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Portefólio: em busca das histórias que ficaram esquecidas no Interior

Ricardo Lopes percorreu o centro do país de autocaravana, à procura de ouvir as histórias de quem ficou esquecido. O fotógrafo de ‘Interior’ mostra o que há para lá do ambiente urbano.

Por Sebastião Almeida
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Vila Cã, perto de Abiul, em Pombal, é uma das muitas terras do país cuja existência apenas se torna evidente quando dela se fala. De outra forma, permaneceria intocada, num silêncio apenas quebrado pelos cerca de mil habitantes que lhe dão vida. As raízes da família de Ricardo Lopes, fotógrafo de 29 anos, estão lá. Foi nessa terra que os avós fizeram vida, que o pai e os tios cresceram, para já mais velhos deixarem a aldeia da infância à procura do bulício da cidade e de uma vida melhor.

O abandono a que esta pequena povoação foi votada no decorrer dos anos foi o ponto de partida para Interior, um projecto que procura documentar as gentes que habitam o interior de Portugal. Ao longo de três meses, em 2019, o fotógrafo viajou de autocaravana por Pombal, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos e Coimbra, à procura de uma população envelhecida e de um exôdo rural do qual faz parte.

“Estamos a falar de uma zona muito envelhecida, muito despovoada, em parte porque alguns emigram e nunca mais voltam, ou regressam sazonalmente”, conta à Time Out por telefone. Quando se tentava aproximar de quem encontrava, via-lhes o medo e a desconfiança no rosto. “Muitas vezes só queria conversar e as pessoas tinham medo de mim. Quando vêem alguém de fora sentem-se vulneráveis, porque estão ali no meio, como que esquecidos por todos.”

Ricardo olha para o problema da desertificação de uma forma simples, quase como se se tratasse de um círculo vicioso. “Se não há pessoas, não há oportunidades de desenvolvimento. Como não há oportunidades de desenvolvimento, tentam sair de lá mais rapidamente”. Mas a sua dimensão é muito mais complexa. Quando fotografava os desconhecidos que abordava à beira da estrada, enquanto trabalhavam os campos, ou nos pacatos cafés que ali assumem importância de assembleia, perguntava-lhes o que havia mudado nos últimos tempos, como tinham sido as vidas deles enquanto cresciam.

“Estas pessoas sentem alguma solidão. As coisas por que trabalharam ao lavrar os campos, as famílias que lutaram para construir, resultaram, de certa forma, infrutíferas”. As parcelas de terreno estão agora ao abandono. Aos que ficaram, falta-lhes a força para arear os campos. “Há uma certa nostalgia nestas pessoas”, diz. “Reconhecem que há melhores condições de saúde, de educação, mas sabem que, apesar de mais dura, antes a vida era mais descomplicada”.

Trabalhava-se, juntava-se dinheiro e comprava-se um terreno. Construía-se uma casa, tinham-se filhos e uma herança para deixar. “A subsistência estava, por assim dizer, garantida”, exemplifica. “Mas agora há só desilusão. Têm as casas, os terrenos cheios de mato, e os filhos e netos não vão viver na casa que foi construída para a família. É como se a linhagem acabasse ali.”

Mais do que um retrato de uma pequena área geográfica, o fotógrafo gostaria de alargar os horizontes e de ter a mesmo abordagem em relação ao que se está a passar no Alentejo, na zona raiana, no Minho. “Quero continuar à procura dos últimos testemunhos de uma memória e de um saber popular, para que seja um retrato abrangente do país”. Porque o tempo continua a passar e um dia “tudo será uma memória distante”.

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