Michael Caine em dez filmes essenciais

Aos 84 anos e com 60 de carreira no cinema, Michael Caine tem um filme novo nas salas portuguesas, 'Ladrões com Estilo'. Uma boa ocasião para recordarmos 10 dos seus melhores papéis
50 Great British actors, Batman Begins - Medium shot of Michael Caine as Alfred.
Por Eurico de Barros |
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John Huston, Woody Allen, Brian De Palma, Joseph L. Mankiewicz ou Lewis Gilbert são alguns dos realizadores com os quais Michael Caine fez os melhores filmes da sua longa e rica carreira cinematográfica. Agora pode vê-lo no grande ecrã em Ladrões com Estilo, com mais dois grandes, Morgan Freeman e Alan Arkin. Leia a crítica aqui

 

Michael Caine em dez filmes essenciais

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‘Zulu’, de Cy Enfield (1964)

Michael Caine por um pouco não entrou neste filme, o primeiro onde teve um papel de destaque. Depois de ter sido rejeitado para interpretar o tenente Bromhead, e contracenar com o consagrado Stanley Baker, encontrou por acaso o produtor da fita, o célebre Joseph E. Levine numa festa. Este informou-o que o actor escolhido para o papel tinha adoecido, e perguntou se Caine ainda o queria. No dia seguinte, partiu para a África do Sul iniciar a rodagem. O filme é uma empolgante recriação da heróica batalha de Roarke’s Drift, travada nos dias 22 e 23 de Janeiro de 1879, entre os Zulus e um pequeno grupo de soldados ingleses.

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‘O Caso Ipcress’, de Sidney J. Furie (1965)

Este é o primeiro filme da série em que Michael Caine personificou o agente secreto Harry Palmer, criado em livro pelo escritor Len Deighton, e concebido como o anti-James Bond. Tal como Caine, Palmer usa óculos (o primeiro herói de acção do cinema a fazê-lo). Leva uma vida banal, é discreto e evita meter-se em altas cavalarias e recorrer à violência, fazendo-o apenas quando é estritamente necessário. O actor daria corpo a Harry Palmer em mais quatro fitas, até finais dos anos 90. O agente foi “baptizado” por Caine e pelo produtor Harry Saltzman, já que Leighton não lhe deu nome nos livros.

+ Os rivais de James Bond no cinema

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‘Alfie’, de Lewis Gilbert (1966)

Um dos papéis mais emblemáticos de Caine, que o lançou de vez para o estrelato. Alfie é um Don Juan das classes trabalhadoras, um homem que usa as mulheres como lenços de papel e depois as abandona, não o fazendo para subir socialmente ou com qualquer outro propósito senão o gozo sexual. O facto de Michael Caine ser um cockney de casca e gema, tal como Alfie, foi um grande trunfo para ele. A personagem fala directamente para a câmara (o filme baseia-se numa peça de teatro), o que não era comum no cinema da época, criando uma maior proximidade com o espectador. Primeira nomeação ao Óscar para Caine.

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‘Um Golpe em Itália’, de Peter Collinson (1969)

Charlie Croker (Michael Caine) acabou de sair da cadeia e já se meteu num “golpe” em grande, e logo em Itália, nas barbas da Mafia: roubar um carregamento de ouro nas ruas de Turim, após criar uma diversão no trânsito da cidade. Um dos grandes “filmes de assalto” de sempre, com Caine perfeito numa personagem de acção máscula, cool e sarcástica, e no qual os automóveis (incluindo três Minis, dois Jaguares e um autocarro) são tão importantes como as pessoas. Não é à toa que Um Golpe em Itália tem uma das mais espectaculares perseguições de carro da história do cinema. Descubra aqui outras. 

 

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‘Get Carter’, de Mike Hodges (1971)

Um raro papel de “duro” para Michael Caine neste policial bem à inglesa, de um realismo vincado, que conta uma história passada no submundo de Newcastle sem deixar de fazer algum comentário social. O actor é o Carter do título, um implacável gangster de Londres que chega àquela cidade industrial do norte de Inglaterra para investigar a morte do irmão, ocorrida em circunstâncias suspeitas, e se necessário, vingá-lo. Contido e intimidante, Caine tem aqui um dos seus melhores papéis, o de um homem frio e habituado à violência, com muito pouco que o redima e nada preocupado com isso.

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‘Autópsia de um Crime’, de Joseph L. Mankiewicz (1972)

O derradeiro filme de Joseph L. Mankiewickz baseia-se numa peça de teatro de Anthony Shaffer, que também escreveu o argumento, e é um tour de force para dois actores, Michael Caine e Sir Laurence Olivier, interpretando personagens divididas por um abismo social caracteristicamente britânico, patente até nos seus respectivos sotaques. Caine faz um cabeleireiro que “roubou” a mulher ao rico e sofisticado Olivier, e este não quer deixar a afronta em branco. Foram ambos nomeados ao Óscar de Melhor Actor (a segunda vez para Michael Caine), embora nenhum deles tenha ganho.

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‘O Homem que Queria Ser Rei’, de John Huston (1975)


Desde os anos 50 que John Huston queria filmar esta aventura, passada no século XIX, nos confins do império britânico e baseada num conto de Rudyard Kipling. Michael Caine e Sean Connery são simplesmente formidáveis interpretando dois soldados, tão destemidos como calculistas, que abandonam o exército de Sua Majestade e rumam ao Kafiristão, uma remotíssima região onde nenhum homem pôs o pé desde Alexandre, o Grande. Uma vez lá chegados, são tomados por deuses pela população local, e tratados como tal. Mas não há bem que dure sempre.

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‘Vestida para Matar’, de Brian De Palma (1980)


Michael Caine nunca desdenhou dar corpo a personagens menos positivas, e tem uma surpreendente interpretação neste thriller psicológico (e consideravelmente erótico) de Brian De Palma, repleto de citações, homenagens e piscadelas de olho ao cinema do seu mestre, Alfred Hitchcock. Uma paciente (Angie Dickinson) de um distinto psiquiatra novaiorquino (Caine) é assassinada por uma misteriosa mulher loira, que persegue depois a jovem prostituta de luxo (Nancy Allen) que testemunhou o crime. Michael Caine “herdou” o papel do seu amigo Sean Connery, que não estava disponível para o fazer.

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‘A Educação de Rita’, de Lewis Gilbert (1983)

Mais uma adaptação de uma peça de teatro, que se tornou no filme favorito de Michael Caine e lhe proporcionou a interpretação de que ele diz estar mais orgulhoso. Nesta comédia dramática, Caine personifica Frank Bryant, um professor universitário dado à bebida, preso num casamento seco da amor e completamente desiludido com a vida, que conhece, num curso de Verão que vai leccionar, Rita (Julie Walters), uma cabeleireira que quer tirar Literatura Inglesa para se valorizar, antes de ter o primeiro filho. Frank e Rita acabam por puxar um pelo outro e mudar o rumo das suas vidas.

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‘Ana e as Suas Irmãs’, de Woody Allen (1986)

Primeiro Óscar de Melhor Actor secundário para Michael Caine (o segundo seria por Regras da Casa, de Lasse Halstrom, em 2000), nesta ensemble piece nova-iorquina de e com Woody Allen. Caine interpreta o segundo marido da personagem de Mia Farrow, um consultor financeiro que se apaixona por uma das irmãs desta (Barbara Hershey), que por sua vez vive com um artista atormentado (Max Von Sydow) e mais velho que ela. Um papelão de Michael Caine, que se movimenta com toda a destreza entre um registo mais cómico e outro mais tingido de dramatismo, sem nunca se tornar ridículo ou patético.

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©Image Group LA/HFPA
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