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15 filmes e séries sobre racismo para combater a indiferença

O racismo sistémico está na ordem do dia. Eis 15 filmes e séries sobre racismo para o ajudar a compreender a actualidade.

Por Tiago Neto
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A morte do norte-americano George Floyd trouxe à luz uma América de preconceito e brutalidade policial, de intolerância e divisão. Mas trouxe, também, uma discussão que nunca deixou de estar em cima da mesa: a história do país e a forma como este esteve sempre embebido no racismo e na discriminação. A realidade é que, apesar da abolição da escravatura, implementada nos Estados Unidos pela 13.ª Emenda (que é também um documentário e que pode ver de forma gratuita no YouTube), em 1865, a sociedade continua dividida e a braços com essa herança. A literatura retratou-o muitas vezes, e há recursos que nos ajudam a compreender a problemática em vários meios, mas o audiovisual é talvez o mais forte. Como se percebe por estes 15 filmes e séries sobre racismo.

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15 filmes e séries sobre racismo

Malcolm X (1992)

Em Malcolm X, Spike Lee traça a dramática evolução do líder negro, de criança pobre, traficante e ladrão, a condenado, a porta-voz da Nação do Islão e, finalmente, depois de uma peregrinação a Meca, ao poderoso humanista que usou o seu dom retórico para repudiar o racismo antes de ser morto a tiro, aos 39 anos. O filme leva o público da pobreza rural do Nebraska da década de 1920 às ruas de Roxbury, em Boston, e ao Harlem, em Nova Iorque, dentro do mundo dos muçulmanos negros e da terra santa do Médio Oriente. O argumento, que encarna a visão de Malcolm X de Lee, é baseado numa adaptação de A Autobiografia de Malcolm X, escrita por Alex Haley e publicada em 1965.

América Proibida (1998)

É um dos exemplos mais claros e modernos do conflito racial, da questão dos gangues, do comportamento de matilha e do ódio herdado que o cinema produziu nas últimas décadas. De tal maneira que valeu a Edward Norton a nomeação para Melhor Actor da Academia. Mas no que realmente interessa, América Proibida, de Tony Kaye, é um poderoso murro no estômago que nos leva às entranhas de uma célula neo-nazi, mergulhando o espectador no funcionamento da mesma, e no perigo da propagação de uma mensagem assente no preconceito racial.  

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Zona J (1998)

Zona J chegou aos cinemas em 1998 e, à altura, o filme de Leonel Vieira destapou algumas preocupações da sociedade portuguesa. Isto porque, por um lado, Zona J apresenta-nos o retrato da exclusão, da luta das classes desfavorecidas em território nacional, de um racismo de aparência dormente mas que é sentido em força. Por outro lado, transformou Chelas numa zona proibida, pintada unicamente a delinquência e crime, uma generalização perigosa. Pesados os dois lados, o filme não deixa de ter pontos relevantes ao retratar a história de Tó, Carla, Filomena, Ulisses ou Pantera, numa Lisboa pouco receptiva às suas minorias.

The Untold Story of Emmett Louis Till (2005)

A história de Emmett Till, um rapaz de 14 anos que foi violentamente espancado e alvejado na cabeça numa viagem ao sul do país por, supostamente, ter assobiado para uma mulher branca, foi um dos maiores catalizadores de revolta racial na América do século XX. Tudo corria como esperado: o miúdo morreu, o problema resolveu-se. Mas a mãe de Till, Mamie Mobley, era tudo menos branda e iniciou um movimento inesperado: viajou até ao Mississippi, foi reconhecer o corpo desfigurado do filho e fez questão de que a imprensa também o visse e publicasse. Mamie enfrentou o sistema de frente, processou os dois suspeitos, fez o funeral de caixão aberto, uniu a comunidade e levantou a voz para que a injustiça acabasse. Várias décadas depois, a mulher a quem Emmett teria supostamente assobiado admitiu ter mentido. O filme de Keith A. Beauchamp pode ser visto na íntegra no Youtube.

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Freedom Riders (2010)

Realizado por Stanley Nelson e baseado no livro de Raymond Arsenault, Freedom Riders: 1961 And The Struggle For Racial Justice, este documentário de duas horas conta a história do Verão de 1961, quando mais de 400 afro-americanos e brancos arriscaram as suas vidas numa viagem pelo sul, para protestar contra a segregação. Comprometidos com a justiça e determinados a apontar holofotes à causa dos direitos civis, estes homens e mulheres auto-apelidaram-se de Freedom Riders e marcaram para sempre a história, enfrentando o racismo e a violência da multidão ao longo do caminho.

12 Anos Escravo (2013)

Neste galardoado título, baseado num livro de memórias de Solomon Northrup, de 1853, Chiwitel Ejiofor interpreta Northrup, um negro nascido livre em Nova Iorque que é sequestrado e vendido como escravo. O filme mostra os 12 anos de trabalho árduo de Northrup numa plantação no sul, bem como os seus esforços para escapar da escravidão. Realizado por Steve McQueen, 12 Anos Escravo (12 Years a Slave, na versão original) foi comemorado pelo seu olhar inflexível sobre a violência e o abuso a que os afro-americanos foram submetidos ao longo da história.

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Selma: A Marcha da Liberdade (2014)

Selma, realizado pela galardoada Ava DuVernay, é um drama histórico que se concentra nas marchas do direito de voto que aconteceram entre Selma e Montgomery, em 1965, lideradas por Martin Luther King Jr. e pelo activista e futuro congressista John Lewis, entre outros. DuVernay dramatiza os esforços de King e Lewis para impedir a privação de direitos dos afro-americanos, culminando na marcha histórica pela ponte Edmund Pettus, no estado do Alabama, palco do dia que ficou conhecido como Bloody Sunday, pela violenta investida da polícia contra os marchantes. 

A 13.ª Emenda (2016)

The 13th (que se refere à 13.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que ditou o fim da escravatura) é um documentário da Netflix também de Ava DuVernay. Uma visão de como a raça e o sistema de justiça interagem com o problema de encarceramento em massa na América. Ao comparar o sistema à escravidão americana, o filme de DuVernay espelha o complexo industrial da prisão e lança uma luz sobre os sistemas com fins lucrativos que corromperam profundamente as instalações correccionais do país. O filme foi nomeado para o Óscar de Melhor Documentário e venceu um Emmy. 

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I Am Not Your Negro – Não Sou o Teu Negro (2016)

O documentário I Am Not Your Negro – Não Sou o Teu Negro, de Raoul Peck, é baseado em Remember This House, obra inacabada de James Baldwin, que cobre o percurso do racismo na América, concentrando-se nas histórias dos líderes dos direitos civis Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr. Um filme forte, com muitos dos personagens históricos em discurso directo e que serve como ponte para o actual momento.

Dear White People (2017-)

Em três volumes e 30 episódios, esta série de comédia dramática acompanha um grupo de estudantes negros enquanto estes navegam nas peripécias quotidianas de uma universidade da Ivy League que se considera “pós-racial” mas que, na verdade, é tudo menos isso. Gargalhadas e risadas e informações sobre o que há de errado nas relações raciais na América de hoje são alguns dos pontos a esperar.

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Flint Town (2018)

Flint Town lança um olhar íntimo sobre o estado do policiamento na América através das lentes do Departamento de Polícia desta cidade do Michigan. Flint é consistentemente noticiada como uma das cidades mais violentas da América e a comunidade ainda está a enfrentar o encobrimento da contaminação da sua água, originando uma desconfiança maciça nos agentes da lei. Ao longo de oito episódios, os cineastas juntam-se aos polícias que enfrentam os problemas de infraestrutura e recursos reduzidos, e arriscam as suas vidas para proteger e servir a comunidade, ao mesmo tempo que lutam para obter apoio. 

BlacKkKlansman: O Infiltrado (2018)

O filme, realizado por Spike Lee, é baseado num livro de memórias de 2014 de Ron Stallworth, o primeiro polícia e detective afro-americano do Departamento de Polícia de Colorado Springs. A acção passa-se na década de 1970, quando Stallworth é encarregado de se infiltrar e expor o capítulo do Ku Klux Klan da cidade, obtendo resultados impressionantes e um olhar detalhado sobre o funcionamento da organização.

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Aos Olhos da Justiça (2019)

Baseada numa história que abalou os Estados Unidos, When They See Us relata o caso verídico de cinco adolescentes negros, conhecidos como os "Central Park Five", que foram condenados por um crime de violação que não cometeram. A minissérie de Ava DuVernay foca-se nestes cinco jovens do Harlem, Antron McCray, Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymond Santana e Korey Wise, e acompanha o caso ao longo de 25 anos desde os primeiros interrogatórios em 1989, passando pela sua exoneração em 2002 e culminando com a assinatura de um acordo de ressarcimento com a cidade de Nova Iorque, em 2014.

Tudo Pela Justiça (2019)

O film de Destin Daniel Cretton é baseado na história real de Bryan Stevenson, um advogado de direitos civis, e Walter McMillan, o seu cliente, que foi injustamente condenado pelo assassinato de uma mulher branca. E mostra a luta de Stevenson para limpar o nome de McMillan, apesar do racismo e dos obstáculos legais e políticos que os dois enfrentam ao longo do caminho.

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Who Killed Malcolm X? (2019-2020)

O documentário segue o trabalho de Abdur-Rahman Muhammad, historiador e guia turístico de Washington, DC, que há mais de 30 anos investiga o assassinato de uma das figuras mais importantes do movimento pelos direitos civis, Malcolm X. No documentário, o assassino condenado, Talmadge Hayer, afirma que os seus quatro co-conspiradores eram Benjamin Thomas, Leon Davis, William X e um homem chamado Wilbur ou Kinly, todos membros da Nação do Islão. Certo é que, como em tantos outros episódios da história afro-americana, nunca foram encontradas respostas concretas. Ainda assim, Who Killed Malcolm X? ajuda-nos a perceber melhor a história do homem.

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