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©Jaredd Caig/UnsplashLivros

Escreva um conto, ouça um poema e inspire-se com literatura de emergência

Entre concursos, recitais ou iniciativas inéditas há literatura por desbravar sem sair de casa.

Escrito por
Bárbara Baltarejo
e
Renata Lima Lobo
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Está na hora de pôr os olhos na linha e reacender a paixão pela literatura. As livrarias podem estar de portas fechadas, mas continuam abertas, dos grandes grupos livreiros às livrarias independentes que um pouco por todo o mundo pedem aos leitores que não se esqueçam do poder da literatura. Mas, além de poder viajar de livro na mão, também se pode aventurar na sua própria criação literária, ouvir um poema pela voz de quem tão bem o sabe dizer ou acompanhar a escrita de um livro ao vivo. Acreditamos que vai sair daqui lembrado da importância de investir na literatura.

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Concursos literários

Chama-se “A Sea of Words” e desafia os jovens entre os 18 e os 30 anos a passarem para o papel, de uma forma original, a sua perspectiva sobre as alterações climáticas na zona do Mediterrâneo e sobre os objectivos das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável. Não é um tema fácil, mas há uma recompensa: os melhores textos serão publicados num livro digital. Devem ter um máximo de 2500 palavras e podem ser escritos em qualquer língua da região do Mediterrâneo. A organização é do Instituto Europeu do Mediterrâneo (IEMed) e da Fundação Anna Lindh.

Pedro da Fonseca foi um filósofo nascido em Proença-a-Nova, em 1528. Conhecido como o “Aristóteles português”, o seu nome foi escolhido para baptizar o prémio literário da cidade que o viu nascer, uma iniciativa que pretende valorizar as tradições e as características do concelho. A data limite para a submissão de textos era dia 31 de Março, mas a Câmara Municipal alargou o prazo até 29 de Maio, devido às circunstâncias excepcionais em que vivemos. Assim, tem tempo para escrever um conto ou um conjunto de poemas sobre a gastronomia do concelho, o tema deste ano. Qualquer cidadão pode participar e o melhor em cada categoria (prosa e poesia) recebe um prémio de 1500€. Se quiser conhecer melhor tão rica gastronomia, o município sugere que espreite o seu canal de YouTube, pesquisando por “Sabores com Tradição de Proença-a-Nova”, ou então que vá ao site oficial.

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É promovido pela Fundação Lapa do Lobo, um pólo de desenvolvimento cultural e social no concelho de Nelas (Viseu). Mas a participação está alargada a todo o território nacional e o vencedor será quem escrever o melhor conto. O prémio é uma viagem de três noites a uma capital europeia (voo + hotel + 250€ para despesas de alimentação), numa data a combinar. A fundação irá também lançar um livro com os cinco contos mais bem classificados. O tema é livre, mas terá de incluir no enredo “os valores universais presentes na vida e obra de Albertino dos Santos Matias” (1910- 1992), diplomata, advogado, escritor e também guarda-redes do grupo de futebol da Associação Académica de Coimbra (a biografia está disponível no site da fundação). A recepção de textos é válida até 29 de Junho, através de email.

Literatura de emergência

Em estado de emergência, acciona-se a literatura de emergência, como o Bode Inspiratório, um projecto idealizado e coordenado pela escritora Ana Margarida de Carvalho: um folhetim à moda antiga, em que um escritor começa uma história e os seguintes têm de a continuar. Cada escritor tem 24 horas para escrever a sua parte e todos os dias é publicado um novo capítulo na página de Facebook do projecto. Por lá vai encontrar nomes da literatura portuguesa como Mário de Carvalho, Afonso Reis Cabral ou Inês Pedrosa. Este projecto dá também a mão a alguns artistas plásticos que exibem uma obra de arte inédita em conjunto com um capítulo do folhetim. O objectivo é que no final do projecto, que se estende até ao final de Abril, possa surgir um livro e uma exposição.

“Durante a quarentena criativa na web, cada um colabora com o que sabe fazer: os chefs cozinham, os músicos tocam, os personal trainers dão treino e parece-me lógico que o escritor escreva.” As palavras são de Álvaro Filho, premiado escritor brasileiro radicado em Portugal, que aproveitou a sua página de Facebook para uma iniciativa inédita: escrever um livro ao vivo. A obra em curso chama-se Delito, Amor e Pandemia e está a ser escrita à vista de todos em tempo real, uma história de ficção inspirada na situação actual. Para assistir ao vivo, ligue-se ao final da manhã e ao princípio da noite, alturas em que ocorrem as sessões, nas quais o escritor vai explicando a estrutura do romance, editando o texto ou mesmo respondendo a perguntas dos leitores/ espectadores.

Poesia

O festival Manifestum Arte de Dizer transformou-se em Manifestum Em Casa. Todas as quartas-feiras e sábados, até ao final de Maio, há encontro marcado com a palavra. A iniciativa é da associação cultural Exemplo Extremo, em parceria com a Câmara Municipal de Valongo, e conta com diferentes convidados que irão declamar poesia e outros textos durante 15 minutos. Adolfo Luxúria Canibal, Ana Deus, Mário Moutinho, Rui Spranger e Tó Trips são algumas das vozes que vai ouvir. Os episódios vão estar disponíveis no canal de YouTube do município e na página de Facebook da instituição cultural.

Francisca Camelo e João Coles são um casal de poetas. Nesta quarentena, João filma e Francisca recita poemas escolhidos pelos dois, de outros autores, como Maria Teresa Horta, Bertolt Brecht ou Pier Paolo Pasolini. Os vídeos vão ficando disponíveis nas páginas de Facebook e Instagram do projecto, são todos a preto e branco e filmados num plano médio.

Ah, a literatura!

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