Cinema: Os melhores clássicos de Natal para ver em família

Famílias são o que são. Umas vezes são o nosso mais que tudo, outras não se podem suportar. No Natal têm de ser o mais que tudo, mesmo quando não se aguentam. Um filme visto em família pode ser um cessar-fogo. Oito clássicos de Natal aí vão.

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Cinema bem intencionado e xaroposo é mesmo próprio do Natal. E, lamecha que seja, muitas vezes faz falta e é compensador olhar para um destes filmes e pensar como o mundo seria bem melhor assim: uma ficção atribulada com final feliz. Enquanto não é, o sofá é um bom lugar para sonhar… em família.

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Cinema: Os melhores clássicos de Natal para ver em família

Era uma Vez... Dois Valentes (1934)

Laurel & Hardy (em Portugal conhecidos como Bucha e Estica) foram a mais popular dupla de actores cómicos do cinema norte-americano antes de Jerry Lewis e Dean Martin entrarem em cena. E, neste filme de Gus Meins e Charley Rogers, Stan Laurel e Oliver Hardy, ajudantes de fabricante de brinquedos, habitando um sapato na Brinquedolândia, tentam a todo o custo, no meio de muita imaginativa trapalhice, angariar o dinheiro suficiente para impedir o malvado Silas (Henry Kleinbach) de obrigar a bela Bow Peep (Florence Roberts) a casar com ele.

Do Céu Caiu Uma Estrela (1946)

Frank Capra dirigiu aquele que é sempre apontado entre os melhores filmes para um Natal em família, tornando esta fábula protagonizada por James Stewart, Donna Reed e Lionel Barrymore, um clássico da época. Um clássico nada instantâneo, aliás, pois, na altura da estreia, primeiro foi abandonado pelo público e, como se não bastasse, ainda foi denunciado ao F.B.I. como obra simpatizante do comunismo. Enfim. Foi a televisão (a tal que, então, se dizia ir matar o cinema) que tornou a película popular e, pelo menos até ao advento da televisão por cabo, com a sua miríade de ofertas, Do Céu Caiu Uma Estrela ocupou lugar privilegiado no entretenimento natalício. Nada mau, para um filme que começa com uma tentativa de suicídio e prossegue com um anjo mostrando ao protagonista como seria a vida dos que ama no caso de ele morrer.

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Música no Coração (1965)

Robert Wise, ao adaptar este êxito do teatro musical, não estava a pensar no Natal, e pouco na película remete para a quadra. Porém, Música no Coração é praticamente o paradigma do filme para toda a família se entreter com as aventuras da noviça estouvada, preceptora peculiar, esposa fiel e desembaraçada anti-nazi interpretada por Julie Andrews. Baseado na verdadeira história da família do comandante da Marinha austríaca Georg Von Trapp (Christopher Plummer), que insistiu em desobedecer aos nazis e fugiu com a mulher e um rancho de filhos através das montanhas para a Suiça, a obra, além de uma improvável história de amor e de cantorias (mesmo quando muito xaroposas) inesquecíveis, vive um equilíbrio delicado e sereno entre a comédia e a tragédia, e é particularmente eficaz na lembrança dos valores de união familiar sobre todas as coisas.

Gremlins (1984)

No meio desta meia lamechice em que vamos para aí até ao Ano Novo, o realizador Joe Dante, com argumento do futuro realizador Chris Columbus, meteu um pauzinho na engrenagem do modelo corrente de filme natalício (começando por estrear no Verão película com acção passada no Natal) e criou esta comédia destravada. Como toda a gente sabe a acção, quase sempre frenética, é criada por um grupo de monstrinhos verdes com grande inclinação para a destruição quando têm acesso a água e comida depois da meia-noite. Acesso concedido por um rapaz agradecido e de bom coração, que não esperava tão bizarro presente nem tamanha anarquia, mas que finalmente aprendeu a sua lição corrigindo o mal que inconscientemente gerou – felizmente só depois dos mostrenguinhos partirem a loiça toda, que é a grande graça da história.

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Sozinho em Casa (1990)

O já realizador Chris Columbus, com argumento do futuro realizador John Hughes (isto começa a ser repetitivo), deu a Macaulay Culkin o melhor papel da sua carreira nesta comédia de abrir e fechar portas em que uma larga família vai de viagem e, no meio da confusão da partida, deixa para trás o filho mais novo. Por sua própria conta, em casa onde não falta nada e o que falta pode ser encomendado pelo telefone graças a um cartão de crédito que ficou esquecido, o miúdo vai tirando o melhor partido possível da situação, até que os bandidos mais estúpidos e trapalhões do hemisfério, interpretados por Joe Pesci e Daniel Stern, pensando estar a habitação vazia, resolvem assaltá-la. Não sabiam no que se iam meter…

O Estranho Mundo de Jack (1993)

Apesar da realização de Henry Selick, tudo por detrás deste bizarro encantamento natalício tem escrito Tim Burton: o poema original, o universo subterrâneo, a fascinação pela luz, a técnica de animação, e a produção, que garante o controlo de tudo. E tudo é muito, nesta fábula musical e encantadoramente alucinada, onde o aborrecimento e um acidente levam Jack Skellington da Cidade do Halloween até à Cidade do Natal. Tão encantado fica, tão obcecado, mesmo, perante a luz e a cor e a alegria e os presentes, que decide usurpar a festa e introduzi-la na sua cinzenta cidade. Infelizmente, Jack não compreendeu bem o conceito de Natal. Todavia, a coisa compõe-se.

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Elf – O Falso Duende (2003)

Nas personagens de Will Ferrell existe sempre uma mistura entre vulgaridade (facção bronca), realidade, ingenuidade e (com dificuldade se afirma) ternura, que torna difícil levá-lo a sério. Ora, desta vez, quem duvidava deixou de duvidar pois o actor abandona, usando exemplarmente os seus tiques habituais a favor da interpretação, esse tom geralmente boçal. Aqui, nesta farsa bem intencionada de Jon Favreau, Ferrell é um dos elfos do Pai Natal. Um particularmente optimista que, carregadinho de espírito natalício e distribuindo boa vontade, parte numa jornada em busca do seu pai biológico, espalhando amor terra afora e muita gargalhada entre o público com as suas trapalhices.

Um Conto de Natal (2008)

E porque isto do Natal não pode ser só bons sentimentos, aqui está o clássico filme para as festas em que argumentista (Emmanuel Bourdieu) e o realizador aproveitam a reunião de uma família para mostrar todas as disfuncionalidades que se escondem por debaixo da hipocrisia das festas obrigatórias. Arnaud Desplechin, seguindo o modelo americano deste subgénero, apesar da falta de originalidade do tema, conseguiu ainda assim apresentar uma obra onde equilibra profundidade de observação com o registo de farsa jovial. Aqui, a acção é desencadeada pelo diagnóstico de leucemia à matriarca da família (Catherine Deneuve), e pela chegada da ovelha tresmalhada (Mathieu Amalric), ausente há anos. Mas é no desenvolvimento do entrecho (e na colaboração inspirada de Jean-Paul Roussillon, Anne Consigny, Melvil Poupaud e Chiara Mastroianni) que está a graça e a habilidade da realização.

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