Lojas Tradicionais: mercearias

Queijos e enchidos, fruta fresca, legumes cheirosos, sumos e frutos secos. Abasteça-se no comércio tradicional, com as melhores mercearias em Lisboa
Pérola de São Mamede
Fotografia: Manuel Manso Pérola de São Mamede
Por Mariana Correia de Barros |
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Casas centenárias, outras mais recentes, mas todas elas bem castiças e devidamente atafulhadas de História. Conheça o roteiro das melhores mercearias em Lisboa.

Lojas Tradicionais: Mercearias

Mercearia Bristol
Fotografia: Arlindo Camacho
Compras, Mercearias

Mercearia Bristol

icon-location-pin Santa Maria Maior

Onde: Baixa
Idade: Incerta, foi restaurada em 1924

Há caça na Rua das Portas de Santo Antão. Leu bem. Não falamos de pratos de caça, de coutos de caça, nem de caçadores de arma em punho. Falamos de uma curiosa frutaria com décadas e décadas de vida, que além de todo o tipo de maçãs, pêssegos, bananas, clementinas, figos, morangos – a lista muda consoante a época, pois claro –, vende caça.

A perdiz está a 14,50€/unidade, o coelho tem o mesmo preço, mas a lebre vale 27,50€/unidade. “E também vendemos lampreia na época dela”, conta Alípio Gonçalves Ramos, na casa há 46 anos. Os produtos vêm maioritariamente do Alentejo, ainda com penas e pele. “Só não trazem a tripa. É um truque para se manterem mais fresquinhos.” A tradição de casar fruta e caça existe à mesa, é certo, numa mercearia já é mais raro, mas existe aqui há largos anos. “A casa é bem antiga, não sei a idade certa. Mas O Grande Elias [filme português de 1950] teve uma parte filmada aqui.”

Mercearia Progresso
Fotografia: Arlindo Camacho
Compras, Mercearias

Mercearia Progresso

icon-location-pin Alcântara

Onde: Alcântara
Idade: 50 Anos

É o protótipo de mercearia à moda antiga, com garrafas empoeiradas de vinhos do Dão, alguns Porto Vintage e outros exemplares de mesa, com uns quantos queijos e enchidos na montra do balcão de inox, com caixas de fruta bem arrumada e – fonte de grande procura – muito bacalhau. Atrás do balcão está João Jorge, que não se importa de lhe vender já a proteína para o Natal.


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Pérola de São Mamede
Fotografia: Manuel Manso
Compras, Mercearia de bairro

Pérola de São Mamede

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Onde: Príncipe Real
Idade: 82 Anos

"Vai pingando", responde Celestino Almeida, à pergunta da praxe: "Como vai o negócio?" Os tempos são outros, diz, "a malta nova já não quer saber do bacalhau, do feijão a granel", mas nem isso o demove de continuar a ter produtos frescos todos os dias. Seja o pão de Mafra, as carcaças, os queijos frescos, "a mortandela que corto aqui na fiambreira", além de arrozes, massas, cereais, águas, tudo etiquetado à mão em papelinhos.

A loja toda forrada a armários antigos azuis claros, balcão de mármore e ladrilhos amarelos, é um deleite para o Instagram, e o próprio dono, vindo de Oliveira de Frades de castigo, com 10 anos, trabalhar para a loja do padrinho, está bem habituado a fama e fotografias. Passe para dois dedos de conversa e de saída leve um Esquecido, uma bolacha aparentada de bolo caseiro e viciante (12€/kg).

Compras, Mercearias

Churrasqueira dos Passarinhos

icon-location-pin Lisboa

Onde: Campo de Ourique
Idade: Incerta, mas mais de 50 anos

Dois pães compridos, dois queijinhos frescos e meio frango acabado de assar não passam dos cinco euros e picos. A soma paga a Manuel Loureiro, dono da churrasqueira-mercearia, por uma cliente habitual, enquanto decorria a conversa com a Time Out, mostra que aqui os preços ainda são à moda antiga.

Os preços e todo o cenário. Do lado de cá do balcão de inox, onde habitam os queijos – “este da Queijaria Guilherme, em Serpa, é muito bom” – e enchidos da praxe, há frutas e legumes; do lado de lá há bebidas, iogurtes e outros lacticínios e uma grelha com rotação por onde passam frangos, entrecostos
 e entremeadas. Ou seja, daqui leva-se uma refeição completa.

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Compras, Mercearia de bairro

Rodrigues & Silva - Frutas e Legumes

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

Onde: Poço dos Negros
Idade: 36 Anos

No meio das cafetarias cool e 
das lojas (a que vamos chamar) very typical, apresenta-se esta mercearia de frutas e legumes que Ana Pinto, trabalhadora 
da casa há dez anos, comprou recentemente. Os frescos – espinafres carnudos, maçãs bravo de esmolfe cheirosas, abóboras fatiadas –, têm selo português, chegam do MARL e alinham-se em caixas ao lado de bons queijos, enchidos e pães tradicionais.


Mercearia da Glória
Fotografia: Manuel Manso
Compras, Mercearia de bairro

Mercearia da Glória

icon-location-pin Bairro Alto

Onde: Bairro Alto
Idade: Incerta, mas estima-se que a caminho dos 90

Nisto das lojas antigas da cidade, nem sempre é fácil fazer as contas aos anos de vida de um sítio. “Estamos aqui há 48 anos, já havia a loja com um senhor que esteve, vá, 23 anos, outro antes que devem ter sido 17, portanto veja”, contabiliza a dona Glória, que gere o negócio com o irmão. Abastecem-se de frescos no MARL e no Mercado da Ribeira, têm uma montra de queijos e enchidos compostinha, ainda vendem leguminosas e frutos secos a granel, lado a lado com aqueles velhinhos frascos XL de creme Revlon e uma série de produtos de drogaria. No meio da modernização do bairro, é como achar uma agulha no palheiro.

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Mercearia Casa Celeste
Fotografia: Manuel Manso
Compras, Mercearia de bairro

Mercearia Casa Celeste

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

Onde: Bairro Alto
Idade: 120 Anos

No meio de tomates-chucha, 
de diospiros, de morangos,
 de marmelos, de cebolas, beterrabas, tudo muito cheiroso e de aspecto bem fresco, encontram-se umas caixinhas com feijão verde já arranjado. Serão para clientes especiais? “O que não se consumir, vende-se; O que não se vender, consome-se."

Não é exactamente o lema da mercearia gerida por Maria Celeste (autora destas sábias palavras) a meias com a irmã, Maria Augusta, mas podia, já que basta passar cinco-sete minutos aqui para perceber que os mimos são muitos. Para clientes da casa, mas também para quem passa, espreita e, obviamente, entra. Os mimos e tudo aquilo que vendem: frescos vindos do Mercado da Ribeira, polvos congelados, queijos frescos daqueles que se comem só com sal e pimenta, frutos secos, charcutaria, é escolher. A qualidade está lá. Palavra Time Out.

pastel de massa tenra do frutalmeidas
Fotografia: Arlindo Camacho
Compras, Mercearias

Frutalmeidas

icon-location-pin Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Onde: Avenida de Roma
Idade: 47 Anos

Há quem lá vá pelos pastéis (legítimo), quem sonhe fazer 
anos para encomendar o bolo de morango e natas (compreende-se) e quem passe só para beber um sumo de fruta (acertadíssimo). Mas se de cada vez que lá for levar também um cesto de fruta fresca – “nacional sempre, estrangeira quando é preciso”, diz Freitas, gerente desde os anos 80 –, está a contribuir para a manutenção do comércio nacional. Pense nisso.

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Mercearia São José
Fotografia: Manuel Manso
Compras, Mercearia de bairro

José Manuel Ribeiro

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Onde: Avenida
Idade: 60 Anos

Queijo da Serra, enchidos da Beira Alta, miolo de amêndoa, nozes, tâmaras, papo-secos de Mafra, pão saloio... era possível continuar a debitar produtos por estas linhas fora. Mas vamos poupar-lhe a chatice de ler uma lista de compras e dizer apenas que na casa de José Manuel Ribeiro, que aqui começou como empregado, é tudo de qualidade e à moda antiga. Comece pelos queijos frescos e... e depois falamos.

Compras, Mercearias

Superfrutas Almeida

icon-location-pin São Sebastião

Onde: São Sebastião da Pedreira
Idade: 52 Anos

“Seja saudável comendo fruta”.
 A frase de boas-vindas do Superfrutas Almeida, escrita num néon azul por cima de
 uma das zonas de frescos, tem décadas de vida, mas encaixa
na perfeição nesta nova onda saudável-inspiracional dos dias que correm.

Este porto seguro das frutarias, onde se privilegiam os produtos nacionais, onde há sempre caixas e caixotes
 de brilhantes maçãs, ameixas, laranjas, bananas, you name it, 
é um bom posto abastecedor de matéria-prima para dar uso à liquidificadora ou para comer 
a fruta ao natural. Mais: têm produção própria, em Alenquer, de ameixas, pêras, pêssegos e marmelos.

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Festival dos Sabores de Lima
Fotografia: Arlindo Camacho
Compras, Mercearia de bairro

Festival dos Sabores do Lima

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Onde: Avenida
Idade: 38 Anos

Se o seu sonho é conhecer
o fadista Camané, plante
-se à porta desta mercearia tradicional e espere que ele lá vá beber a bica do dia. “É um querido”, diz Elisabete Lima, que herdou a loja dos pais. Aproveite o compasso de tempo para comprar uns frescos vindos do MARL – “vou lá todos os dias depois de fechar” –, beber os sumos naturais de fruta, provar os bolinhos de canela (delícia!), comer uma sandes de carne assada, comprar uns queijos frescos ou qualquer tipo de detergente/enlatado/lacticínio que precise. “Olhe, é bom para uma faltazinha. Por isso é que há as mercearias tradicionais.”

Compras, Mercearia de bairro

José Campos dos Santos

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Onde: Avenida
Idade: Incerta, estima-se que seja pré-1900

A vida desta mercearia de bairro, cujo nome original era A Popular de São José, termina no final deste ano, altura em que o dono vai entregar o prédio ao senhorio – o resto da história já se sabe. E se longe vai o tempo em que a banha de porco, a manteiga “e a polpa de tomate eram vendidas avulso”, recorda José Campos dos Santos, ainda pode lá
 passar a abastecer a despensa e comprar, por exemplo, torresmos fatiados.

Outras compras

mercearia do poço dos negros
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Espaço gastronómico

As melhores mercearias em Lisboa

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Il mercato
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Italiano

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BioSolo - Frutas e Legumes
Fotografia: Ana Luzia
Compras, Mercearias

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