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Arte, Pintura, Painéis de São Vicente, Nuno Gonçalves
©DGPC ADF Luísa Oliveira, José Paulo Ruas, 2015 Painéis de São Vicente

A segunda vida dos painéis de São Vicente

É considerada uma das mais icónicas obras de arte portuguesas e um dos mais impressionantes retratos colectivos do Renascimento.

Por Maria Monteiro
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Visitar o Museu Nacional de Arte Antiga é ter por certo que há pelo menos uma obra que não lhe pode falhar à vista – os famosos Painéis de São Vicente (c.1470). São atribuídos a Nuno Gonçalves e entram agora num longo processo de restauro por parte do MNAA, mais de 100 anos após terem sido alvo de uma primeira (e única) intervenção. Falámos com Joaquim Caetano, director do museu, para perceber os contornos da complexa operação que arranca a 1 de Junho e que será realizada à vista de todos através de uma instalação montada para o efeito. 

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A segunda vida dos painéis de São Vicente

O restauro de 1910

Em 1883, quando os painéis foram descobertos no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Alfama, estavam profundamente danificados e “não eram em nada parecidos à imagem que temos deles hoje”, conta Joaquim Caetano, director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA). Não tinham seis tábuas, mas quatro, já que os dois painéis mais pequenos estavam “unidos dois a dois como se fosse um só quadro” e encontravam-se “completamente repintados”.

Foi o pintor Luciano Freire que “deu aos painéis a forma que têm actualmente” com o restauro que levou a cabo entre 1909 e 1910. Retirou os repintes existentes nas várias camadas da obra e reconstituiu as figuras e panejamentos das “zonas de lacuna onde já não havia pintura original”. Desde então, salvo um projecto de estudo histórico e técnico em 1994, a obra não sofreu mais nenhum tratamento.

O diagnóstico de 2020

Não é de estranhar que uma pintura com mais de 500 anos tenha sido restaurada apenas uma vez, já que se trata de uma peça de elevado valor histórico e artístico – obras com esta característica são, normalmente, intervencionadas uma vez por século. O trabalho de Luciano Freire está, aliás, directamente relacionado com o novo restauro. “Havia uma degradação muito acentuada nas zonas refeitas por ele”, o que se justifica pela utilização dos materiais da época, como o óleo, “que não estavam muito estabilizados”, explica o director do museu. Decorreu, então, um processo de envelhecimento que alterou cores e texturas do original, e que “estava a prejudicar bastante a leitura da obra”.

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Técnicas e ferramentas

Fazer um restauro em 1910 e em 2020 é totalmente diferente. Actualmente, existem diversos instrumentos e equipamentos científicos e tecnológicos que “permitem ver o invisível e compreender melhor a própria essência da pintura”, cenário impensável há 100 anos. Se Luciano Freire confiou na técnica manual, nos materiais da altura e no seu olhar enquanto pintor, os conservadores de hoje contam com macrofotografias, radiografias ou reflectografias de infravermelhos (processo que deixa ver os desenhos subjacentes à obra). Estes exames e técnicas de captação de imagem dão um conhecimento mais aprofundado da obra e permitem desenhar uma cartografia mais precisa dos problemas. E, com mais informação, os técnicos podem tomar decisões mais ponderadas sobre a intervenção.

Equipa e instituições

Apesar de já haver técnicos a fazer o levantamento de patologias dos painéis, “a equipa completa começa a trabalhar a 1 de Junho”. Ainda é preciso que cheguem alguns equipamentos e membros de equipas internacionais, cuja deslocação foi adiada pela pandemia, para realizar alguns exames mais complexos.

O processo deverá prolongar-se até 2022 e será feito por uma equipa alargada. Além das duas conservadoras residentes, foram contratadas outras duas especialmente para esta operação, que será apoiada directamente pelo Laboratório José de Figueiredo e pelo Laboratório Hercules, da Universidade de Évora. Aos especialistas portugueses junta-se “uma equipa grande de consultores internacionais”, com elementos da Universidade de Ghent, do Metropolitan Museum of Art (Met) e do Museo del Prado. O restauro resulta de um protocolo mecenático assinado entre o MNAA, a Direcção-Geral do Património Cultural e a Fundação Millennium BCP.

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O restauro público

Geralmente, as obras são retiradas do local de exposição para efeitos de restauro. Há, no entanto, obras que são de tal forma “simbólicas para as instituições e para os países que as detêm” e “referenciais da cultura desses países” que “exigem quase uma visibilidade completa da intervenção”, sublinha Joaquim Caetano. Dois exemplos recentes são A Ronda da Noite (1642), de Rembrandt – cujo restauro está a decorrer desde 2018 e já chegou a ser transmitido em livestream –, e Retábulo de Ghent (1432), de van Eyck, obras simbólicas para a Holanda e Bélgica, respectivamente. “Os painéis têm a mesma importância para Portugal”. Por isso, serão tratados numa sala que foi transformada em laboratório de conservação, onde há uma janela que dá para o museu e permite ao público espreitar os trabalhos.

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