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Dos romanos às ciclovias, deixe-se guiar por estes mapas digitais

Nem só de Google Maps vive a cartografia online. É possível navegar à vista noutros mapas, mais temáticos, e estes são de Lisboa.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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Os mais novos não tiveram de passar pelo desafio de sair à rua com um mapa de papel na mão. Mapa esse que passadas umas horas estava totalmente amarrotado, com buracos nas dobras, marcas de café nos cantos ou círculos feitos a caneta em torno dos pontos de interesse. A chegada da cartografia online facilitou a vida a muito boa gente (além de poupar espaço nas mãos, bolsos, malas e mochilas) e hoje há mapas para tudo e mais um par de botas. Por Lisboa, tanto o levam por um percurso de arte contemporânea, como o ajudam a saber o lugar certo para depositar o lixo, ensinam qualquer um desbravar as ciclovias e ainda desvendam a cidade no tempo dos romanos.

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Dos romanos às ciclovias, deixe-se guiar por estes mapas digitais

Quem já anda nisto há mais tempo, orienta-se bem pelas ciclovias da cidade e sabe onde há parques de estacionamento para bicicletas. Mas para quem está a arrancar nisto do pedalar por Lisboa, é crucial saber o caminho mais seguro para se deslocar sobre duas rodas. Divulgado pela Câmara Municipal de Lisboa, este completo mapa inclui as ciclovias existentes, as que estão a caminho e também as Estações GIRA e os Biciparks, estacionamentos para bicicletas em parques de estacionamento cobertos de Lisboa. Recordamos que a EMEL inaugurou em Abril de 2021 o primeiro Bicipark da cidade, no Parque de Estacionamento do Lumiar, parte de uma rede de 13 estruturas semelhantes espalhadas por toda a cidade. No mesmo link da rede das ciclovias, encontra um outro, qual matrioska, para a plataforma Cidade Ciclável, um mapa colaborativo de parqueamentos, feito por ciclistas.

A organização sem fins lucrativos Zero Waste Lab decidiu criar o Mapa Lisboa Lixo Zero, um roteiro colaborativo e aberto ao contributo de todos. O objectivo é identificar bens, serviços, espaços, equipamentos e infra-estruturas da cidade, que promovam o bem-estar comunitário e a sustentabilidade no bairro em que se inserem, como lojas em segunda mão, ciclo-oficinas e hortas. Para contribuir para o mapa, disponível online, basta carregar no botão “Adicionar”, preencher o formulário de submissão e identificar até três respostas locais de apoio à comunidade.

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É o maior repositório do tempo em que Lisboa era Olisipo. Neste mapa, encontra 270 pontos arqueológicos georreferenciados e distribuídos pelos 18 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (AML), além de 15 percursos pedonais, centenas de fotografias, animações 3D e 27 QR codes espalhados pela cidade. O projecto chamado Lisboa Romana | Felicitas Iulia Olisipo teve início em 2017, depois de um desafio lançado pela Câmara Municipal de Lisboa, e envolveu 250 investigadores, dez centros de investigação de seis faculdades, empresas de arqueologia, hotéis e equipamentos culturais da capital, além da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) ou do Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros. Juntos dão-lhe a conhecer um vasto número de conteúdos sobre um território que foi ocupado pelos romanos entre 138 a.C., data da chegada do primeiro contingente militar romano ao Rio Tejo, e 469 d.C., quando Olisipo foi entregue aos Suevos.

Um projecto de investigação criou postais sonoros de Lisboa durante a quarentena de Março e Abril de 2020. Durante esses meses, a cidade esteve quase deserta, sem carros, sem música, sem vozes, e foi durante esse interregno que o projecto de investigação Sounds of Tourism (Sons do Turismo) – coordenado pelo antropólogo Iñigo Sánchez Fuarros, investigador da NOVA/FCSH – saiu à rua para registar o ruído, ou a falta dele, em diversos locais da capital, outrora povoados de visitantes. Inspirado no postal como símbolo da experiência turística, este trabalho apresenta uma investigação de três anos e dá pelo nome de “COVID-19 Sound Postcards” (Postais Sonoros COVID-19). Trata-se de uma colecção de 20 postais sonoros realizados em tempos de pandemia, com vídeos com cerca de cinco minutos para ver e ouvir, acompanhados de um mapa que explora a localização de cada postal. Todos eles são testemunhos daquilo a que soa uma cidade sem turistas, em alguns dos pontos mais visitados de Lisboa.

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Em 2018, o Patriarcado de Lisboa lançou uma plataforma online que lhe diz tudo sobre os espaços e actividades na cidade ligados à religião católica. E não é preciso ser um fiel para dar um saltinho ao Quo Vadis, expressão em latim que significa "para onde vais" e que acabou por dar nome a esta plataforma que agrega informação sobre todas as igrejas da capital (com descrição, imagens, contactos, horários e transportes) e núcleos museológicos, com um mapa que ajuda nesta caminhada.

O Bairro das Artes é um evento anual organizado pela Isto não é um Cachimbo, associação que promove a arte contemporânea na zona entre o Rato e o Cais do Sodré. O conceito assenta na criação de um percurso aberto, que as próprias pessoas fazem como melhor entenderem, entre inaugurações, visitas guiadas, lançamento de livros, leituras e uma feira de livros de arte. O trajecto é normalmente impresso num mapa em papel chamado Mapa das Artes, mas está sempre à disposição online e é um excelente roteiro para conhecer os espaços de arte contemporânea em Lisboa. Para aceder ao mapa, no link carregue no ícone disponível no canto inferior direito. Está lá, um bocadinho escondido, mas está.

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O plástico é no amarelo, o cartão no azul, o vidro no verde, o orgânico (e praticamente tudo o resto) no castanho. E depois há as pilhas, as lâmpadas, o material electrónico, os óleos alimentares, os resíduos de jardim… Bom, felizmente existe um mapa online que nos ajuda a reciclar tudo isto no sítio certo, dentro dos limites do concelho de Lisboa. A iniciativa é municipal e permite pesquisar a partir da sua localização ou clicando no mapa uma localização à escolha. Também pode filtrar pelo tipo de resíduo que tem em mãos e ainda saber informações adicionais, como dias e horários, seleccionando os pontos de recolha.

Outros roteiros

  • Coisas para fazer

Até há pouco tempo era o ponto cardeal mais desprezado de Lisboa, mas, lentamente, começou a ganhar vida e pontos de interesse. Entre o Beato e a Matinha, junto ao rio, desenha-se um novo centro da cidade. Um novo bairro até, que se renova sem o turismo como alavanca. Marvila, hoje, é mais do que uma freguesia ou um espaço geográfico bem delimitado; é um conceito. Um lugar que fertiliza dezenas de novos projectos a partir dos antigos armazéns da zona – outrora altamente industrializada. Se foram as fábricas de cerveja que nos aliciaram inicialmente para aqui, agora há outros motivos para rumar ao bairro da moda e descobrir a maravilha que é Marvila, das galerias de arte aos restaurantes, passando pelas lojas e os centros culturais que marcam a agenda da cidade.

  • Restaurantes

O Príncipe Real é o bairro com as lojas mais alternativas, as noites mais coloridas e os restaurantes do momento – muitos deles de janelões abertos para a rua a convidar a um copo antes de entrar. Depois de tanto tempo adormecida por causa da pandemia, a zona voltou à vida de antigamente. A oferta é variada e não desilude. Asiáticos, italianos, cozinhas de autor: abram alas para a corte de restaurantes do Príncipe Real. Há muito por descobrir e provar. Vá por nós e coma como um abade. Perdão, como a nobreza que merece ser.

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  • Coisas para fazer

O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa esclarece: geeks são pessoas apaixonadas por computadores e tudo o que se relaciona com o mundo virtual. O termo, que começou por ser usado de forma pejorativa (caixas de óculos introvertidos que conheciam de cor as vantagens de desfragmentar o disco rígido), é agora uma palavra usada com orgulho por toda a gente que tem uma relação semi-obsessiva (apaixonada?) com videojogos, cinema, banda desenhada e outras expressões da cultura popular. Este parágrafo inteiro para dizer que em Lisboa não faltam sítios para geekalhar alegremente.

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