Atelier, de Pedro Cabrita Reis
PCR Studio / João Ferrand | Exposição de Pedro Cabrita Reis na Mitra, em 2024
PCR Studio / João Ferrand

Exposições em Lisboa a não perder este mês: o essencial da agenda de arte

Pintura, escultura, fotografia. A agenda cultural de Lisboa está cheia de opções para quem procura um Verão com arte.

Mauro Gonçalves
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Entre grandes museus e pequenas galerias independentes, a cidade está cheia de boas ideias para quem procura traçar um roteiro artístico. Falamos de exposições de pintura, escultura, fotografia e documentais, assinadas tanto por talentos locais que estão a dar que falar como por grandes nomes do panorama internacional. Afinal, Lisboa transformou-se num relevante centro para a arte contemporânea, onde coleccionadores e galeristas andam à caça de novidades. Seleccionámos as sugestões que merecem o seu tempo. Pegue na agenda e tome nota das exposições em Lisboa a visitar nas próximas semanas.

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Exposições em Lisboa este mês

  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Grande Lisboa
A artista e moradora da Baixa Isa Toledo comprou objectos em 25 lojas da Baixa lisboeta, numa investigação sobre o comércio histórico da cidade. Agora, a cada semana, objectos de lojas diferentes são emparelhados criando uma peça nova, na montra do número 109 da Rua dos Fanqueiros (loja Mister Man). De extensões da Silétrica a velas da Rosil, passando por um nariz de palhaço da Casa de Carnaval, um besouro de brincar do Hospital das Bonecas, uma grelha da Vida Portuguesa ou um esponja de banho da Drogaria Central, a viagem é uma chamada de atenção para uma Baixa em descaracterização progressiva, mas também que deixou de ser vivida pelos próprios habitantes da cidade. “Quem quiser coleccionar as obras só precisa de ir às compras”, pode ler-se na página de Instagram do projecto.
  • Arte
  • Ajuda
Durante uma semana apenas, o Museu do Tesouro Real acolhe uma exposição marcada pelo diálogo entre a arte contemporânea e o seu próprio acervo. Tudo para promover uma reflexão em torno da criação artística e da forma como esta pode moldar e transfigurar a percepção visual. O convite é também para que os visitantes imaginem nas obras a cor das gemas e jóias que fazem parte do acervo. Com curadoria de Francisco Lacerda, a exposição conta com obras de Adelaide de Freitas, Ana Gonçalves, Carlos Barahona Possollo, Carol Welsch, Cristina Albaker, Daniel Schär, Isabel Soares dos Reis, Jessica Dunn, Marc Sarkis Gulbenkian, Maria João Vale, Maria Reis, Marjorie Salvagni, Martin Stranka, Mónica de Morais, Rita Andrade, RVieira e Teymur Rustamov.
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  • Arte
  • Pintura
  • Lisboa
Miguel Barros, artista português a viver no Canadá, cumpre 40 anos de carreira como pintor e regressa a Lisboa (onde tudo começou) com uma espécie de elogio à cidade, a partir da sua memória. O visitante reconhece assim ruas, escadinhas e outros lugares de Lisboa, passando por arcos e azulejos que ficaram como flashes da paisagem. A exposição é, assim, o retrato de um emigrante ligado à sua cidade. 
  • Arte
  • Fotografia
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade
A primeira fotografia de passaporte do pai de Keisha Scarville foi o arranque, em 2012, de uma série de mais de 300 reinterpretações da mesma imagem. O trabalho de 14 anos (e inesgotável) foi distinguido como Livro do Ano nos Encontros de Arles 2026 e explora os mecanismos através dos quais o Estado fixa a identidade de um indivíduo, jogando com a sua manipulação. Em cada nova versão do retrato, há novas combinações e a sobreposição manual de fotografias encontradas, documentos vários ou recortes de imprensa. "Passports" abre, assim, horizontes ao questionar a forma como a identidade pode ser reduzida a uma fotografia. As peças são apresentadas em pequenas dimensões, o que exige uma aproximação física e uma observação demorada da parte dos visitantes. No dia 19 de Setembro (seguinte à inauguração), às 16.00, a também professora no Departamento de Arte, Cinema e Estudos Visuais da Universidade de Harvard conversa sobre o projecto, num momento aberto ao público.
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  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Marvila
Na Underdogs, o cenário é o de um atelier aberto ao público. A artista portuguesa Ana Malta ocupa a galeria lisboeta durante cerca de dois meses. Nas primeiras semanas, estará a trabalhar nas peças que, mais tarde (a partir de 9 de Outubro) irá expor no mesmo espaço. A dinâmica será, por isso, a de um atelier visitável, onde o público poderá assistir in loco ao trabalho da artista. Com cores fortes e padrões, o trabalho de Ana Malta cruza pintura, desenho e instalação. Depois da residência, as obras ficaram expostas na Underdogs até 24 de Outubro.
  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Lumiar
A exposição reúne trabalhos recentes do brasileiro Tales Frey, professor na Universidade do Minho, em torno da roupa como corpo político, arquivo de memórias e dispositivo crítico, articulando questões ambientais, sociais e identitárias relacionadas com a moda e o descarte rápido. A proposta do artista é a de uma tomada de posição perante um modelo económico baseado na produção excessiva e na exploração de recursos. Ao transformar roupas rejeitadas em esculturas e instalações, Tales Frey questiona assim o destino dos tecidos e as relações entre consumo, corpo, memória e cidadania. Embora o Museu Nacional do Traje esteja fechado para obras de reabilitação, é nele que a exposição tem lugar, num momento único de abertura. No dia da abertura, 25 de Setembro, tem também lugar a palestra "Indumento Performativo: corpo, memória e resistência na arte contemporânea", em que Frey discute o vestuário como extensão simbólica do corpo, dispositivo político e ferramenta de participação social.
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  • Arte
  • Belém
Entre instalação, fotografia, vídeo, desenho, escultura e performance, Vasco Araújo chega ao Pavilhão Julião Sarmento com um conjunto de obras realizadas entre 2005 e a actualidade, a maioria nunca mostradas em Portugal. "Num percurso que combina diferentes linguagens e referências, a exposição aborda as formas de comunicação e a contínua tentativa de chegar ao Outro", pode ler-se no comunicado. Paralelamente, decorre um programa público associado à exposição, que tem curadoria de Isabel Carlos. As performances marcadas para os dias 7 de Outubro e 11 de Novembro e uma sessão de conversas com o artista a 16 de Dezembro.
  • Arte
  • Belém
Pedro Cabrita Reis é um dos mais internacionalizados artistas portugueses e vai marcar a rentrée no MAAT. Com curadoria de João Pinharanda, a exposição vai ocupar a Galeria Oval com várias séries inéditas de pintura, desenho e escultura. No total, serão quase duas centenas de obras em que o artista "consolida as investigações e apronfunda a sua ligação com os grandes temas e mestres da arte posterior ao renascimento".
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  • Arte
  • São Sebastião
A partir de textos de memórias e fragmentos de recordações escritos por Gabriel Abrantes, Robert Barry, Genesis Breyer P-Orridge, FM Einheit, Alexandre Estrela, Tim Etchells, Susie Green, Karl Holmqvist, David Link, Pierre Paulin, Emilie Pitoiset, Lee Ranaldo, Susan Stenger e Apichatpong Weerasethakul, o músico, compositor e performer alemão FM Einheit foi convidado a compor 16 obras, que surgem na exposição como sonhos interpretados sob a forma de canções. A exposição ocupa o Espaço Engawa do CAM e tem curadoria de Mathieu Copeland.
  • Arte
  • São Sebastião
Depois da primeira exposição individual institucional, a artista portuguesa ocupa a Sala Projecto com uma exposição imersiva, que conta com trabalhos em pintura, escultura e instalação, com curadoria de João Mourão e Luís Silva. "Recorrendo a materiais como adobe, cerâmica e água, Zenha convida o público a uma viagem por corpos e seres híbridos, reservatórios, sistemas de drenagem e escoamento tanto urbanos como corporais", pode ler-se no descritivo.

Mais coisas para fazer em Lisboa

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo, em Lisboa e não só, há lugar para cozinhas de autor, de fogo, para peixe fresco, neo-tascas e os mais diversos projectos de cozinha internacional.

  • Compras

Lisboa não pára de somar novos balcões e montras que merecem uma visita. Entre laboratórios de perfumaria de nicho onde as fragrâncias são misturadas na hora, marcas nacionais empenhadas em promover um consumo sustentável, uma nova vaga de lojas de segunda mão e outras que honram o comércio tradicional da cidade, o roteiro de compras está em permanente renovação.

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