Dez papéis memoráveis de Christopher Plummer

Aos 88 anos, o actor canadiano é o mais velho nomeado para um Óscar, o de Melhor Secundário, por 'Todo o Dinheiro do Mundo'. Eis dez das suas maiores interpretações

Christopher Plummer, nomeado por Todo o Dinheiro do Mundo

O veterano Plummer começou a fazer filmes há exactamente 60 anos e evocamos aqui uma dezena dos seus maiores papéis, em filmes como A Queda do Império Romano, Música no Coração ou O Homem que Queria Ser Rei. Agora, está nomeado para o Óscar na categoria de Melhor Actor Secundário, com o filme Todo o Dinheiro do Mundo

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Dez papéis memoráveis de Christopher Plummer

‘A Floresta Interdita’, de Nicholas Ray (1958)

Este foi o segundo filme, e o primeiro papel principal de Christopher Plummer, o de um ornitólogo e guarda-caça na Florida do início do século XX, que enfrenta uma família de caçadores furtivos de pássaros. O realizador Nicholas Ray foi despedido antes do fim da rodagem e substituído pelo argumentista, Budd Schulberg. Mas isso não afectou Plummer, que tem uma interpretação muito segura, contracenando com o veterano Burl Ives no papel do vilão.

‘A Queda do Império Romano’, de Anthony Mann (1964)

Depois de ter estado seis anos sem fazer cinema, por causa das muitas solicitações do teatro e da televisão, Christopher Plummer regressou em grande à tela, nesta superprodução histórica, e num papel “antipático”: o de Cómodo, o filho sedento de poder do imperador Marco Aurélio. No seu género, o filme é um dos melhores dessa época, e Plummer contracena com Alec Guinness, James Mason, Sophia Loren e Stephen Boyd.

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‘Música no Coração’, de Robert Wise (1965)

O nome de Christopher Plummer tornou-se indissociável, para milhões de pessoas, da personagem do severo capitão Von Trapp, cujo coração é “derretido” pela Maria de Julie Andrews, nesta adaptação ao cinema do musical de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II. Plummer, que foi dobrado na sequência em que canta Edelweiss, não gostou nada de trabalhar no filme, ao qual se referiu sempre de forma trocista durante muitos anos, apesar da sua grande amizade com Andrews. Recentemente, admitiu ter tido uma atitude “arrogante” em relação à sua personagem e à fita.

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Oedipus the King’, de Philip Saville (1968)

Filmada na Grécia pelo inglês Philip Saville, um realizador com larga experiência de teatro televisivo, esta adaptação da tragédia Rei Édipo, de Sófocles, deu a Christopher Plummer, no papel do título, a oportunidade de mostrar na tela todo o seu estofo de actor de palco, onde já tinha sido consagrado bem antes de começar a fazer filmes. Acompanham-no aqui nomes como Orson Welles, Richard Johnson, Donald Sutherland, Lili Palmer ou Cyril Cusack. Oedipus The King ficou inédito em Portugal.

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‘Waterloo’, de Sergei Bondarchuk (1970)

Entre as várias figuras históricas e públicas que Christopher Plummer já personificou na sua longa carreira de actor de cinema está o Duque de Wellington, nesta superprodução histórica entre a antiga URSS e a Itália, e na qual Rod Steiger faz o papel de Napoleão Bonaparte. Waterloo é um dos melhores filmes dos muitos feitos com temática napoleónica, e o altivo e decidido Wellington de Plummer passou a ser de referência para esta figura.

‘O Homem que Queria Ser Rei’, de John Huston (1975)

Sean Connery e Michael Caine são os principais intérpretes deste esplêndido filme de aventuras de John Huston, baseado num conto de Rudyard Kipling. Christopher Plummer tem um papel muito mais pequeno do que aqueles dois, precisamente o do escritor, aparecendo apenas no princípio e no final da história. No entanto, o seu Kipling é tão bem composto e tão convincente, tanto na parecença física como na atitude, que nos fica gravado na memória de forma tão indelével como as personagens de Connery e Caine.

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‘Eclipse Total’, de Taylor Hackford (1995)

Este filme de Taylor Hackford transporta para o cinema um dos livros não-fantásticos de Stephen King, e é também uma das melhores versões cinematográficas de uma obra do autor de Carrie. Christopher Plummer é excelente no polícia obsessivo que tenta há anos provar que a personagem principal da história, Dolores Claiborne (Kathy Bates), foi erradamente absolvida em tribunal da acusação de assassínio da sua rica patroa, no Maine, e que é mesmo culpada. Um papel todo em máscara de obsessão.

‘O Informador’, de Michael Mann (1999)

Mais uma inatacável interpretação de uma figura real para Christopher Plummer nesta fita de Michael Mann sobre Jeffrey Wigand (Russell Crowe), um homem ligado à indústria do tabaco nos EUA, que fez várias e graves denúncias sobre a mesma no programa 60 Minutos, da CBS. Plummer personifica o veterano e algo pomposo jornalista Mike Wallace, da equipa do 60 Minutos, que não teve coragem suficiente para acompanhar o seu produtor, Lowell Bergman (Al Pacino), na defesa do testemunho de Wigand.

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‘A Última Estação’, de Michael Hoffman (2009)

Christopher Plummer teve a sua primeira nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário nesta drama sobre os últimos dias da vida do escritor Leon Tolstoi na sua propriedade de Yasnaya Polyana, enquanto a mulher, Sofya (Helen Mirren), tenta assegurar os direitos dos livros do marido após a sua morte. Plummer evita a armadilha do overacting exibicionista e faz passar a contradição entre as convicções político-filosóficas e religosas do autor de Guerra e Paz, e a sua condição de aristocrata e grande proprietário.

‘Assim é o Amor’, de Mike Mills (2010)

O Óscar de Melhor Actor Secundário foi parar às mãos de Christopher Plummer à segunda nomeação, pelo seu papel de um septuagenário viúvo que revela ao filho que é homossexual, que tem um amante muito mais novo do que ele e do que o próprio filho, e que está a morrer de cancro. Mike Mills, o realizador e argumentista de Assim é o Amor, baseou a personagem de Plummer no seu próprio pai, e o actor personifica soberbamente um homem que renasce para a vida quando a esmagadora maioria das pessoas da sua idade já não esperam mais nada dela.

 

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