biológica, um jardim exótico, uma piscina ampla e zonas de descanso espalhadas por um horizonte relvado que parece bastante para um campo de rugby. Se está como nós estivemos a perguntar de onde raio vem toda a água que sustenta esta paisagem, Luís responde. “Toda a propriedade é atravessada por uma mina de água, que corre aqui por baixo de nós. Essa água é aproveitada para rega, para a piscina, e depois é devolvida à mina e segue o seu caminho para o mar.”

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No meio destes mais de cinco hectares, a zona de construção era bastante limitada. “Disseramme que não podia construir para os lados nem para cima. Decidi construir para baixo.” Dito de outra forma, avançou com máquinas monte acima para sulcar o terreno até deixar a descoberto um novo piso. O que seria uma cave é hoje na verdade um rés-do-chão encastrado no declive do monte. É aí que encontramos a recepção, o lobby, as zonas de estar e de refeições, todo um espaço comum de pé alto inteligentemente iluminado com luz natural pelo tecto envidraçado. É também nesse piso que encontra uma viciante piscina interior aquecida e tratada sem quaisquer químicos. Lá em baixo, há ainda um pequeno spa com sauna e massagens terapêuticas por marcação.

Um projecto familiar

Além do casal, a filha Jacqueline também dá hoje uma ajuda na gestão de um espaço onde o serviço se pretende eficiente mas discreto e onde o hóspede se move como em casa (sirva-se do bar, aponte o que bebeu e não se esqueça que há sempre um bolo caseiro à sua espera, todas as tardes, numa mesa da sala – é oferta). O resultado é um projecto familiar mas com o perfil de um hotel de luxo e uma qualidade muitos furos acima do comum. E já sabe, se encontrar por aqui algum detalhe fora do lugar, pode ser chato à vontade.

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Como chegar
Siga direito a Lagos e apanhe a estrada que o leva à Praia da Luz. Vai encontrar a entrada para o hotel à sua direita.

Preços
A partir de 123€

GPS

Para fazer

Tem a Ponta da Piedade e todos os outros tesouros da fascinante e sobejamente publicitada costa do Barlavento algarvio ao seu dispor, tudo aqui pertinho. Isso já sabe, portanto passemos adiante. E passemos a andar de bicicleta. Alugam-nas aqui no Vila Valverde e dão-lhe indicações precisas do trilho incrível que o leva a subir o monte à sua frente, assomar-se sobre o mar e daí descer até Lagos. Ou então pegue num taco. O Vila Valverde está a um curto alcance de quatro bons campos de golfe. A recomendação da casa vai para o Espiche Clubhouse & Golfe, um complexo com a particularidade de ficar em plena reserva natural, de se apresentar com a garantia de ser completamente sustentável e adaptado à paisagem. Tem pacotes para duas pessoas a partir de 65 euros.

Para comer

Fique com duas coordenadas entre várias possíveis na zona. Ande 20 km (não resistimos, desculpe), até à Adega Vila Lisa (Rua Francisco Bívar, 52, Mexilhoeira Grande), uma instituição da cozinha algarvia desde 1982. Só serve jantares em menu de degustação (35€ pessoa) que inclui entradas, quatro pratos, doce, bebida, café e medronho. Uma experiência. Aqui mais perto e mais em conta, descobrimos a Casinha do Petisco (Rua da Oliveira, 51, Lagos). O nome não engana: as mesas são poucas (marque ou chegue cedo) e a ementa é de petiscos algarvios. Aposte nas cataplanas e conte gastar uns 18€ por pessoa.

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