A Time Out na sua caixa de entrada

Procurar
Retrato de Fernando Pessoa (1954), Almada Negreiros
© Almada NegreirosRetrato de Fernando Pessoa (1954), Almada Negreiros

O essencial da obra de Fernando Pessoa em dez livros

A obra de Fernando Pessoa, um dos autores maiores da língua portuguesa, merece sempre ser descoberta e revisitada. Indicamos-lhe o caminho.

Sebastião Almeida
Escrito por
Sebastião Almeida
Publicidade

A obra de um dos autores maiores da língua portuguesa merece sempre ser descoberta e revisitada. Fernando Pessoa morreu há 86 anos e muito já se escreveu sobre o autor que também foi filósofo, dramaturgo, publicitário ou astrólogo. Mas nunca é demais ler algumas das suas obras mais conhecidas, como os poemas seleccionados dos diferentes heterónimos, a sobejamente conhecida Mensagem, títulos menos conhecidos do público como O Banqueiro Anarquista, alguns dos seus contos ou a correspondência trocada com a sua amada Ophélia Queiroz. Vasculhámos a estante e seleccionámos dez títulos essenciais para mergulhar na obra de Pessoa. Porque "primeiro estranha-se, depois entranha-se”,  fazendo uso da frase escrita pelo próprio, em 1929, para a Coca-Cola.

Recomendado: Clássicos da literatura portuguesa que deveria ler

O essencial da obra de Fernando Pessoa em dez livros

Editado pela Ática em 2011, reúne seis escritos cinematográficos em três línguas, apontamentos e outras notas que até então se encontravam esquecidos na famosa arca do poeta. Cláudia J. Fischer e Patrício Ferrari foram os responsáveis pela introdução e tradução dos textos datados da década de 1920, quatro deles escritos em inglês – um deles com diálogos em português –  e os outros dois em francês. Com esta compilação, os investigadores contradizem a tese de que, com base em excertos de alguns poemas de Álvaro de Campos e correspondência de Pessoa, este expressava uma aversão à sétima arte.

É aqui que Fernando Pessoa assina com o próprio nome, mostrando uma poesia simbolista. Os poemas do ortónimo fogem dos esoterismos e das politiquices que se encontram noutras façanhas. Uma colecção breve com poemas apreciados pelo autor como “A Ceifeira” ou “Autopsicografia” e com outros menos conhecidos. 

Publicidade

Fernando Pessoa e Ophélia Queiroz conheceram-se em Janeiro de 1920, numa das casas comerciais em que o escritor trabalhava. Ele com 32 anos, ela com 19 anos – foi esse o rastilho para se conhecer um Pessoa totalmente apaixonado, invadido por uma paixão fugaz, de adolescente. O namoro, que  foi sendo interrompido, dura sensivelmente uma década, até inícios de Janeiro de 1930, altura em que é trocada a última carta conhecida. A edição da Assírio & Alvim dá a conhecer os dois lados da correspondência, permitindo ao leitor entender o diálogo entre Pessoa e Ofélia. Em suma, é posto a descoberto um Fernando Pessoa indefeso, possuidor de afecto, de sensualidade, afastando a ideia de relação platónica entre os dois.

Redigido por Bernardo Soares, semi-heterónimo de Pessoa, desde os 25 anos, trata-se de um livro biográfico que acompanha o autor para o resto da vida. É um labirinto em que Pessoa lança inquietações modernistas e tenta responder a questões que o assombram. Ainda que incompleto, os cerca de 500 trechos sem encadeamento lógico, alguns sem princípio ou fim, são uma varanda com vistas desafogadas para a consciência do escritor e poeta. Um mergulho quase sem fim no mundo de Pessoa. Esta nova edição montada por Teresa Sobral Cunha, responsável pela primeira publicação do livro, inclui também escritos de outro semi-heterónimo, Vicente Guedes.

Publicidade

É, talvez, uma das obras-primas da poesia portuguesa. Através dela, viaja-se pela história do país percorrendo episódios heróicos, conhecendo personagens ilustres e fascinantes e narrativas míticas. Sendo o único livro que o poeta viu publicado em vida, é o documento em que este glorifica a sua pátria, que deixa a descoberto a degradação que a invade, mas no qual expressa o sentimento de esperança em relação ao futuro do seu país.

De forma simplista, este pequeno conto de Pessoa mistura a sátira e o paradoxo com o raciocínio necessário do leitor. O autor apresenta duas personagens – um anónimo e um antigo operário que se torna banqueiro. Ao longo da obra, através de uma conversa, este último narra como de operário passa a banqueiro, fazendo questão de explicar o motivo pelo qual se apelida de anarquista (prática e teoricamente). O leitor dá por si a questionar os valores da sociedade actual – o que só reforça a actualidade da obra, apesar de ter sido escrito em 1922, há distância de quase um século. Inclui ainda dois outros contos escritos em inglês – Um Jantar Muito Original (1907) e A Porta (1906/7), sobre o pseudónimo de Alexander Search.

Publicidade

Aqui são evocados os clássicos gregos, o sensacionismo de Alberto Caeiro. As odes de Ricardo Reis trazem para a poesia os deuses que dão vida a toda a natureza em redor. Inclui-se nesta selecção da Assírio & Alvim as odes publicadas na revista Athena (1924) e na Presença (1927).

Integra o Plano Nacional de Leitura, sendo recomendado para o 3.º Ciclo. Neste volume, estão reunidos alguns dos contos filosóficos, em jeito de fábula, que contrariam o senso comum. Tudo elementos comuns ao mundo pessoano. Um mendigo, um eremita e até um bêbedo são os responsáveis por passarem as suas máximas com quem se cruzam. E, pelo meio, o leitor viaja por Lisboa.

Publicidade

Só as sensações interessam. É esse o modo justo de estar no mundo, de onde outros autores do mundo pessoano bebem, como Ricardo Reis. O volume em questão reúne 49 poemas, os que constam no conjunto O Guardador de Rebanhos, escritos em 1914 e publicados em 1925 na quarta e na quinta edição da revista Athena. O oitavo poema do conjunto viria a ser publicado em 1931, na revista Presença. Mas também uma selecção de poemas que figuram em O Pastor Amoroso e Poemas Inconjuntos.

O engenheiro que viaja pelo mundo e que acaba por se fixar em Lisboa, onde as máquinas, a técnica, a velocidade e a vida moderna ecoam de maneira estridente. Nesta edição que integra o Plano Nacional de Leitura constam algumas das suas obras maiores, como “Ode Marítima'', “Ode Triunfal”, “Opiário” ou “Tabacaria”.

Mais livros para ler

Publicidade
Recomendado
    Também poderá gostar
      Publicidade