Dersu Uzala,
A Águia da Estepe (1975)

Dez filmes que ganharam o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro

Fellini, Truffaut ou Bergman são alguns dos realizadores cujos filmes ganharam o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro

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O Óscar de Melhor Filme Estrangeiro – ou o Melhor Filme Internacional, como se chama agora – é o parente pobre na cerimónia de entrega dos prémios da Academia. No entanto, foi uma das poucas estatuetas douradas que durante anos valeu a alguns dos grandes clássicos da sétima arte, como , de Federico Fellini, ou A Noite Americana, de François Truffaut. Mas isso parece estar a mudar. Roma, de Alfonso Cuarón, era um dos favoritos do ano passado nalgumas das principais categorias, e este ano é Parasitas, do sul-coreano Bong Joon-ho, que se destaca com seis nomeações, incluindo nas categorias de Melhor Filme e Realização.

Vote aqui para quem acha que devia ser o filme vencedor este ano. 

Dez filmes que ganharam o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro

1. ‘O Meu Tio’, de Jacques Tati (1958)

O “tio” do título é o Sr. Hulot, a tão genial quanto gentil e distraída personagem interpretada por Jacques Tati, que também funciona como o seu alter ego cinematográfico. Hulot vai visitar o sobrinho de nove anos, que vive com os pais numa vivenda ultramoderna num novo subúrbio de Paris, e esta situação familiar serve para Tati fazer uma sátira minuciosa, certeira, irresistível, à sociedade de consumo, de massas e da inovação tecnológica que despontava em França, passados os anos duros do pós-guerra, e confrontar Hulot com ela.

2. ‘A Fonte da Virgem’, de Ingmar Bergman (1960)

Este filme de época deu a Ingmar Bergman o primeiro dos três Óscares de Melhor Filme Estrangeiro que ganhou. O realizador sueco baseou-se numa lenda medieval do seu país para rodar esta história da implacável vingança de um pai sobre os três homens que lhe violaram e mataram a filha adolescente. É clara a influência de Akira Kurosawa no estilo de Ingmar Bergman à época, tendo o próprio realizador chamado então ao filme, cheio de referências ao paganismo e ao cristianismo, “uma pobre imitação de Kurosawa”.

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3. ‘Comboios Rigorosamente Vigiados’, de Jiri Menzel (1967)

Baseado num livro do escritor e actor checo Bohumil Hrabal, que também assina o argumento, este é um dos títulos mais conhecidos e celebrados da Nova Vaga do cinema checoslovaco, e a primeira-longa metragem do seu realizador, Jiri Menzel. Milos, o jovem herói, arranja emprego numa estação de caminhos de ferro do seu país durante a ocupação alemã na II Guerra Mundial, e está obcecado em perder a virgindade. Menzel espeta várias farpas no poder comunista da época com esta comédia erótica e sardónica.

4. '8½', de Federico Fellini (1963)

É o mais icónico filme de Federico Fellini e um dos quatro premiados com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Aqui, o realizador italiano monta um verdadeiro circo de emoções a partir das suas próprias emoções, entregando ao maior dos actores europeus, Marcello Mastroianni, o papel de seu alter ego. E, como no circo, o cineasta faz da sua história uma enorme festa, uma celebração, por vezes algo carnavalesca, mas que com o seu olhar entre o satírico e o trágico se transforma quase num hino à vida e um sinal do optimismo da época para este realizador atormentado com o final a dar ao seu filme.

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5. ‘O Charme Discreto da Burguesia’, de Luis Buñuel (1972)

O mestre espanhol Luis Buñuel dá aqui largas ao seu gosto pelas derivas surrealistas e pelas narrativas desprovidas de qualquer lógica. Dois casais dirigem-se a casa de amigos para jantar, mas lá chegados, descobrem que se enganaram no dia. Vão então a uma estalagem para comer, mas está fechada, porque o dono morreu e está a ser velado lá por família, amigos e empregados.  O filme inclui cinco encontros semelhantes, com estas e outras personagens, envolvendo várias peripécias, e quatro sequências de sonhos das mesmas.

6. ‘A Noite Americana’, de François Truffaut (1973)

Um dos melhores filmes já feitos sobre o cinema, passado durante a atribulada rodagem de um filme, um dramalhão sentimental intitulado Je Vous Présente Paméla. Truffaut, que também interpreta o papel do realizador, filma animada, detalhada e gostosamente, os problemas, as peripécias, os inesperados, as relações de amizade e amorosas que se fazem e desfazem durante uma rodagem, bem como os problemas, as manias e os ridículos de actores e actrizes, mostrando todo o artifício em que o cinema assenta – começando logo pelo do título.

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7. ‘A Águia da Estepe’, de Akira Kurosawa (1975)

O melhor do cinema japonês encontra-se com o melhor do cinema soviético nesta obra-prima que o grande realizador nipónico Akira Kurosawa foi fazer à União Soviética. Passada no início do século XX e baseada em factos reais, esta é a história da amizade entre Vladimir Arsenev, um capitão de engenharia do exército russo, e Dersu Uzala, um caçador nómada, que foi o guia da equipa que aquele liderou em duas expedições aos confins da Rússia asiática. Uma grande aventura clássica de exploração na natureza, um magnífico poema cinematográfico e uma elegia por um modo de vida.

8. 'Cinema Paraíso', de Giuseppe Tornatore (1988)

Quem não conhece a história de Salvatore, que recua 30 anos no tempo, por via da memória, para regressar ao mundo mágico dos filmes, guiado pelo projeccionista Alfredo. Escrito e dirigido por Giuseppe Tornatore, Cinema Paraíso foi lançado em 1988, conquistou a Academia, e garantiu um lugar na posteridade. Mais de três décadas depois da estreia, continua a ser um dos mais populares filmes italianos e ainda consegue levar o público às salas, como se percebeu em 2018, quando regressou aos cinemas numa cópia restaurada digitalmente.

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9. 'A Vida é Bela', de Roberto Benigni (1997)

Guido Orefice (Roberto Benigni) conhece Dora (Nicoletta Braschi) e conquista-a com o seu humor. A vida corre bem e, com ela, chega Giosue (Giorgio Cantarini), o filho do casal. Mas a felicidade é interrompida  quando Guido e Giosue são separados de Dora e levados para um campo de concentração. Determinado a proteger o filho dos horrores que os cercam, Guido convence Giosue de que o tempo no campo é apenas um jogo. Resulta daí um dos filmes italianos mais rentáveis de sempre que, além do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, recebeu mais duas estatuetas, incluindo a de Melhor Actor, para o também realizador Roberto Benigni.

10. 'Roma', de Alfonso Cuarón (2018)

Nesta narrativa pessoal e quase íntima, filmada a preto e branco, Alfonso Cuarón regressa à década de 1970, no bairro de Roma, na Cidade do México, e presta homenagem à empregada doméstica que o ajudou a criar. Depois de vencer o Leão de Ouro em Veneza, e inúmeros outros prémios, o filme foi nomeado para dez estatuetas douradas e ganhou três — Filme Estrangeiro, Realização e Fotografia, todos para Cuarón, que já tinha vencido Óscares de Realização e Edição por Gravidade, cinco anos antes.

A caminho dos Óscares

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