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Blue Valentine
©IMDB Ryan Gosling e Michelle Williams em Blue Valentine

Momentos de música em filmes que não são musicais

Estes momento marcaram os filmes dos quais fazem parte e trouxeram-nos pedaços de música inesquecíveis. Conheça-os

Por Tiago Neto
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O formato musical pode não ser, no cinema, algo que atinja consenso. E mesmo que seja possível chegar a acordo, a vontade nem sempre é de preencher o filme incessantemente com música. É certo que na sétima arte existem grandes clássicos musicais, com temas que hão-de perdurar na memória, mas esta é uma proposta diferente. A lista que se segue leva-nos a recortes cinematográficos incomuns, excertos, recados, pequenos pedaços de música que se deixam encaixar no meio da história sem que lhe definam a estética. São momentos íntimos ou intimistas, são actores e actrizes que, por uns quantos minutos, nos desprendem da trama principal e nos levam a outro território. Conheça alguns dos momentos de música em filmes que não são musicais.

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Momentos de música em filmes que não são musicais

1. "Casablanca", Michael Curtiz (1942)

Rick Blaine (Humphrey Bogart) e Ilse Lund (Ingrid Bergman) formam, no filme de Michael Curtiz, um dos pares românticos mais imorredoiros de sempre. E a cena mais poderosa entre os dois é aquela em que, no final, eles se despedem e separam, para que Ilse possa seguir viagem para Lisboa com o marido resistente. Rick perde a amante, mas ganha um amigo. O filme é um dos grandes clássicos da sétima arte e tem razão para isso. Esta "As Time Goes By", escrita em 1931 e brilhantemente trazida em 1942 na voz de Dooley Wilson, é só mais um argumento a juntar a tantos outros.

2. "Boneca de Luxo", Blake Edwards (1961)

Adaptado da obra homónima de Truman Capote, Breakfast At Tiffany's chegou ao grande ecrã em 1961 e tornou-se, desde então, uma referência obrigatória para qualquer aficionado de cinema. Holly Golightly (Audrey Hepburn) leva uma vida de luxo e segura o seu apartamento em Manhattan através de favores que vai fazendo a vários homens. Paul Varjak (George Peppard) é o mais recente vizinho, um escritor em hiato que desenvolve um interesse por Holly e pela vida que esta vai levando. A cena acima é uma das mais icónicas de todo o filme, com Hepburn a tocar "Moon River", a canção escrita pelo génio de Johnny Mercer e musicada por outro peso pesado, Henry Mancini.
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3. "Armadilha Amorosa", Charles Walters (1955)

Podemos falar do imensurável talento, dos Óscares, dos incontáveis Grammy, da importância histórica, da voz, mas vamos focar-nos num só ponto: a personagem Charlie Y. Reader a que Frank Sinatra deu corpo neste The Tender Trap. É certo que o Chairman Of The Board, como também era apelidado, emprestou as cordas vocais a muitos outros filmes, todos eles de forma muitíssimo competente mas a forma como Sinatra se senta ao piano e explica a Julie Gillis (Debbie Reynolds) a simplicidade de uma canção, é mais do que motivo para o incluir nesta lista. 

4. "Irmão, Onde Estás?", Ethan e Joel Coen (2000)

Será difícil, no cinema recente, encontrar uma cena que nos transporte tão bem à Grande Depressão dos Estados Unidos como esta em O Brother, Where Art Thou?. O responsável é Tommy Johnson (Chris Thomas King), uma espécie de personagem paralelo a Robert Johnson, considerado o pai do blues do Delta. Saltando de localidade em localidade, o trio de ex-prisioneiros Everett (George Clooney), Pete Hogwallop (John Turturro) e Delmar O'Donnell (Tim Blake Nelson) acaba por cruzar caminhos com o homem e, num desses trilhos, em paragem, Johnson termina a noite com a canção. Uma beleza.

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5. "Antes do Anoitecer", Richard Linklater (2004)

A segunda parte da trilogia Before avança 14 anos em relação à primeira aventura de Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy). Desta feita, o encontro acontece em Paris, cidade onde Jesse faz uma última paragem para promover o seu mais recente livro antes de regressar aos Estados Unidos. Acontece que, inesperadamente para o autor, a rapariga que encontrou 14 anos antes em Viena está ali, à sua frente. Com pouco mais de uma hora e meia para colmatar a saudade, os dois passeiam por Paris, conversando, até à cena final, em que Celine mostra a Jesse uma canção que escreveu sobre ele.

6. "Black Snake Moan - A Redenção", Craig Brewer (2006)

Depois da partida de Ronnie (Justin Timberlake) para servir as forças armadas, Rae (Christina Ricci) cede à sua libido furiosa e entra numa senda de abandono e despreocupação quase fatal. Certo dia, Lazarus (Samuel L. Jackson), um bluesman que luta com os seus próprios demónios, encontra Rae espancada e deixada para morrer na valeta da estrada. O homem mantém-na em cativeiro até que esta consiga livra-se da sua aflição e endireitar a vida. Black Snake Moan não é um dos filmes que normalmente associamos a Samuel L. Jackson quando pensamos em clássicos mas a verdade é que o actor dedicou-lhe bastante tempo e aprendeu a tocar guitarra para conseguir preencher a personagem. E vale bem a pena ouvi-lo nesta faixa homónima da película.

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7. "No Mesmo Tom", John Carney (2007)

É preciso saber antes de mais que Glen Hansard é, antes de actor, um músico consagrado. E foi exactamente isso que mostrou neste Once, lado a lado com Markéta Irglová. A comprová-lo está a estatueta dourada que arrecadou com um dos temas que compôs e interpretou para o filme, juntamente com a co-protagonista Irglová, "Falling Slowly". A história é simples: uma rapariga conhece um rapaz em Dublin e ajuda-o a montar uma demo das suas canções, por meio de improviso e compensando as dificuldades da vida de cada um. Ela complementa-o, ele torna-se um projecto. Mais tarde, os dois acabam por se apaixonar por via da música que construíram. "Say It To Me Now" é outro dos temas originais de Hansard para o filme e é uma cena poderosíssima de arranque.

8. "Blue Valentine - Só Tu e Eu", Derek Cianfrance (2010)

Cindy e Dean (Michelle Williams e Ryan Gosling), casados, estão próximos do fim da linha e nem mesmo a filha serve para salvar a união. Confrontados com a amargura iminente de um casamento falhado, só lhes resta uma solução: procurar no passado as razões que os levaram a apaixonar-se. Pelo meio, Blue Valentine dá-nos um panorama realista sobre as dificuldades em repartir uma vida e dá, também, uma das cenas mais ternurentas do cinema com esta "You Always Hurt The One You Love", canção dos The Mills Brothers, cantada aqui pela voz de Gosling, acompanhada ao ukulele. 

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9. "Pequenas Mentiras Entre Amigos", Guillaume Canet (2010)

A casa de Max e Véro Cantara (François Cluzet e Valérie Bonneton) todos os anos é o cenário escolhido para as férias de um grupo de amigos fora de Paris. Mas um dos elementos, Ludo (Jean Dujardin), sofre um acidente e, com o acontecimento, algumas das fragilidades dos amigos começam a vir ao de cima. "Talk To Me" é a canção que Franck (Maxim Nucci), o "amor de Verão" de Marie (Marion Cotillard) começa a entoar depois de um jantar tenso, quebrando o ambiente.

10. "As Melhores Coisas Do Mundo", Laís Bodanzky (2010)

O protagonista desta história é Mano (Francisco Miguez), um adolescente paulistano mergulhado em situações em que medos, pressão para ter sucesso e relacionamentos familiares se manifestam intensamente. Com ele está a amiga Carol (Gabriela Rocha), a outra grande equação da história e parte indissociável do crescimento de Mano. No espaço de um mês, os dois vão enfrentar a vida à sua maneira, vivendo experiências e pondo à prova os seus próprios limites. Enquanto isto, Mano vai descobrir que é possível ultrapassar a adolescência com uma ou outra ajuda, principalmente da música e, daí, surge o título da obra, como a lista que este terá de fazer. 

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11. "Uma História de Amor", Spike Jonze (2013)

12. "A Propósito de Llewyn Davis", Ethan e Joel Coen (2014)

A aventura de Inside Llewyn Davis começou já depois de Este País Não É Para Velhos, numa altura em que os irmãos já tinham ascendido ao patamar de pesos pesados da indústria. E, apesar de não ter recebido qualquer estatueta dourada, o filme continua a ser uma história muitíssimo bem contada ou não fosse ela assinada pelos Coen. Llewyn Davis (Oscar Isaac) é um jovem cantor folk que luta para conseguir subir a escada do sucesso financeiro após o fracasso do seu álbum de estreia. Isto numa altura em que o folk se ia tornando uma ramificação com bastantes fãs pelos Estados Unidos. O filme está repleto de momentos musicais como as interpretações de "500 Miles", "Shoals Of Herring", "Queen Jane" ou "Hang Me, Oh Hang Me" mas esta "Fare Thee Well", ao jantar, é épica. 
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13. "Born To Be Blue", Robert Budreau (2015)

Retratando o regresso de Chet Baker ao activo depois do incidente que quase lhe terminava a carreira precocemente, Born To Be Blue tem aos comandos um Ethan Hawke bastante credível e bastante competente. Decidido a interpretar as canções pelos próprios pulmões, o texano Hawke vai dando ao público momentos bastante interessantes ao longo de todo o filme mas é em "My Funny Valentine", canção originalmente construída por Richard Rodgers e Lorenz Hart para o musical Babes In Arms, de 1937, que o vemos em território vencedor. Isto porque, apesar de não ser sua, a faixa tornou-se um ex-líbris do trompetista.

14. "Assim Nasce Uma Estrela", Bradley Cooper (2018)

Jackson "Jack" Maine (Bradley Cooper), um músico country que luta contra a adição, visita um centro de apoio onde assiste a uma performance em homenagem a Edith Piaf de Ally (Lady Gaga), uma empregada de mesa, cantora e compositora. Jack fica surpreso com o desempenho e os dois acabam por passar a noite na conversa. É aí que Ally lhe revela os seus esforços mal sucedidos em seguir uma carreira musical profissional. Depois disto, os dois embarcam numa viagem de construção pessoal e descoberta que se vai revelando entre concertos, conversas e olhares. O filme venceu o Óscar na categoria de melhor música original por "Shallow".

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