Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Eles criam bom ambiente: projectos sustentáveis em Lisboa
Projectos Sustentáveis, Fashion Revolution
©DR Fashion Revolution

Eles criam bom ambiente: projectos sustentáveis em Lisboa

Conheça os projectos sustentáveis em Lisboa que aspiram a – e suspiram por – um mundo melhor.

Por Renata Lima Lobo, Francisca Dias Real e Bárbara Baltarejo
Publicidade

Lisboa (e muitas outras grandes cidades) tem toneladas de lixo para tratar e milhares de mentes para moldar. Embora haja cada vez mais humanos preocupados com o planeta Terra, não é tarefa fácil reverter os danos causados desde a Revolução Industrial. Há quem atire a toalha ao chão, quem questione mesmo o aquecimento global (não vamos apontar nomes), mas também há quem não desista e faça a sua parte na luta por um mundo mais verde e, por arrasto, com uma esperança de vida mais longa. Conheça algumas das ideias sustentáveis, muitas nascidas e criadas em Lisboa, uma cidade cada vez mais ecológica. E respirável. Estes são os projectos sustentáveis que deve conhecer.

Recomendado: Lisboa: onde pára a Capital Verde Europeia?

Projectos sustentáveis em Lisboa

Projectos Sustentáveis, Fashion Revolution
Projectos Sustentáveis, Fashion Revolution
©DR

Fashion Revolution Portugal

Já se questionou sobre quem faz as suas roupas? Que desafios enfrentam esses trabalhadores? Sabemos o que acontece ao que vestimos depois de ir para o lixo? Se nunca pensou nisto tudo, está na hora. Todos os anos, os portugueses deitam fora toneladas de roupa, e o sistema de reciclagem não está preparado para o tratamento de vestuário. É aí que entra a Fashion Revolution, para o alertar para os padrões de consumo rápido a que estamos habituados e que promovem uma cadeia de produção e consumo não sustentáveis.

Esta associação britânica sem fins lucrativos surgiu depois do colapso do complexo têxtil do Rana Plaza, no Bangladesh, em 2013, que causou a morte de mais de mil trabalhadores – era lá que se encontravam confecções de marcas como a Primark ou a H&M. Desde então, lutam por uma indústria da moda mais segura, justa e transparente, através de campanhas de consciencialização, educação e mobilização de pessoas para este movimento. Portugal faz a sua parte com a Fashion Revolution Portugal. Por cá, organizam eventos e apelam à produção e consumo conscientes, e é durante a Fashion Revolution Week, um movimento a nível global que acontece uma vez por ano, que estas vozes ganham mais expressão.

Sara Morais Pinto é responsável pelo Zero Waste Lab
Sara Morais Pinto é responsável pelo Zero Waste Lab
©DR

Zero Waste Lab

A associação sem fins lucrativos estabeleceu-se na Mouraria (Lisboa) para sensibilizar e educar os cidadãos acerca dos problemas relacionados com a produção de lixo. Este é um projecto nascido em 2017 do programa de Liderança Criativa da THNK Lisbon, como resposta ao desafio lançado pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), cujos elementos estão a trabalhar numa resposta colectiva para a redução do lixo na cidade. Além de minimizar o impacto negativo, procuram uma acção regenerativa, transformando o que não serve a uns em coisas que servem a outros. Em plena crise pandémica, a Zero Waste Lab (ZWL) quer reforçar a sua posição e continuar a transmitir os valores que até agora eram tema de conversa pública e rapidamente se transformaram numa exigência necessária à manutenção da qualidade de vida e da saúde. “Esta trágica situação, revela-se também uma janela de oportunidade para alastrar estes conceitos e influenciar outras esferas que embora aparentemente distanciadas estão intimamente conectadas – a saúde, a qualidade ambiental, a segurança alimentar, a justiça social, entre tantas outras”, conta Sara Morais Pinto, um dos rostos da ZWL, que no último mês se adaptou às circunstâncias e apostou na comunicação digital com propostas de lixo zero para o quotidiano. “É necessário que a consciência ecológica se mantenha ainda mais alerta. Temos como missão continuar a alertar para a necessidade da eficaz gestão de resíduos e contrariar o abandono de máscaras, toalhitas e luvas, materiais tão preciosos para a saúde pública, por exemplo, que já se vêem pelas ruas, rios e oceanos de todo o mundo”, acrescenta. Mesmo em casa, ninguém pára o movimento. Nas redes sociais são lançadas Conversas Não Descartáveis duas vezes por mês, um ciclo de talks que junta pessoas de vários contextos sociais e profissionais, promovendo reflexões sobre a sustentabilidade ecológica e humana. Também tem de estar atento aos workshops Lixo Zero, com receitas para produzir os seus próprios produtos de higiene e limpeza da casa – os vídeos já estão no canal de Youtube da ZWL. Existem ainda as Boas Práticas Lixo Zero, que são dicas simples de comportamentos amigos do ambiente.

Publicidade
Chef, João Rodrigues, Matéria, Feitoria
Chef, João Rodrigues, Matéria, Feitoria
©Manuel Manso

Matéria

João Rodrigues, chef do Feitoria, restaurante com uma estrela Michelin no hotel Altis de Belém, lançou, finalmente e ao fim de dois anos, o seu Matéria, um projecto sem fins lucrativos que pretende promover e dar a conhecer os produtores nacionais que exercem boas práticas agrícolas e de produção animal “em respeito pela natureza e meio ambiente, enquanto elementos fundamentais da cultura portuguesa”, pode ler-se no próprio site. Trata-se de uma ferramenta relacionada com gastronomia e quer questionar o que comemos, desafiando cada um de nós a pensar na origem dos alimentos e como são produzidos. Esta iniciativa compromete-se a dar a conhecer este outro lado, mapeando os produtores (ao mostrar o que produzem e onde estão), contando as suas histórias, dinamizando iniciativas que ajudem a reforçar esta rede de contactos. No site, além das histórias de cada produtor, existe uma ficha técnica que passa todas as informações de contacto e também quem deu a conhecer determinado projecto – o Matéria “está aberto a todos os que queiram nele participar e ajudar a construir este mapeamento”. Noutro separador, encontra uma tabela em forma de calendário, com a sazonalidade de vários tipos de cogumelos, frutas e legumes, carne e peixe.

 

Projectos Sustentáveis, Catalyst Inspiring Future Fashion
Projectos Sustentáveis, Catalyst Inspiring Future Fashion
©dr

Catalyst Inspiring Future Fashion

O objectivo passa por criar uma ponte entre a indústria têxtil tradicional e as novas marcas de moda e os jovens designers para criar um futuro sustentável, ao mesmo tempo que se cria uma comunidade. No fundo, a Catalyst, com sede em Lisboa e Nova Iorque, é uma família cujos membros estão de alguma maneira ligados ao universo da moda, do design à gestão da produção, da comunicação à própria indústria, do marketing ao retalho. É de especialistas nestas áreas que é feita a chamada Community da Catalyst, que ajuda novas marcas a crescerem e a terem apoio durante os primeiros tempos.

Em períodos difíceis como este, a Catalyst continua a receber membros e a querer alargar o raio de acção porque, mais do que nunca, é agora que as marcas se devem unir. “A verdade é que as pessoas pararam de comprar no retalho e há uma oportunidade de empurrar o foco para as pequenas marcas online”, explica Kaleigh Tirone Nunes, um dos membros da equipa. O que agora está a decorrer são webinars, uma espécie de shot de imunidade às marcas e aos membros desta comunidade que queiram receber aconselhamento ou dicas sobre a indústria da moda. Quem se inscreve na comunidade (hello@fashioncatalyst. org) recebe dados de acesso a essa zona do site onde pode consultar a agenda dos eventos, que são feitos a partir do Zoom. Se não pertence a nenhuma destas áreas, encare o discurso e a comunicação regular da Catalyst como um “abrir de olhos” ao consumo consciente e uma montra de marcas locais que muitas vezes nos passam ao lado. Pode ainda ouvir o podcast Fashion Catalyst, nas plataformas habituais.

Publicidade
Projectos Sustentáveis, Ana Milhazes, Lixo Zero Portugal
Projectos Sustentáveis, Ana Milhazes, Lixo Zero Portugal
©DR

Lixo Zero Portugal

Ana Milhazes ainda trabalhava num escritório como formadora, software tester e gestora de projecto na área de sistemas de informação quando descobriu o conceito de desperdício zero. “Como é que uma pessoa que se preocupa com o ambiente faz tanto lixo?”, questionou-se. De facto, desde pequena que se preocupava com questões ambientais. Fez parte do Clube do Ambiente da escola e, em casa, a reciclagem e o vegetarianismo tornaram-se modos de vida. “Lembro-me de ter sete ou oito anos e de pôr os meus vizinhos a apanhar lixo comigo”, conta. Acabou por descobrir o livro Zero Waste Home, de Bea Johnson, e aplicou as premissas da autora no seu dia-a-dia, simplificando a sua vida e aprendendo a viver com menos.

Mais tarde, em 2016, criou um grupo de Facebook “um bocado até por egoísmo, porque sentia mesmo necessidade de encontrar respostas, de encontrar pessoas que se identificassem comigo e que pudessem partilhar experiências”, descreve. Hoje o grupo Lixo Zero Portugal já conta com mais de 9500 seguidores. Também a vida de Ana Milhazes mudou, depois de ter tido um diagnóstico de burnout e depressão em 2017. Decidiu mudar de vida e passou a viver como instrutora de yoga e embaixadora do movimento que criou. Limpezas de praias, acções de sensibilização para a redução de plástico e workshops com dicas para a redução do consumo e aconselhamento de produtos sustentáveis são alguns exemplos das iniciativas que tem concretizado, não só no Porto, de onde é natural, em espaços como o hostel Selina, o Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) ou o festival EcoPorto, mas também em palestras em escolas e empresas por todo o país. O seu projecto mais recente foi o lançamento do seu próprio livro: chama-se Vida Lixo Zero (16,60€) e é verdadeiramente sustentável, tanto no conteúdo como na forma, uma vez que foi impresso em papel reciclado e não foi plastificado. Também está disponível sob a forma de e-book. Tudo para fazer chegar a mais gente informações sobre um estilo de vida mais minimalista e amigo do ambiente, com dicas que abordam áreas como a tecnologia, meios de transporte e a economia de partilha. Além do livro e do grupo de Facebook, Ana produz conteúdo para o blog Ana, Go Slowly.

Projectos Sustentáveis, Vintage For A Cause
Projectos Sustentáveis, Vintage For A Cause
©DR

Vintage For A Cause

Filha de mãe costureira e apaixonada por um estilo de vida natural e sustentável, Helena Antónia decidiu criar, algures em 2012, a Vintage For A Cause, um projecto sediado no Porto e dedicado à produção de roupa amiga do ambiente. As várias colecções nascem tendo como matéria-prima o chamado “deadstock”, restos de fábrica que teriam como destino o lixo, bem como outros têxteis sustentáveis. O resultado são várias colecções de roupa inspirada na moda de outros tempos, com diferentes estilos vintage. A par da sustentabilidade, há outros valores que norteiam a marca, como o feminismo: a maioria das roupas é feita por mulheres e a marca tem até um projecto social chamado From Granny To Trendy, que promove ateliês de costura para ocupar e capacitar mulheres acima dos 50 anos fora da vida activa. Até hoje, mais de 10 designers já colaboraram com a Vintage For a Cause, entre os quais Katty Xiomara, que é parceira e embaixadora da marca, assim como Bruno Cunha ou a marca internacional SKFK Fashion. Para ter uma ideia do impacto da Vintage For a Cause, em sete anos o projecto conseguiu salvar cerca de uma tonelada de desperdício têxtil e definiu como objectivo chegar às duas toneladas ao longo de 2020.

Publicidade
Projectos Sustentáveis, Fruta Feia
Projectos Sustentáveis, Fruta Feia
©DR

Fruta Feia

Surgiu em 2013 e tem como slogan “Gente bonita come fruta feia”. Deu para perceber? Esta cooperativa que acredita que a beleza é sobrevalorizada e comercializa a produção que não cumpre os parâmetros estéticos exigidos pelas grandes superfícies comerciais. A qualidade, essa, é a mesma. Trata-se de uma óptima alternativa aos supermercados, não só porque está a ajudar o ambiente, mas também porque poupa a carteira. Um cabaz de fruta pequeno, com 3 ou 5 kg, fica por 3,50€, e um grande, com 6 ou 8 kg, custa 7€. Outro ponto positivo é que nunca sabe o que vem lá dentro: o conteúdo é escolhido em função dos excedentes dos produtores. A pandemia provocada pela Covid-19 fez parar o trabalho da Fruta Feia, mas a pausa foi curta e a organização está de volta ao trabalho. Em Lisboa e no Porto, as entregas já estão a decorrer, agora em moldes diferentes. Foram definidos pontos estratégicos de entrega que chegaram aos associados por email. Em Braga, as entregas continuam suspensas por tempo indeterminado. Caso queira juntar-se ao projecto, tem de se inscrever primeiro, não é chegar lá e andar. Não faltam delegações em diferentes pontos do país, que quando tudo isto terminar, voltam em força, cheias de frutas feias mas boas: Porto-Centro, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Braga, Anjos, Santa Clara, Mercado do Rato, Telheiras, Parede, Almada, São Domingos de Rana ou Amadora.

mouraria composta da renovar a mouraria
mouraria composta da renovar a mouraria
Fotografia: Inês Félix

Mouraria Composta

Compras Estilo de vida Castelo de São Jorge

Já foi um bar, um restaurante com cozinha do mundo e agora é uma loja-oficina, no centro de Lisboa, um espaço que vende tudo o que precisa para criar uma horta doméstica ou um jardim na varanda lá de casa. Se quer começar a compostar como manda a lei (se não souber por onde começar, a equipa dá-lhe uma ajuda), eis o destino certo. Para decorar o espaço da Mouraria Composta, a associação recorreu à reciclagem de móveis e materiais, com assinatura do projecto Agora Verde, que encontrou uma forma de inspirar os clientes a fazerem o mesmo em casa. E as mesas que seguram os artigos à venda também servem de apoio a oficinas ligadas à agricultura urbana, compostagem, controlo de pragas, construção de ninhos para pássaros ou mesmo hotéis para insectos, ainda que esteja tudo em pausa de momento. “O que estamos a fazer em relação à loja é anunciar quando lá vamos para que os clientes se possam abastecer de alguns produtos que compravam numa base semanal, como os detergentes”, conta-nos Filipa Bolotinha, vice-presidente da Associação Renovar a Mouraria, que coordena o projecto. Estes anúncios vão parar à página de Facebook. As aberturas do número 8 do Beco do Rosendo normalmente acontecem às sextas de manhã – mas não saia de casa sem confirmar.

Publicidade
Projectos Sustentáveis, Planetiers Marketplace
Projectos Sustentáveis, Planetiers Marketplace
©Facebook/Planetiers Marketplace

Planetiers

Objectos que tornam a roupa sintética menos prejudicial aos mares e oceanos aquando da lavagem, jóias feitas de borras de café aproveitadas de cápsulas, brinquedos para crianças livres de plástico ou material de desenho feito com papel reciclado. Estas são algumas das coisas que pode encontrar na Planetiers, um marketplace em funcionamento desde 2017 que já se multiplicou em mais dois projectos. Além do mercado, os mentores do projecto desenvolveram o Eco Afonsinho, um jogo educativo para crianças sobre as alterações climáticas, e o Planetiers World Gathering, um evento internacional para discutir sustentabilidade que vai acontecer pela primeira vez em Outubro no Altice Arena. Em conversa com a Time Out, Diogo Lourenço, um dos responsáveis, explica como tudo começou: “Apesar de encontrarmos várias lojas online com produtos sustentáveis, víamos que a oferta ainda estava dispersa, em sites de nicho ou categorias, o que para alguém que decide mudar os seus hábitos acaba por exigir um esforço maior de tempo e energia. É aqui que o mercado Planetiers entra”, descreve. Numa só plataforma estão reunidos mais de mil produtos sustentáveis, distribuídos por 15 categorias. “A ideia é mesmo esta: ser um agregador de sustentabilidade”, conclui o responsável.

Projectos Sustentáveis, Repair Café Porto
Projectos Sustentáveis, Repair Café Porto
©Facebook/Repair Café Porto

Repair Café

O destino de um objecto que se estraga não tem de ser o caixote do lixo mais próximo. Pode ser arranjado ou utilizado para outro fim. Com esta ideia em mente, surgiu na Holanda o movimento Repair Café, um evento público onde pessoas com objectos para consertar encontram voluntários, de várias áreas, dispostos a ajudá-las. Peças de roupa, mobiliário, electrodomésticos, rádios e relógios são exemplos do que pode levar. Com sorte, encontra alguém que lhe dê uma mãozinha. O movimento chegou a diferentes cidades portuguesas, como Lisboa ou Porto, que costumam até aliar a ideia de reparar objectos à tendência dos mercados de trocas, como roupas. Infelizmente, nesta altura de pandemia, os encontros presenciais estão cancelados até que a situação melhore. No entanto, na página lisboeta encontra eventos como o Fix At Home para ajudar a reparar objectos em tempos de quarentena. atento às duas páginas e aproveite o tempo livre para reunir objectos avariados que possa levar aos próximos eventos.

Mais bons exemplos de sustentabilidade

Zouri
© DR

Descubra estas marcas sustentáveis para compras online

Compras

O comércio online, que era já uma realidade para muitas destas marcas, reforçou a sua presença e está mais forte que nunca. Por isso, na hora de comprar olhe para a etiqueta, para a pegada ambiental e para os pequenos negócios que, afinal de contas, parecem estar sempre aqui para nós mesmo nos tempos mais difíceis. Descubra estas marcas sustentáveis para compras online. 

Fábrica Couto
©Marco Duarte

Lojas e marcas veganas que pode comprar em Lisboa

Compras

Lisboa está mais atenta ao mundo vegetal, com menos preconceitos e cada vez mais curiosidade. A prova disso é a quantidade de marcas veganas que existem na cidade – nem todas com loja própria – e que ajudam os lisboetas a descobrir alternativas de roupa, acessórios, sapatos ou cosmética. Alargamos o leque a toda a cidade e a lojas online de marcas que promovem este estilo de vida. 

Recomendado

    Também poderá gostar

      Publicidade