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As dez melhores perseguições de automóvel da história do cinema

Cinema de acção rima com perseguição desde que o cinema é cinema. A Time Out diz-lhe quais são as dez mais impressionantes perseguições de carro alguma vez vistas num grande ecrã

Por muito que a indústria do cinema mude, o herói fica sempre com a miúda, o bem triunfa sobre o mal, e nada garante tensão no grande ecrã e malabarismos extravagantes como uma perseguição automóvel. A causar trepidação nas plateias desde que o primeiro personagem pôs o pé no acelerador, a história do cinema tem demasiadas perseguições memoráveis, mas algumas destacam-se das outras. Esta é a nossa lista das melhores perseguições de carros de sempre no cinema.

As nossas escolhas

Deathproof

Quentin Tarantino tem um fraquinho pelo cinema feito à antiga e por mulheres fortes. Estas duas paixões juntam-se na longa perseguição automóvel que é um dos pontos altos de Deathproof. Zoe Bell, que normalmente faz de dupla de Uma Thurman, aqui é a protagonista, ao volante do seu Dodge Challenger e à caça do assassino em série interpretado por Kurt Russell, Stuntman Mike. A cena torna-se ainda mais dramática quando Bell é obrigada a passar boa parte da perseguição precariamente equilibrada no capot ao mesmo tempo que a perseguição se transforma numa espécie de carrinhos de choque radicais. Quando a velocidade parece estar a abrandar, as outras protagonistas pegam no volante e tratam do assunto e de Mike. A capacidade de Tarantino de recuar um pouco e deixar os profissionais fazerem aquilo que melhor sabem fazer torna-o diferente de outros realizadores, neste caso confiando em Bell para não só vestir a pele da heróina ao mesmo tempo que fazia ela própria todas as cenas de acção, com a plateia pregada ao ecrã a saborear o resultado.

Drive

Apesar de não ter carta de condução ou sequer grande interesse em carros, Nicolas Winding Refn foi escolhido pessoalmente por Ryan Gosling para realizar, em 2011, Drive. O filme abre com um silencioso, frio Gosling no papel de um duplo tornado mecânico tornado condutor de fugas em assaltos, que conhece cada canto da cidade e por isso está sempre em vantagem nesta perseguição inicial. Adivinhando todas as jogadas seguintes da polícia, incluindo as dos helicópteros quando estes o topam, o personagem de Gosling e o seu carro simplesmente fundem-se nas sombras da baixa de Los Angeles. Para além da sua perícia ao volante, do acesso aos rádios da polícia e do conhecimento local, Gosling não tem mais armas ao seu dispor neste intenso jogo do gato e do carro. No fundo, ele e o realizador fazem desta perseguição um exemplo de simplicidade espectacular e eficaz, demonstrando que não é preciso ter música, diálogo ou mesmo acção mais tradicional para manter o espectador colado à tela.

Fast & Furious 6

Seria impensável ignorar esta série, sobretudo numa altura em que os filmes de acção tendem a privilegiar os super-heróis em detrimento da acção mais tradicional ao volante. O supra-sumo é provavelmente o sexto Velocidade Furiosa, e dentro dele a cena em que os protagonistas do filme vão atrás do vilão Owen Shaw, quando este foge à polícia e se escapa em ritmo alucinado pelas ruas. Os heróis são entretanto confrontados pelos cúmplices de Owen, e o que se segue é uma luta que inclui tecnologia, velocidade, tiroteios, e mesmo carros voadores. Tanto o filme como a série haveriam de adoptar as imagens criadas em computador com grande sucesso, mas esta perseguição fornece a excitação prática que os fãs procuram, além de nos recordar que foi a paixão pelas corridas de carros que fez destes pilotos originalmente uma família.

The Fifth Element

Bruce Willis não dá hipóteses no papel de um taxista renegado durante a perseguição automóvel voadora que marca o filme, passando-se a acção numa versão futurista da Terra. A cena arranca quando LeeLoo, interpretada por Milla Jovovich, literalmente aterra no lugar de trás do carro de Willis. O público descobre então o que serão os engarrafamentos do futuro, enquanto Willis serpenteia a um ritmo estonteante pelo tráfego, em todas as direcções possíveis e imagináveis. Todos os obstáculos, metafóricos ou físicos, são em simultâneo enfrentados com uma piada furiosa por parte de Willis, muitas delas improvisadas durante a rodagem. Infinitamente divertida, esta cena com os carros voadores é uma variação interessante da tradicional perseguição automóvel.  Inclui um drive-thru da McDonalds de ficção científica e demasiadas piadas visuais e verbais e malabarismos impressionantes para podermos fazer uma contagem exaustiva. O filme é um clássico de culto, e a perseguição no seu centro é uma das principais razões para isso.

The French Connection

É impossível referirmos perseguições automóveis clássicas sem falar em Bullit, com Steve Mcqueen, mas embora essa perseguição tenha sido considerada durante muitos anos a melhor de sempre, a verdade é que o produtor Philip D’Antoni a ultrapassou três anos depois, em The French Connection. Com o protagonista Gene Hackman a ter de ir atrás de um suspeito num comboio elevado nova-iorquino, os responsáveis pelo filme decidiram que a única maneira de fazer essa cena era filmá-la sem truques. Isso queria dizer sem polícia, sem autorizações, e, mais importante, sem qualquer alerta à população. Sabendo que teriam apenas um take, o realizador William Friedkin levou uma câmara para o banco de trás e o duplo Bill Hickman carregou no pedal, conduzindo loucamente por mais de 20 quarteirões. O esforço compensou, com cada tangente a ser tão perigosa como realmente parece, e mesmo um condutor desprevenido a despistar-se contra o carro de Hackman. Nem que fosse pelo nível de puro desvario, isto garantiria a The French Connection o primeiro lugar na lista.

GoldenEye

Com um título baseado no nome da casa de praia jamaicana do autor Ian Fleming, GoldenEye, de 1995, marcou a primeira aparição de Pierce Brosnan como James Bond. E para comemorar, o realizador Martin Campbell tinha na manga uma fabulosa perseguição automóvel. Esqueçam os Aston Martins, esta versão de 007 levava um tanque armado em furiosa perseguição. A ideia de um espião discreto foi pela janela, enquanto Bond furava sucessivamente através de prédios, trânsito, a polícia, militares, estátuas, e mesmo um atrelado cheio de água Perrier, tudo para resgatar Natalya, a sua parceira e génio dos computadores que tinha sido raptada. Por improvável que a acção pareça, o autor inteligentemente usou por cima dela o tema musical original de 007, dizendo aos espectadores que apesar de vir aí uma nova era de James Bond, o espírito do personagem iria manter-se. Há mais perseguições em GoldenEye, mas esta que abre o filme foi considerada a única suficientemente boa para ser incluída no grande sucesso de vendas que foi o videojogo que acompanhou o lançamento de GondenEye nas salas.

Matrix Reloaded

Para conseguirem fazer a longa perseguição automóvel de Matrix Reloaded, os realizadores, os irmãos Wachowski, passaram 48 dias em filmagens numa autoestrada que construíram de propósito para o filme. Aqui, a grande marca é a ambição. Enquanto os espectrais gémeos que são os vilões flutuam de veículo em veículo, os autores misturam em doses perfeitas perseguições automóveis (a cena tem mais do que uma) e combates com facas, tornando esta sequência um dos momentos mais memoráveis de toda série Matrix. Apesar de o herói estar ausente durante a maior parte da acção, uma vez iniciada a perseguição, é quase impossível afastarmos os olhos. Além do mais, a falta de Neo é mais do que compensada pela presença de Morpheus, que corta um carro ao meio com uma espada ao mesmo tempo que a canção mais poderosa do filme nos entra pelos ouvidos. Simplesmente tentar perceber onde está Trinity a cada momento é um jogo em si próprio, com as permanentes mudanças de direcção, as entradas e saídas do trânsito e as trocas constantes de transporte a desafiarem a nossa atenção. Uma vez que cada obstáculo é produto de um programa de computador, não há verdadeiramente limites para a quantidade de destruição a que assistimos. O resultado é uma sequência de 13 minutos, tensa, electrizante, em que cada carro é descartável e cada explosão não provoca sentimentos de culpa. Quando finalmente Neo entra em campo, fá-lo de uma forma espectacular, manipulando as regras da gravidade para rematar a vitória em grande estilo.

Jack Reacher

Jack Reacher colocou o foco na sua estrela, Tom Cruise, o que é uma pena, pois a acção e a atitude geral do filme são bem mais importantes do que a presença de Cruise. Escondida dentro desta investigação de um assassínio está uma das cenas que mais nos remete para o road movie clássico, em versão excesso de velocidade. Quando Jack descobre que está a ser acusado de um crime que não cometeu, ele vai atrás dos verdadeiros responsáveis, com a polícia no seu encalço. Quando se inicia a perseguição propriamente dita, não há uma única fala ou sequer nota musical a interrompê-la. O filme deixa o ruído das sirenes, das pancadas do metal, do chiar dos pneus e do constante prego a fundo de Reacher e companhia serem eles mesmos a contar a história. Este é provavelmente o título menos valorizado de toda a nossa lista, mas esta cena é um exemplo perfeito de como o velhinho filme de acção automóvel pode ser recuperado. E, mais, produzir mais excitação do que qualquer sequência feita com imagens geradas em computadores.

Ronin

Outro filme que tem obrigatoriamente de ser mencionado quando se trata de grandes perseguições de carro, Ronin tornou-se de facto mais famoso pelas suas cenas de acção ao volante do que pela sua intrincada história de espionagem e intriga internacional. O que não é uma surpresa: para aumentar o espectáculo das várias sequências de perseguição, a produção contratou mais de 300 duplos para conduzir os carros, não apenas aqueles que envolviam os principais personagens, mas o resto dos carros na estrada durante as filmagens. Filmado realmente nas ruas de Paris, o momento alto é a perseguição final, onde a perícia ao volante triunfa sobre os efeitos especiais. Há um certo ponto, quando pensamos que é impossível fazer melhor, em que a verdadeira acção começa com os dois carros a irem disparados contra o trânsito que vem em sentido contrário. Pode ser a magia do cinema , sim, mas simplesmente vermos o que dois condutores talentosos e corajosos conseguem fazer em ruas autênticas faz desta perseguição uma cena impossível de esquecer.

The Rock

De todos os filmes realizados por Michael Bay, ele próprio diz que The Rock é o seu favorito. Não é difícil perceber porquê, uma vez que contém as melhores perseguições de automóvel de toda a filmografia de um realizador onde acção a alta velocidade é coisa que não falta. É como se Bay tivesse acordado um dia a pensar em quanta destruição conseguiria ele fazer caber nos seis minutos- O resultado é uma sequência em que Sean Connery e Nicolas Cage (e o que se diria ser a totalidade da força policial de São Francisco, na Califórnia) seguem disparados pelas ruas da cidade numa perseguição que custou milhões de dólares a filmar, rebentando com tudo aquilo que lhes surge pelo caminho. Connery, em particular, mostra pouquíssimo respeito pela propriedade alheia, reduzindo a lixo postes de electricidade, camiões, táxis, e mesmo um dos históricos eléctricos de São Francisco.

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